Os resultados do Banco Inter no primeiro trimestre, que mostraram uma piora do cenário do crédito, levaram os analistas do Bank of America (BofA) a cortar pela metade a estimativa de preço-alvo para a instituição financeira e a derrubar em 40% a projeção de lucro líquido para 2022.
Até então, o BofA estimativa um preço-alvo de R$ 36 para o Inter, o que representava uma valorização potencial de 177% em relação à cotação atual, de R$ 13. Agora, os analistas acreditam que o papel pode chegar a R$ 17, o que demonstra potencial de alta, mas bem mais tímido, de 30% — o suficiente para justificar que o BofA continue com recomendação de compra para o Inter.
Além disso, com a queda na estimativa para o lucro líquido de 2022, o BofA agora prevê um resultado positivo de R$ 160 milhões neste o ano, ainda assim uma expansão em relação a 2021, de 150%, impulsionada pelo crescimento da base de clientes e pela melhor alavancagem operacional (capacidade de elevar o lucro operacional sem subir despesas variáveis na mesma proporção).
Segundo o BofA, as revisões para baixo, tanto no preço-alvo quanto no lucro, foram motivadas pelos números apresentados pelo Inter no primeiro trimestre, que mostraram um “ambiente operacional mais desafiador”.
Embora os analistas reconheçam que a base de clientes tem crescido a um ritmo sólido, de 82% em relação ao primeiro trimestre do ano passado, a base de clientes ativos avança em ritmo mais lento, de 68%, dada a postura mais conservadora da gestão em cartões de crédito e originação de novos empréstimos, em linha com o cenário de aumento da inadimplência e juros mais altos.
“Esperamos volumes de provisão mais altos e crescimento de empréstimos mais lento do que antes, dada a recente deterioração da qualidade dos ativos e um cenário macroeconômico fraco, parcialmente compensado pela reprecificação do portfólio”, escrevem os analistas Mario Pierry e Flavio Yoshida, em relatório.
O Inter, um dos principais bancos digitais do país, decidiu desacelerar a emissão de cartões de crédito para novos clientes, após ter visto a inadimplência subir nos últimos meses, um fenômeno que tem afetado todo o setor financeiro e que ocorre em meio ao aumento dos juros básicos no Brasil.
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A decisão foi explicada pelo CEO do Inter, João Vitor Menin, durante teleconferência com analistas para comentar os resultados do banco no primeiro trimestre, na semana passada.
Menin lembrou que, no Inter, os cartões de crédito tiveram um crescimento “bem maior” que o de outros produtos no ano passado, mas que, em 2022, com o avanço dos atrasos nos pagamentos, a intenção é ter mais equilíbrio. “Estamos buscando o fortalecimento do nosso portfólio [de crédito], com resiliência e diversificação”, disse.
Ao longo de 2021, a participação dos cartões de crédito na carteira de crédito total saltou de 20,5% para 26%, o maior avanço, em pontos percentuais, entre todos os produtos. Os outros que também cresceram foram o crédito rural, de 2% para 4%, e o consignado, de 17,2% para 18,9%. Já o crédito imobiliário caiu de 38,5% para 29,4%, enquanto o de empresas foi reduzido ligeiramente de 21,8% para 21,6%.
Por volta de 12h, as units do Inter (BIDI11) operavam em queda de 0,68%, a R$ 13,04.
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