Ações baratas? Marfrig (MRFG3) e mais treze papéis podem dobrar de preço – veja análise

Sequoia, Marfrig e 3R Petroleum são as empresas com maior valorização potencial para os analistas compilados pela Refinitiv

Foto: Shutterstock/iQoncept

Alguns investidores buscam oportunidades no mercado financeiro no longo prazo, enquanto outros perguntam qual será a próxima Magalu. Fato é que todos querem encontrar aquele ativo que vai impulsionar a carteira de investimentos.

Quando pensamos em ações com alto potencial para valorização, o que vem à mente são as small caps. Estas empresas são conhecidas por terem valor de mercado abaixo daquelas consideradas gigantes da bolsa, como Petrobras (PETR4) e Vale (VALE3), por exemplo.

No entanto, o cenário macroeconômico atual, com a taxa básica de juros, a Selic, em 13,75% ao ano, torna cada vez mais difícil encontrar ações que possam oferecer melhores condições de risco e retorno que a renda fixa.

Diante disso, a Agência TradeMap fez um levantamento para saber quais empresas listadas na Bolsa têm, segundo o consenso do mercado, maior potencial de valorização (upside).

Os dados, baseados em informações da Refinitiv disponíveis na plataforma TradeMap, mostram a diferença entre os preços que os analistas acham que as ações deveriam valer – o famoso “preço-justo” – em relação ao valor de fechamento dos papéis no pregão de sexta-feira (17).

Dentre as 20 ações com maior potencial de valorização, 14 têm potencial para mais que dobrar o capital do investidor, e 15 podem ser consideradas small caps já que o valor de mercado é abaixo de R$ 10 bilhões.

Veja o ranking abaixo:

Não é coincidência o alto número de small caps na lista. Afinal, é mais fácil uma empresa com R$ 2 bilhões em valor de mercado dobrar de tamanho do que uma de R$ 500 bilhões.

Mas mesmo com forte potencial de alta nos preços, nem todas as companhias são vistas como compras óbvias pelos especialistas, visto que há riscos à espreita e que podem frustrar essa potencial valorização.

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Sequoia Logística (SEQL3)

A Sequoia Logística, que atua em todo Brasil no segmento de transporte e logística com soluções voltadas para o e-commerce, é o papel com maior potencial de valorização segundo compilado da Refinitiv.

Em outubro de 2020, há exatos dois anos, a empresa abriu capital na Bolsa e viu o valor de suas ações disparar, impulsionado pela intensificação do comércio eletrônico durante a pandemia de Covid-19.

Porém, desde julho de 2021 o valor das ações foi ladeira abaixo, pressionado pelos níveis elevados de inflação a consequente alta de juros, ambos fatores que prejudicam o consumo.

A guerra entre a Rússia e a Ucrânia, no Leste Europeu, iniciada no final de fevereiro deste ano, só intensificou o cenário inflacionário, impondo mais gargalos logísticos e provocando a quebra de cadeias de suprimentos.

Estes elementos combinados levaram à queda da rentabilidade da Sequoia, principalmente por meio do aumento nos preços do petróleo – principal custo da empresa -, mas também via o crescimento das despesas com juros.

No entanto, a empresa opera sob o modelo “asset light”, operando com o menor volume possível de ativos próprios. Quase toda a frota e estrutura da Sequoia (97%) é terceirizada ou alugada, por exemplo.

Isto permite que a companhia reduza os custos e despesas, como depreciação, manutenções de veículos, entre outros, equilibrando a rentabilidade do negócio, além de ampliar a capacidade de geração de caixa.

Este modelo permite que a empresa foque seu capital em melhorias operacionais e aquisições para expansão, em vez de em investimentos para renovação de frotas e equipamentos.

Outro ponto positivo para uma eventual virada de chave da empresa é a expectativa de reversão da curva de juros e controle da inflação. Isto deve reaquecer o mercado e elevar o volume de vendas de empresas do varejo.

Diante disso, a Sequoia deve apresentar maiores receitas no período e gerar mais caixa nos próximos anos.

Além disso, a empresa permite ao investidor participar do setor de varejo sem que haja necessidade de se expor à alta concorrência entre as lojas do segmento, que tende a prejudicar as margens destas companhias.

No caso da Sequoia, o efeito é o contrário: quanto maior a concorrência entre as redes varejistas, melhor para empresa que diversifica os clientes, reduzindo o risco.

Por atuar em todo Brasil a empresa consegue atender a demanda de todas as varejistas e maximizar os ganhos, dado que o setor de logística e serviços de comércio eletrônico é pouco penetrado e apresenta grandes avenidas de crescimento.

Segundos dados compilados pela Refinitiv, a recomendação do mercado para a ação é de compra – quatro dos cinco analistas pesquisados defendem a aquisição dos papéis. Apenas um atribui recomendação neutra – nem compra, nem venda.

