Se o investidor ficou interessado em adquirir ações que ficaram “baratas” nos últimos meses, a Nord Research recomenda cautela, mas acredita que é possível fazer uma boa garimpada.
A casa de análise selecionou as 10 empresas que mais caíram nos últimos meses e analisou uma por uma, para identificar quais delas representam oportunidades. Apenas duas se salvaram: Banco Inter (BIDI11) e Oi (OIBR3) — por diferentes motivos.
Banco Inter
No caso do banco mineiro, a Nord acredita que 2022 será um ano de transição para a instituição, que, na visão da casa de análise, irá se apróximar de um “tamanho ideal de sua estrutura” e continuar entregando um forte crescimento de base e de receitas. “Essa combinação de fatores poderá fazer com que, a partir de 2023, os lucros do Inter comecem a crescer de maneira acentuada”, avaliou a Nord, em relatório assinado pela analista Danielle Lopes.
Veja o balanço do Inter
Banco Inter (BIDI11) expande carteira de crédito e lucro líquido sobe 32% no 1º trimestre
Outro fator que faz a Nord recomendar a compra dos papéis do Inter é a discrepância entre o valor de mercado atual da companhia e o potencial de crescimento de lucros da empresa. Atualmente, o banco mineiro tem um valor de mercado (enterprise value ou EV) de cerca de R$ 12 bilhões.
“O valor de mercado atual do Inter está muito longe de fazer jus ao potencial de crescimento dos lucros da empresa, que não depende de soluções criativas para se tornar factível (como no caso do Nubank, que inexplicavelmente tem múltiplos 3 vezes mais altos que os do Inter atualmente”, diz a Nord.
Desde o início do ano, as units do Inter (BIDI11) acumulam queda de 49,13%.
A Nord avalia que, para avançar, o Inter depende apenas de ganho de escala, ou seja, diluir seus gastos e reduzir investimentos em marketing para entregar lucros bilionários nos próximos anos.
“Apesar disso, enquanto o mau humor do mercado com as ações de crescimento prevalecer, é pouco provável que as ações do Inter voltem a subir forte. No preço atual, de R$ 14,30 por ação, o banco é uma excelente oportunidade de investimento para aqueles com foco no longo prazo”, concluiu a Nord.
Oi
Já em relação aos papéis da Oi, que passou recentemente por um processo de venda dos ativos para as três concorrentes brasileiras e segue para encerrar seu processo de recuperação judicial, a Nord espera uma valorização baseada no crescimento da empresa na área de fibra óptica.
“A expansão da fibra no atacado com a V.tal e no varejo com a ClientCo nos últimos anos já dá resultados”, disse a casa de análise. A Oi terminou 2021 com um market share de 30% e 3,4 milhões de conexões, o que, para a Nord, refletiu em uma receita de R$ 2,9 bilhões desde 2018.
“A V.tal é o grande supertrunfo da nova Oi por conta da expectativa de crescimento da estrutura de fibra no Brasil e pelo mercado que ela vai proporcionar para a empresa no varejo”, finalizou a Nord. Desde o início do ano, a ação da Oi (OIBR3) acumula retração de 12%.
Veja a lista da Nord e a recomendação para cada papel:
Via (VIIA3) – Ficar de fora
Inter (BIDI11) – Comprar
Méliuz (CASH3) – Ficar de fora
Oi (OIBR3) – Comprar
Natura (NTCO3) – Ficar de fora
Magazine Luiza (MGLU3) – Ficar de fora
BRF (BRFS3) – Ficar de fora
Cogna (COGN3) – Ficar de fora
IRB Brasil (IRBR3) – Ficar de fora
Nubank (NUBR33) – Ficar de fora
Por que ficar de fora?
As motivações para ficar de fora desses papéis variam. No caso da Via, a Nord crê num cenário macroeconômico desafiador e ainda distante da estabilização, o que prejudica a empresa, além de não estar apresentando “resultados satisfatórios” em seus balanços recentes.
Já em relação à Méliuz, a justificativa para ficar de fora é a mesma para o Nubank: ambas sofrem com juros subindo, o que desestimula consumo e crédito, deixando o mercado descrente com as promessas feitas nos IPOs e tentativas audaciosas para crescer.
Sobre a Natura, os analistas da casa citam desafios no cenário interno e externo prejudicando a companhia. No Brasil, uma simplificação de portfólio e uma mudança de modelo comercial podem atrapalhar os negócios, enquanto que, fora do Brasil, a inflação e a guerra na Ucrânia, que acabam afetando a cadeia de suprimentos, farão com que a empresa continue a adotar medidas de contenção de gastos e disciplina financeira.
O Magazine Luiza fica de fora das recomendações de compra da Nord por “enfrentar uma competição elevada no varejo generalista brasileiro, principalmente no online, com a entrada das companhias asiáticas no mercado”.
Além disso, a companhia também sofre com os males do cenário externo, como inflação e juros. Esses fatores também prejudicam a BRF, que já apresentou essas dificuldades no balanço financeiro do primeiro trimestre. “Com uma inflação persistente em 2022 e preços de commodities mais elevados, temos pouca visibilidade quanto à melhora efetiva do cenário macro em que a companhia está inserida”, avaliou a Nord.
A Cogna, que sofreu com a pandemia de Covid-19 nos últimos anos, não é uma boa opção segundo a casa de análise por ser dependente da economia interna, e a perspectiva ruim para os próximos trimestres deve impactar os resultados futuros da empresa.
Por fim, a IRB Brasil é excluída das recomendações da Nord por apresentar prejuízos acumulados dos últimos trimestres, o que mostra uma dificuldade em trazer lucratividade e rentabilidade para a companhia.