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Sanções à Rússia dificultam fechamento de câmbio para importação de fertilizantes por empresas no Brasil

Sanções à Rússia dificultam fechamento de câmbio para importação de fertilizantes por empresas no Brasil

Bancos russos e bielorussos foram excluídos do Swift, sistema mundial de comunicação interbancária

Bandeiras da Ucrânia e da Rússia representando matéria sanções fertilizantes

Foto: Shutterstock

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As sanções aplicadas pelos Estados Unidos e países da União Europeia à Rússia e à aliada Belarus, que excluíram bancos russos e bielorussos do sistema Swift, têm dificultado  o fechamento de câmbio para a importação de fertilizantes no Brasil.

O Swift é um sistema mundial de comunicação interbancária que viabiliza o pagamento de recursos entre empresas de diferentes países.

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As sanções têm encarecido as transações de fechamento de câmbio para operações comerciais, como a importação de fertilizantes, além de ampliado o tempo de fechamento das operações.

Segundo o diretor-executivo do banco BS2, Carlos Eduardo de Andrade Jr., transações de câmbio comercial que antes eram feitas pelo banco em uma hora agora estão levando de dois a três dias e chegam a levar uma semana em outras instituições.

“Está levando mais tempo porque agora os bancos têm de checar a lista de empresas e bancos que estão sob sanção. O custo da transação também aumentou”, diz Andrade Jr.

Bancos brasileiros têm encontrado dificuldade em viabilizar esses pagamentos com instituições financeiras americanas e europeias por conta das sanções.

Andrade Jr. afirma que os bancos americanos não estão autorizando pagamento para Rússia. “Na dúvida se a empresa está passível de sanção, ninguém faz o pagamento”, diz.

O BS2 faz pagamentos para empresas brasileiras que importam insumos da Rússia e Belarus somente em dólar. “Temos transações de pagamento de um fornecedor em Belarus que estão sendo feitas usando banco americano, mas é caso a caso”, diz.

Rússia e Belarus representam 30% da importação

A Rússia representa 30% da importação de fertilizantes do Brasil, enquanto a participação de Belarus era de 4% em janeiro, segundo o BNP Paribas.

Mesmo com algumas alternativas para viabilizar esses pagamentos, como a possível utilização de bancos chineses para pagamento das empresas russas, bancos brasileiros ficam com receio de fazer a transação. O Brasil, junto com a China, foram alguns dos poucos países que não aderiram às sanções impostas à Rússia.

Além dos embargos financeiros, empresas multinacionais têm anunciado a interrupção da prestação de serviços para a Rússia.

A dinamarquesa Maersk, uma das maiores do transporte marítimo, informou que interromperá temporariamente todos os seus embarques de contêineres na Rússia.

“As empresas de fertilizantes, mesmo as que não estão sob sanção, estão enfrentando dificuldades logísticas para escoar a produção, além do aumento do frete”, diz Douglas Ferreira, diretor de câmbio da Planner Corretora. “Quem tem estoque de rublo vai ser difícil vender, porque é uma moeda que não tem muita saída. A Rússia está na 26ª posição dos países que mais transacionam com o Brasil”.

As sanções impostas à Rússia já começam a ter impacto no estoque de papel moeda. “Os bancos internacionais já vetaram qualquer tipo de negociação com o rublo e a gente já não consegue importar mais a moeda física e nem devolver o estoque para eles”, afirma Eduardo Campos, diretor da área de câmbio do Banco Daycoval.

Desde o início da invasão russa a Ucrânia, em 24 de fevereiro, o rublo acumula queda de 30%.

 

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