PEC da Transição, Copom e inflação – veja o que importa na semana

Investidores ainda repercutem afrouxamento de restrições na China; índices futuros americanos operam em queda

Foto: Shutterstock/NicoElNino

Em uma semana com dados macroeconômicos importantes na agenda, como reunião do Copom e inflação de novembro, os investidores monitoram a tramitação da PEC da Transição, que pode ser votada no Senado. Repercutem ainda o afrouxamento das restrições à circulação na China e a decisão da Opep de manter uma produção reduzida de petróleo.

O presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), marcou para a próxima quarta-feira (7) a votação da proposta no plenário da casa. Mas muita água pode rolar debaixo da ponte até lá, já que o texto precisa ser aprovado primeiro na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça), comandada por Davi Alcolumbre (DEM-AP).

A PEC original prevê a abertura de até R$ 198 bilhões fora do teto no Orçamento, com o objetivo de garantir recursos para o funcionamento de programas da Saúde e Educação e para a manutenção do pagamento de R$ 600 para o Bolsa Família. Apesar desse valor inicial elevado fora da âncora fiscal, a proposta deve ser desidratada no Congresso.

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Também depois de amanhã, o STF (Supremo Tribunal Federal) irá julgar ações que contestam o pagamento das emendas de relator (o chamado orçamento secreto, que surgiu em 2020). Para o ano que vem, estão previstos R$ 19,4 bilhões em recursos somente para o pagamento dessas emendas, que não exigem identificação de quais parlamentares solicitaram a verba.

Se o orçamento secreto for proibido, a avaliação de analistas políticos é que o presidente eleito, Luiz Inácio Lula da Silva, ganha força na negociação com o Congresso pela aprovação da PEC.

Por que isso importa?

Quando o risco de descontrole das contas públicas de um país se eleva, investidores passam a pedir taxas de juros maiores lá na frente para comprar seus títulos públicos – ou, de forma mais simples, para emprestar dinheiro ao governo. Isso tende a reduzir o valor das ações de empresas negociadas em Bolsa e a desvalorizar o real. 

Copom e IPCA

Por aqui, os investidores ainda acompanham nesta semana a última reunião do Copom (Comitê de Política Monetária do Banco Central) do ano, que acontece também na quarta.

Apesar do consenso de que o BC manterá a taxa básica (Selic) em 13,75% ao ano, os investidores acompanharão com atenção o comunicado da decisão. A expectativa é que o colegiado envie um recado firme para o próximo governo, alertando que um cenário de descontrole das contas públicas pode ter como consequência juros elevados por mais tempo.

Na sexta (9), o IBGE informa o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), que deve mostrar uma nova alta em novembro. A prévia do índice, o IPCA-15, mostrou aceleração da alta de preços na comparação com outubro, ao subir 0,53%.

China, petróleo e payroll forte

Lá fora, os índices futuros americanos operam em queda na manhã desta segunda (5), com os investidores ainda sob o efeito do payroll forte de novembro, que foi divulgado na última sexta. O número de criação de vagas nos EUA veio bem acima do projetado e reavivou temores de que o ciclo de aumento de juros americanos será ainda mais intenso.

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Na próxima sexta, sai o primeiro dado de inflação americana de novembro, o PPI (índice de preços ao produtor), que poderá ajudar a calibrar as expectativas para a taxa americana.

Os mercados ainda repercutem notícias de que outras cidades flexibilizaram restrições à circulação na China, após os maiores protestos em décadas na segunda maior economia do mundo. Na manhã de hoje, os contratos futuros de minério de ferro negociados em Cingapura subiam mais de 2% em reação.

O petróleo também opera em forte alta, após países da Opep+ (Organização dos Países Exportadores de Petróleo) terem mantido o corte de produção de dois milhões de barris por dia no final de semana.

Por volta das 8h30 de hoje, os futuros americanos estavam em queda: o Dow Jones caía 0,37%, o S&P 500 recuava 0,40% e o Nasdaq perdia 0,25%. O índice europeu Euro Stoxx 50 recuava 0,22%.

Veja abaixo a agenda completa:

Segunda-feira

Às 8h25, o Banco Central publica o Boletim Focus, com as projeções de analistas para juros, inflação, câmbio e dólar.

Quarta-feira

Às 7h, a EuroStat publica o PIB (Produto Interno Bruto) do terceiro trimestre na zona do euro.

Às 10h30, a Anfavea (associação das montadoras) informa a produção, emplacamentos e exportações de veículos de novembro.

Às 18h30, o Copom (Comitê de Política Monetária do Banco Central) decide a nova taxa básica da economia (Selic).

Quinta-feira

Às 8h, a FGV informa o IPC-S (Índice de Preços ao Consumidor Semanal) da primeira semana de dezembro.

Às 9h, o IBGE publica a PMC (Pesquisa Mensal de Comércio) de outubro.

Às 10h30, o DoL (Departamento de Trabalho) dos EUA divulga o número atualizado de pedidos de auxílio desemprego nos EUA.

Sexta-feira

Às 8h, a FGV informa a primeira prévia do IGP-M de dezembro.

Às 9h, o IBGE divulga o IPCA de novembro.

Às 10h30, a secretaria de estatísticas trabalhistas dos EUA (BLS) divulga o PPI (índice de preços ao produtor) de novembro.

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