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Ibovespa volta ao campo negativo, com baixa de 0,39%; Banco Inter (BIDI11) despenca

Ibovespa volta ao campo negativo, com baixa de 0,39%; Banco Inter (BIDI11) despenca

Incertezas fiscais e temores com Ômicron pesam sobre a bolsa brasileira

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Foto: Unsplash

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Depois de alguns momentos de alta pela manhã, quando chegou a subir 0,34% na máxima do dia, o Ibovespa firmou movimento de queda e fechou o pregão desta terça-feira, 4, com recuo de 0,39%, aos 103.514 pontos.

No exterior, o desempenho foi misto. O S&P 500 teve baixa de 0,06%, o Dow Jones subiu 0,59% e o Nasdaq registrou recuo de 1,33%. Na Europa, por sua vez, as bolsas fecharam no azul. O índice Euro Stoxx 50 subiu 0,83%, o FTSE 100, de Londres, ganhou 1,63%, e o DAX, da Alemanha, teve alta de 0,82%.

Além das preocupações em torno do aumento de casos de Covid-19 por conta da variante Ômicron, o mercado monitora notícias do lado fiscal no Brasil.

Crescem os temores de novas despesas, com diversas categorias do funcionalismo público, como de auditores fiscais, reagindo ao reajuste de R$ 1,7 bilhão aos policiais federais.

O receio é que, se o governo abrir exceções aqui e ali, acabe tendo que conceder reajustes a todo o funcionalismo, comprometendo ainda mais as contas públicas. Assim, crescem os temores de que o descontrole fiscal se intensifique em 2022, após o governo Bolsonaro alterar, no final do ano passado, a regra do teto de gastos para acomodar mais despesas em ano eleitoral.

De acordo com um cálculo do diretor-executivo da IFI (Instituição Fiscal Independente do Senado), Felipe Salto, se o governo ceder às pressões dos servidores públicos e conceder um reajuste de 5% nos salários, serão criados até R$ 20 bilhões a mais em gastos permanentes por ano.

Declarações feitas pelo líder do governo na Câmara, Ricardo Barros, de que o governo deveria rever o teto de gastos, também vêm repercutindo no mercado. “Teremos que rediscutir esse assunto porque o excesso de arrecadação é muito grande e a necessidade do governo é muito grande também”, disse Barros, ao Valor Econômico.

“Isso pressionaria ainda mais o cenário fiscal já bastante fragilizado, e não à toa vemos os principais papéis voltados para a economia doméstica bastante pressionados”, apontou Rodrigo Crespi, analista da Guide Investimentos.

Destaques do pregão

As principais baixas do Ibovespa partiram de Banco Inter (BIDI11), Petz (PETZ3) e Banco Pan (BPAN4), com recuos de 13,68%, 8,91% e 7,82%, respectivamente. Na ponta positiva, CSN Mineração (CMIN3), Itaú (ITUB4) e Klabin (KLBN11) tiveram as maiores altas, de 7,09%, 2,84% e 2,55%.

As ações de varejistas, construtoras e techs continuam sua jornada negativa, refletindo o cenário de contração econômica e a alta nos juros.

Além dos papéis mencionados, destaque para Via (VIIA3), com queda de 5,02%, a R$ 4,73, Trisul (TRIS3), com recuo de 4,76%, a R$ 5,40, e Locaweb (LWSA3), que perdeu 6,75%, a R$ 11,89.

Outro setor pressionado no pregão de hoje foi o de turismo, em meio à disparada de casos em função da nova variante Ômicron. De acordo com a Anvisa, cinco navios de cruzeiro que operam no Brasil registraram 798 casos de Covid-19 em apenas nove dias, o que fez com que a agência ressaltasse a importância da suspensão provisória da operação destas embarcações, recomendada na semana passada.

Nesse contexto, a açãoi que mais sofreu foi a da CVC (CVCB3), que caiu 6,53%, a R$ 12,03. “Isso sem dúvida acaba afetando muito a CVC, pois põe um belo ponto de interrogação sobre como será a disseminação da Ômicron por aqui”, ressalta Enrico Cozzolino, analista da Levante Investimentos.

As aéreas locais também tiveram dia de baixa, diante da sequência de alta nos preços do petróleo. As ações da Azul (AZUL4) caíram 0,08%, a R$ 24,40, enquanto as da Gol (GOLL4) recuaram 2,39%, a R$ 16,34.

