Itaú (ITUB4) e commodities impulsionam e Ibovespa fecha acima dos 109 mil pontos

Banco liderou a valorização do pregão com alta de mais de 8% e puxou o setor financeiro

Foto: Shutterstock/T. Schneider

O Ibovespa fechou em alta nesta quarta-feira (8), impulsionado pela subida em bloco do setor financeiro e com as altas de Vale (VALE3) e Petrobras (PETR4; PETR3).

O movimento vai na direção oposta aos mercados globais, que seguem analisando os próximos passos dos juros americanos.

O principal indicador da Bolsa brasileira encerrou a sessão em alta de 1,97%, aos 109.951 pontos e R$ 19,53 bilhões em volume negociado, segundo dados disponíveis na plataforma TradeMap.

Com o desempenho, o Ibovespa registra queda de 3,06% em fevereiro, enquanto no acumulado do ano, a valorização passou para 0,19%.

Ministro nega intervenção no BC

O ministro das Relações Institucionais, Alexandre Padilha, negou nesta quarta que o governo federal intenta intervir no Banco Central (BC). A escalada dos atritos entre a autoridade monetária e o governo federal subiu um degrau ontem após novas críticas de Lula (PT), e foi o principal responsável pelo tombo do Ibovespa.

“O presidente Lula, quando fala, traz as dores e anseios de quem quer uma taxa de juros cada vez menor no país, de quem acredita que a gente precisa ter condições melhores para [que] os empresários possam investir no país, possam pegar crédito para gerar emprego e retomar investimentos”, afirmou Padilha.

Itaú dispara e puxa bancos

A alta do pregão foi liderada pelas ações da Itaúsa (ITSA4), com alta de 8,46%, enquanto Itaú (ITUB4) subiu 8,27% e São Martinho (SMTO3) ganhou 8,13%.

O desempenho do banco reflete o lucro líquido de R$ 7,6 bilhões entre outubro a dezembro, alta de 7,1% em relação ao mesmo intervalo do ano anterior, segundo balanço divulgado na noite desta terça-feira (7).

No período, o Itaú elevou as despesas para se proteger de eventuais calotes, após o caso do rombo contábil da Americanas (AMER3) revelar que a varejista devia mais às instituições financeiras do que se sabia no mercado.

A Americanas tem uma dívida de cerca de R$ 3 bilhões com o Itaú, valor este que o banco provisionou no seu balanço. Ao fazer isso, é como se o Itaú estivesse considerando a possibilidade não receber mais nada do montante, preparando-se para o pior.

Para fazer isso, no entanto, o Itaú não precisou separar R$ 3 bilhões a mais em provisões. O banco usou R$ 1,7 bilhão que já estava provisionado no balanço e “transferiu” para o caso Americanas e adicionou de fato mais R$ 1,3 bilhão em provisões novas.

Para Leandro Petrokas, diretor de research e sócio da Quantzed, o foco em Americanas foi o principal ponto para o otimismo dos investidores com os papéis do banco.

“O que pesou mesmo foi realmente a provisão para cobrir 100% da exposição de crédito junto às Lojas Americanas. Assim, o Itaú limpa todo o efeito Americanas no balanço do quarto trimestre”, ressaltou.

O desempenho deu força para a valorização em bloco do setor financeiro. BTG Pactual (BPAC11) subiu 5,17%, enquanto Bradesco (BBDC4) ganhou 4,89%, e Santander (SANB11) valorizou 4,86%.

Commodities em alta

A recuperação da Bolsa brasileira também teve um empurrão do bom desempenho das commodities no mercado global. O minério de ferro encerrou em alta de 0,71% em Dalian, a US$ 125,03 por tonelada.

O movimento deu força para mineradoras e siderúrgicas. A Vale (VALE3), empresa com maior peso no Ibovespa, subiu 0,34%. Já a CSN Mineração (CMIN3) fechou em alta de 1,01% e a CSN (CSNA3) teve valorização de 0,12%.

O petróleo também teve um dia de ganhos. O barril do tipo Brent encerrou em alta de 1,62%, a US$ 85,05, segundo dados da ICE.

Na esteira, os papéis preferenciais da Petrobras (PETR4) subiram 1,68%, enquanto os ordinários (PETR3) ganharam 2,02%. No mesmo grupo, Prio (PRIO3) encerrou com valorização de 2,21%.

As baixas do pregão

Ampliando as quedas da véspera, a Gol (GOLL4) puxou as baixas do dia, com desvalorização de 5,38%. Os papéis refletem o anúncio da Abra Group, controladora da empresa, que firmou um compromisso que resultará no alongamento da dívida da companhia aérea e transformará a holding na maior credora da Gol.

Sob os termos do acordo, credores da Gol aceitaram vender títulos de dívida com vencimento em 2024, 2025 e 2026 para a Abra, que, por sua vez, entregará estes títulos à Gol em troca de outros títulos de dívida com vencimento em 2028.

Além disso, a Abras vai investir aproximadamente US$ 400 milhões na Gol comprando títulos de dívida, também com vencimento em 2028, que serão emitidos pela companhia aérea. O dinheiro será usado para modernização da frota e para o gerenciamento de obrigações.

Na sequência, Pão de Açúcar (PCAR3) perdeu 5,17% e Hapvida (HAPV3), 3,66%.

Ainda nas baixas, o Banco Pan (BPAN4) caiu 1,15%, refletindo o lucro líquido de R$ 191 milhões nos três últimos meses de 2022, número levemente acima dos R$ 190 milhões anotados em igual período do ano anterior.

O resultado, porém, ficou abaixo da projeção dos analistas do Santander, que esperavam lucro líquido de R$ 201 milhões.

Saiba mais:

O lucro do Pan foi prejudicado principalmente pelo aumento das chamadas provisões para devedores duvidosos (PDDs), como são chamados os recursos que os bancos reservam para cobrir eventuais perdas com empréstimos não pagos, que costumam crescer em tempos de maior risco de crédito.

As provisões do Pan alcançaram o patamar de R$ 558 milhões, aumento de 36,8% em relação a igual período do ano anterior.

Mercado global e criptos

As principais Bolsas globais fecharam no vermelho, com os investidores ainda prevendo mais juros pelo Fed, o banco central americano, após o discurso do presidente da entidade, Jerome Powell, na véspera.

Em Wall Street, o Dow Jones subiu 0,61%, enquanto o S&P 500 ganhou 1,11% e a Nasdaq fechou com valorização de 1,68%. Mais cedo, o Euro Stoxx 50 encerrou o dia em alta de 0,50%.

Os sinais de que a taxa vai precisar se manter em elevação para cumprir a inflação de 2% ao fim do ano se somou ao cenário negativo após dados do mercado de trabalho publicados na semana passada mostrarem aquecimento da maior economia do mundo.

Seguindo a mesma tendência, o mercado de criptoativos também opera no vermelho. Por volta de 17h10, o Bitcoin (BTC) caia 2,09% em comparação as últimas 24 horas, negociado a US$ 22,8. Na mesma hora, o Ethereum (ETH) perdia 1,12%, a US$ 1,6 mil.

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