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Desemprego atinge 11,2% em trimestre até fevereiro; renda é a menor para o período desde 2012

Desemprego atinge 11,2% em trimestre até fevereiro; renda é a menor para o período desde 2012

Desocupação veio abaixo da esperada pelo mercado

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Foto: Shutterstock

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A taxa de desemprego ficou em 11,2% no trimestre encerrado em fevereiro, a menor taxa para o período desde 2016, de acordo com dados divulgados nesta quinta-feira (31) pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

O número veio pouco abaixo do esperado por analistas ouvidos pela Reuters, que estimavam uma desocupação de 11,4%. Em janeiro, a taxa de desemprego também ficou em 11,2%, mas o dado representa uma queda em relação aos três meses encerrados em novembro, quando a desocupação estava em 11,6% –essa é a comparação mais recomendada pelo IBGE.

Reprodução/ IBGE

Na avaliação da coordenadora de Trabalho e Rendimento do instituto, Adriana Beringuy, fevereiro segue a tendência registrada nos últimos trimestres: houve queda da população em busca de trabalho, o que já vinha acontecendo. “A diferença é que nesse trimestre não se observou um crescimento significativo da população ocupada”, afirma.

Ou seja, a quantidade de pessoas buscando emprego está menor, o que reduziu a taxa de desemprego na comparação com os três meses encerrados em novembro. Por outro lado, o número de ocupados foi estimado em 95,2 milhões, apresentando estabilidade em relação ao trimestre anterior.

De acordo com a pesquisadora, essa estabilidade pode ser a retomada de um padrão histórico do mercado de trabalho observado antes da pandemia, o de que em fevereiro, historicamente, há queda na população empregada, já que parte dos trabalhadores contratados de forma temporária no final do ano anterior são desligados das empresas.

“Se observarmos a série histórica, veremos que, desde o seu início, houve queda no número de pessoas ocupadas nesse período. Agora não tivemos queda, mas essa perda de fôlego neste ano pode indicar a retomada desses padrões sazonais”, apontou.

Renda

O rendimento médio real (ou seja, descontada a inflação do período) foi estimado em R$ 2.511, o que representa uma estabilidade em relação ao trimestre encerrado em novembro.

Essa é a menor renda média real já registrada desde o início da série histórica atual da pesquisa, em 2012.

“Nos trimestres anteriores, o rendimento médio estava em queda. A estabilidade desse trimestre pode estar relacionada à diminuição no número de trabalhadores informais, que têm menores rendimentos, e ao aumento de trabalhadores com carteira assinada no setor privado”, afirmou a pesquisadora do IBGE.

A massa de rendimento também ficou estável na comparação com o trimestre encerrado em novembro e foi estimada em R$234,1 bilhões.

“A fraqueza da economia e a alta dos preços continua respingando no rendimento médio real, que ficou em R$ 2.511, patamar muito baixo historicamente. O desemprego em patamar elevado e a inflação em alta continuarão pressionando para baixo a renda real do trabalhador”, avaliou a economista Claudia Moreno, do C6 Bank.

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