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Petrobras (PETR4): Ação “barata” e preço alto do combustível atraem investimento de pessoa física

Petrobras (PETR4): Ação “barata” e preço alto do combustível atraem investimento de pessoa física

Petrolífera encerrou 2019 com cerca de 373 mil investidores PF e saltou mais que 100% em 2020, encerrando o período com 760 mil

Fachada de prédio da Petrobras

Foto: Shutterstock

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A Petrobras (PETR4; PETR3) é uma empresa que chama a atenção dos investidores por diversos motivos. Além de ser a segunda companhia que mais negocia papéis no Ibovespa — cerca de 12% –, a petrolífera segue como uma das maiores pagadoras de proventos aos acionistas nos últimos anos. Porém, não é só isso.

Governança, ação “barata” e o PPI (paridade internacional para importar combustíveis) são alguns dos atrativos que podem fazer com que eu e você possamos investir na companhia.

Toda essa “revolução governamental” se deu após os escândalos da Operação Lava Jato, iniciada em 2014, que apontou diversas irregularidades na estatal, entre elas, desvio de dinheiro e pagamento de propina.

Essas descobertas fizeram com que a Petrobras desembolsasse milhões de reais para o pagamento de multa às autoridades brasileiras e americanas, colocando em risco à própria operação da empresa, que viu sua receita e provisão para pagamento em desequilíbrio.

Além disso, no começo de 2015, o barril do petróleo tipo Brent no mercado internacional chegou cair abaixo de US$ 50, seis meses após ter batido o pico de 2014, que foi em junho, quando alcançou o patamar de US$ 115.

Para Matheus Spiess, analista da Empiricus, a Petrobras atrai acionistas pois é, atualmente, uma companhia “saudável, estruturada, alinhada e eficiente”.

Segundo ele, a transformação deu início em 2016, no governo de Michel Temer. De lá para cá, uma grande medida adotada pela companhia foi o PPI.

Na prática, o preço do combustível comercializado aqui no Brasil segue a flutuação do preço do petróleo do tipo Brent no mercado internacional, o que acaba diminuindo a interferência do governo na estatal.

“Mesmo com diversos presidentes (Temer e Bolsonaro) ocupando a cadeira nos últimos anos, essa política não se alterou. A empresa criou mecanismos robustos de governança para se proteger das intervenções do governo, que aconteciam principalmente no governo Dilma”, avalia Spiess.

A evolução do investidor pessoa física  

Essa maior confiança na empresa, citada por Spiess, pode ser vista na evolução da quantidade de acionistas pessoa física (PF) na empresa ao longo dos anos. De acordo com dados contidos nos formulários de referência da Petrobras, o número de acionistas saltou 92,35% de 2019 para cá.

 

Evolução dos investidores PF da Petrobras
Arte: Rachel Santos/TradeMap

A petrolífera encerrou 2019, antes da pandemia de Covid-19, com cerca de 373 mil investidores PF e saltou mais que 100% em 2020, encerrando o período com 760 mil. De 2020 para o ano passado, apresentou uma queda de cerca de 6%, chegando a 719 mil, número próximo do atual — 718 mil.

O aumento da quantidade de acionistas não acompanhou, na mesma medida, o preço do papel preferencial da companhia ao longo dos anos. Enquanto o número de investidores mais que dobrou de 2019 para 2020, o papel caiu de preço, passando de R$ 20,36 ao fim de 2019 para R$ 19,13 em 2020.

Apesar disso, a ação subiu em 2021 e, atualmente, o papel é avaliado em R$ 28,03, segundo dados de fechamento disponíveis na plataforma TradeMap na terça-feira (4).

Os proventos, por sua vez, também não podem ser ignorados. Até agora, em 2022, por exemplo, a estatal já pagou R$ 49 bilhões entre dividendos e JCP (Juros sobre Capital Próprio), totalizando R$ 6,59 por ação.

Na visão de Jader Lazarini, analista CNPI do TradeMap, os dados são resultado do grande processo de desinvestimento que a empresa colocou em prática nos últimos cinco anos.

“A estatal focou em seu core business, da extração de petróleo em águas profundas e ultraprofundas, gerando mais rentabilidade”, diz Lazarini.

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No primeiro trimestre do ano, a empresa lucrou R$ 44,5 bilhões, número 40 vezes maior do que o reportado no mesmo intervalo do ano passado, com a melhora das margens. Com o resultado, a empresa se tornou a petrolífera mais eficiente do mundo em termos financeiros.

Somado a isso, Andre Vidal, analista de óleo, gás e materiais básicos da XP, relembra, em relatório, que a Petrobras adotou uma estratégia de suspensão do pagamento de dividendos entre 2015 e 2018, devido ao objetivo de reduzir a sua elevada dívida acumulada no período.

“Os pagamentos retornaram a partir de 2018 e vem crescendo gradualmente”, explica Vidal.

Em novembro de 2021, a Petrobras anunciou uma nova política de dividendos que passou a ser vigente a partir deste ano. Ela estabelece um dividendo mínimo anual de US$ 4 bilhões para exercícios fiscais em que os preços médios do Brent se situarem acima de US$ 40.

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Gestores animados com o papel

Além do acionista pessoa física, o investidor institucional também parece estar comprado na empresa. Segundo alguns gestores ouvidos pela Agência TradeMap recentemente, a estatal está sendo negociada com desconto, abaixo de seus pares internacionais.

Gestoras como SPX, Claritas e Forpus Capital veem potencial de alta para a ação após a eleição deste ano, caso o próximo governo adote uma postura mais de centro, mais pró-mercado e menos intervencionista. O risco de intervenção política, no entanto, já está em boa parte refletido no preço do papel.

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Spiess também considera a empresa “descontada”, avaliando o múltiplo EV/Ebitda. O múltiplo basicamente se resume a um indicador que divide o valor de mercado da empresa (pelo critério de enterprise value, que inclui as dívidas da companhia) pelo Ebitda (lucro antes dos juros, impostos, amortização e depreciação).

Assim, é possível saber em quantos anos a companhia consegue “se pagar”. Quanto menor o tempo, mais barata a empresa é. Nesse conceito, o EV/Ebitda da Petrobras é de 2,10 vezes, ou seja 2,1 anos.

Na avaliação de analistas do Itaú BBA, que iniciaram a cobertura da empresa recentemente, a ação está barata, mesmo considerado o cenário “mais catastrófico” com o ano eleitoral e a volatilidade que o papel pode atravessar até o fim de 2022.

“Ao olhar para a companhia, os investidores precisam enxergar além da neblina causada pelo pesado fluxo de notícias diário para ter uma visão mais clara de seus principais drivers de valor”, escrevem os analistas Monique Greco, Renan Moura e Eric de Mello, em relatório distribuído ao mercado no dia 27 de junho.

Além do potencial de geração de caixa, o BBA aponta que, nos níveis atuais, as ações estão extremamente baratas. “Concluímos que o preço atual da ação parece descontado para acomodar até mesmo cenários extremos e, na nossa visão, improváveis”.

Assim, o banco classifica a ação da petrolífera como outperform – isto é, performance acima da média do mercado, correspondente à compra – e fixa o preço-alvo do papel preferencial em R$ 43, o que corresponde a um upside de 53,40% em relação ao fechamento de ontem, de R$ 28,03.

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