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Rússia sente pressão das sanções econômicas e eleva juros a 20% ao ano

Rússia sente pressão das sanções econômicas e eleva juros a 20% ao ano

Banco central também reconheceu que falta liquidez no sistema bancário e que teve dificuldade para intervir no câmbio

bandeira russa e gráfico mostrando perdas de ações por retirada do MSCI e FTSE

Foto: Shutterstock

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O banco central da Rússia elevou a taxa básica de juros do país de 9,50% para 20% ao ano. A medida veio em resposta às sanções econômicas contra o país, que na semana passada começou uma invasão à Ucrânia.

No sábado (26), os Estados Unidos, a União Europeia e o Reino Unido anunciaram duas importantes medidas para isolar a Rússia do sistema financeiro mundial.

A principal delas foi remover a Rússia do Swift – um sistema usado pelo setor bancário para fazer e receber pagamentos internacionais, e que opera sob jurisdição da Bélgica. Há cerca de 11 mil instituições financeiras cadastradas na rede.

Impedir os bancos russos de usar o Swift equivale a forçá-los a confirmar transações com o exterior de forma menos eficiente – por telefone, por exemplo – ou por sistemas alternativos e com menos adesão internacional – como o FMS.

“O mais provável é que a maioria dos bancos ao redor do mundo simplesmente deixe de fazer transações com os bancos russos removidos do Swift”, disse uma autoridade dos EUA a jornalistas durante uma teleconferência no fim de semana.

A outra medida foi limitar a capacidade do banco central russo de defender a moeda local, o rublo.

A Rússia possui mais de US$ 600 bilhões em reservas internacionais. Em tese, o banco central pode usar este dinheiro para comprar rublos, evitando que o preço da moeda tenha que cair ainda mais para que apareçam outros interessados em entrar no mercado como compradores da moeda russa.

Com as medidas anunciadas no fim de semana, cidadãos e empresas dos EUA, da União Europeia e do Reino Unido ficam proibidos de vender rublos para o banco central da Rússia.

O objetivo, segundo as autoridades dos EUA, é desvalorizar a moeda russa, aumentar a inflação no país e dificultar que Moscou adote medidas para contornar o efeito das sanções econômicas.

Avanço na guerra, retrocesso na economia

Na segunda-feira passada (21), a Rússia reconheceu duas regiões separatistas da Ucrânia como estados independentes e começou a enviar tropas ao país vizinho. O presidente russo, Vladimir Putin, disse inicialmente que o objetivo da iniciativa era manter a segurança nos territórios “independentes”, mas logo ficou evidente que os soldados russos avançariam mais do que o anunciado.

As forças da Rússia estão cada vez mais perto de Kiev, a capital da Ucrânia, e segundo notícias divulgadas por agências internacionais e veículos de imprensa do exterior, enfrentam forte resistência do exército ucraniano.

Delegações dos dois países reuniram-se nesta segunda-feira (28) para uma primeira rodada de negociações em Belarus, ainda que a princípio os ucranianos tenham rechaçado a hipótese de as conversas acontecerem ali. Isso porque Belarus permitiu a passagem do exército russo para a invasão do norte do território ucraniano, onde está a cidade de Kiev.

O aparente êxito militar da Rússia, porém, contrasta com as perdas financeiras que o país vem sofrendo desde que começou o conflito. O mercado de ações da Rússia registrou queda recorde na semana passada, e o rublo teve a pior semana desde março de 2020. Nesta segunda-feira (28), o dólar atingiu uma máxima histórica em relação à moeda russa, de quase 105 rublos, e a bolsa de valores do país não abriu, dada a alta volatilidade no mercado financeiro local.

Diante deste quadro, o banco central da Rússia decidiu adotar medidas para defender a economia – sinalizando que as sanções estão, de fato, tendo o efeito desejado.

Bancos da Rússia estão sem liquidez

“As condições para a economia russa mudaram dramaticamente”, disse a presidente do banco central da Rússia, Elvira Nabiullina, durante um pronunciamento ocorrido hoje.

“As novas sanções impostas por países estrangeiros geraram um aumento considerável na taxa de câmbio do rublo e limitaram as oportunidades para a Rússia usar as reservas de ouro e de moedas internacionais”, afirmou ela. “Para manter a atratividade dos depósitos e proteger a poupança das famílias da depreciação, precisamos elevar os juros para níveis que compensariam riscos de inflação mais alta.”

Segundo Nabiullina, há uma “alta demanda por dinheiro” na Rússia (um termo técnico para descrever uma corrida aos bancos) e o setor bancário do país enfrenta “um déficit estrutural de liquidez”, o que na prática quer dizer que falta dinheiro no sistema bancário para honrar o compromisso de devolver os depósitos aos correntistas.

“O Banco da Rússia está continuamente fornecendo rublos em espécie e em outros formatos aos bancos”, disse a presidente do banco central, acrescentando que as instituições financeiras do país também possuem ativos suficientes para trabalhar com a liquidez oferecida pelo governo.

No caso do câmbio, Nabiullina ressaltou que o banco central fez intervenções no mercado na quinta e na sexta-feira da semana passada, mas que as restrições ao uso de reservas internacionais e do ouro detido pelo governo impediram uma nova intervenção nesta segunda-feira. Por isso, o governo russo passou a obrigar empresas a vender 80% da moeda estrangeira obtida com a receita das exportações.

Na lista de medidas adotadas, também estão limites a saques por não residentes, autorização para que bancos descumpram exigências regulatórias de capital – que devem liberar 900 bilhões de rublos, ou pouco menos de US$ 9 bilhões, em liquidez – e incentivos à reestruturação de empréstimos bancários.

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