A Eneva (ENEV3), por sua vez, despencou 3,94%, terminando o pregão a R$ 12,91, depois da notícia de avanço na aprovação de alguns elementos da incorporação da Focus Energia, que havia sido anunciada no fim de 2021. A operação é considerada positiva para a Eneva, pois ajuda a companhia a expandir suas operações de venda de energia.

Para Felipe Vella, analista técnico da Ativa Investimentos, não se trata de uma rejeição do mercado à transação, mas, sim, uma consolidação de uma trajetória de queda das ações que teve início em junho do ano passado, quando começou o ciclo de alta na taxa básica de juros.

Frigoríficos no vermelho

As ações da BRF (BRFS3) também tiveram queda significativa, de 3,45%, fechando a R$ 22,42, devido a rumores de que o aumento de capital de R$ 6,6 bilhões pode ser questionado pela Comissão de Valores Mobiliários (CMV), segundo Alexsandro Nishimura, sócio da BRA. “Um dos receios é que o follow-on seja uma forma de Marcos Molina [presidente do conselho da Marfrig] assumir o controle da BRF sem pagar o prêmio de controle”, explica.

O setor de frigoríficos como um todo deu continuidade às quedas de ontem, reagindo a medidas anunciadas pelo governo dos Estados Unidos que podem impactar diretamente JBS (JBSS3) e Marfrig (MRFG3). O governo americano quer criar mecanismos para aumentar a competitividade do setor, que considera concentrado demais.

JBS fechou em baixa de 0,3%, a R$ 36,24, e Minerva (BEEF3) caiu 2,4%, a R$ 10,19. Única no positivo, Marfrig teve alta de 1,13%, cotada a R$ 21,51.

Ignorando os riscos das novas medidas do governo americano, o Bank of America (BofA) reiterou a recomendação de compra para ambas as empresas. “Esperamos que as exportações de proteína continuem crescendo em 2022 e a demanda continue forte devido à reabertura e às mudanças nos hábitos de consumo na China”, disse o banco, em relatório.

Exportadoras, Petrobras e Itaú no azul

A Petrobras (PETR4), por sua vez, foi responsável por limitar a queda do índice, fechando em alta de 0,38%, a R$ 29,20. Nesta tarde, a estatal afirmou que pretende produzir até 20 bilhões de barris de óleo equivalente até 2030, segundo reportagem do Valor. Até hoje, em quase 70 anos de operação, a petroleira produziu 23 bilhões de barris.

No mesmo setor, a 3R Petroleum (RRRP3) fechou em alta de 0,97%, a R$ 34,48, um dia depois de entrar oficialmente no Ibovespa.

Para o gestor da Infinity Asset, Fernando Siqueira, a alta do papel se deve ao avanço do preço do petróleo tipo Brent. A commodity sobe após países exportadores indicarem que irão aumentar a produção em fevereiro, mas num ritmo que os investidores consideram baixo diante da retomada no crescimento da economia mundial.

Mais cedo, a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) informou que a produção brasileira de petróleo e gás natural cresceu 2,8% de outubro para novembro, puxada pela Petrobras, responsável por 73% da produção total do país.

O setor de papel e celulose também figurou entre as maiores altas do índice, acompanhando a alta do dólar. Suzano (SUZB3) teve avanço de 2,18%, a R$ 60,89.

A CSN Mineração deu continuidade ao rali do pregão anterior, depois de a equipe de analistas da Genial Investimentos afirmar que enxerga um potencial de valorização de 28% nos papéis da companhia até o fim de 2022, apostando na expansão da capacidade produtiva da empresa e no aumento da qualidade do seu minério por meio de processos de beneficiamento.

Outro destaque positivo foi o Itaú (ITUB4), cuja ação subiu 2,84% um dia depois de anunciar um novo investimento na Guaimbê Holding, subsidiária da AES Brasil que atua em energias eólica e solar. Com novo aporte de R$ 360 milhões, o banco passou a ter uma participação de 23,72% na empresa.

Na visão de Rodrigo Crespi, a operação transmite uma mensagem de preocupação com medidas ESG por parte do Itaú, o que é visto com bons olhos pelo mercado.

A ação da AES (AESB3), por sua vez, teve queda de 1,01%, a R$ 10,79.

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