Marfrig (MRFG3)

A Marfrig, empresa que atua na produção de alimentos embutidos e frigoríficos, tem passado apuros nos últimos meses. As ações da companhia desvalorizaram 50% só neste ano.

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Após aquisição de 33,2% da BRF, a empresa passou a dominar não só o mercado de proteína bovina, mas entrou no segmento de aves e suínos. No entanto, a aquisição ainda não surtiu efeito positivo. Pelo contrário: a empresa passou a ter maiores custos.

A compra da fatia na BRF, por um lado, deu à Marfrig espaço de mercado em outras regiões e diversificou seus produtos, mitigando os riscos quanto aos ciclos de cada proteína e reduzindo exposição da companhia a uma única área de atuação. Por outro, as adversidades operacionais com o novo CEO, que atuava em outra área, e a baixa sinergia do negócio podem dificultar a melhoria nos resultados.

A expectativa dos analistas deve estar baseada na maturação desta sinergia, que deve ser melhor aproveitada no médio prazo, e no aquecimento do consumo de proteína bovina no mercado chinês.

Se isso de fato acontecer, a Marfrig teria maior rentabilidade e lucro porque o volume de vendas cresceria, mas o custo fixo permaneceria o mesmo. Por exemplo, um aumento de 10% nas receitas, poderá gerar um incremento de 20% no lucro operacional.

Esta expectativa de maiores fluxos de caixa no futuro implica numa potencial maior capacidade da empresa em gerar valor ao acionista. Isto é um ponto que é levado em consideração pelos analistas na hora de precificar um ativo.

É importante prestar atenção no risco cambial da Marfrig, já que quase 75% das receitas da empresa são dolarizadas. Portanto, uma desvalorização cambial ou um arrefecimento do consumo de carne no mercado norte americano pode impactar diretamente os resultados da empresa.

As ações da Marfrig hoje estão sendo negociadas com 77% de desconto sobre o patrimônio líquido. Ou seja, o patrimônio da empresa é maior do que o valor que o mercado atribui à companhia – um indício de que as ações podem estar baratas. 

Vale ressaltar que este patrimônio líquido conta com a inclusão do balanço da BRF no consolidado da empresa. Portanto, pode haver divergência quanto ao real valor.

Segundo o compilado da Refinitiv, os analistas se dividem em relação ao que fazer com a ação da Marfrig. Entre os 16 analistas, oito recomendam neutralidade – nem compra, nem venda – , enquanto oito sugerem comprar a ação. 

3R Petroleum (RRRP3)

A 3R Petroleum é a mais nova queridinha dos investidores quando falam sobre o setor de petróleo, gás e energia.

A empresa é uma produtora independente de petróleo com um modelo de negócio voltado para a revitalização de campos já maduros. Isto oferece um menor risco, já que não depende da prospecção do petróleo.

Só neste ano a empresa iniciou operações em quatro novos polos e a produtividade quase dobrou. No início do ano a produção era de 8,9 mil barris de petróleo equivalentes por dia e no mês de setembro este valor passou a ser 16,4 mil.

Além disso, deve ser incluído mais um polo ainda neste ano e o polo Potiguar, que tem maior potencial de crescimento das reservas e produção, para o ano que vem.

Esta fome por novos negócios reflete em uma maior geração de caixa no futuro.

O que atrai os investidores é o fato de os preços das ações aparentemente desconsiderar o potencial da companhia em aumentar a produção de petróleo e gás natural em ativos maduros. Este esperado salto na produtividade pode se refletir em um maior valor ao acionista.

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Por ser uma empresa de crescimento, que está investindo pesado em aquisições e melhorias operacionais para colher frutos no futuro, o indicador de preço sobre lucro da 3R Petroleum é negativo.

Isto porque a empresa tem registrado prejuízo no acumulado de 12 meses, fruto de maiores despesas financeiras, principalmente no primeiro trimestre deste ano.

Cerca de 79% do caixa é alocado em investimentos indexados ao dólar, que desvalorizou no primeiro trimestre. Isto, somado a despesas ligadas à hedge de commodities, gerou um prejuízo de R$ 335,2 milhões à companhia no período de janeiro até março.

Portanto, é importante se atentar aos riscos não relacionados diretamente à operação, como taxa cambial e preços das commodities. Estes fatores podem impactar a rentabilidade da empresa de acordo com as oscilações de oferta e demanda do mercado global.

Por outro lado, a partir do momento em que as operações nestes novos campos estiverem concluídas, a geração de caixa tende a ser maior, trazendo maiores lucros para empresa, além de uma melhor rentabilidade.

Para os analistas compilados pela Refinitiv a recomendação para os papéis da 3R é unânime de compra, com nove avaliações.

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