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Ibovespa segue exterior e fecha em queda, com novas sanções à Rússia no radar

Ibovespa segue exterior e fecha em queda, com novas sanções à Rússia no radar

Índice teve recuo de 1,97%, aos 118.885 pontos

Ilustração de gráfico de ações com bandeiras da Rússia e da Ucrânia

Foto: Shutterstock

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O Ibovespa seguiu os mercados externos e fechou o pregão desta terça-feira (5) em baixa, em um cenário de novas sanções à Rússia e expectativa por decisões de política monetária ao redor do mundo.

Com isso, o principal índice da Bolsa de valores brasileira terminou o dia em queda de 1,97%, aos 118.885 pontos. No ano até aqui, o saldo segue de alta de 13,42%, enquanto o balanço de abril é de recuo de 0,93%.

O movimento do Ibovespa foi na mesma direção de seus pares internacionais. Em Nova York, o Nasdaq teve baixa de 1,82%, o S&P 500 caiu 0.87% e o Dow Jones recuou 0,47%. Na Europa, o índice Euro Stoxx 50 teve perdas de 0,84%.

Novas sanções à Rússia balançam mercados

Depois das notícias de que as forças russas teriam assassinado civis na Ucrânia de forma indiscriminada, diversos países do Ocidente começaram a considerar novas sanções contra a Rússia.

Na noite de ontem, o conselheiro de Segurança Nacional dos Estados Unidos, Jake Sullivan, afirmou que os Estados Unidos irão anunciar novas sanções à Rússia ainda nesta semana. Já hoje, uma fonte familiarizada com o assunto afirmou à agência de notícias Reuters que o país e seus aliados irão impor uma nova rodada de sanções na quarta-feira.

A União Europeia, por sua vez, propôs banir a importação de carvão russo.

Diferentemente do que se previa, porém, as medidas tiveram pouco efeito sobre os preços do petróleo, com o Brent fechando em baixa de 0,83%, a US$ 106,64. O motivo para a relativa tranquilidade do mercado é que, a cada rodada de sanções à Rússia, fica mais claro o quanto a União Europeia hesita em deixar de comprar petróleo e gás natural do país.

Apesar da reação morna do mercado às medidas anunciadas pelos europeus, especialistas apontam que as restrições aplicadas ao país ainda têm potencial para impulsionar os preços do petróleo e do gás natural.

“Estas ações têm viés positivo porque preocupam o mercado sobre a possibilidade de retaliação no setor de energia num mercado bem equilibrado”, disse a MFA Oil, cooperativa dos EUA que fornece de combustíveis a produtores agrícolas, em comentário de mercado.

BCs no radar

Outro fator que pressionou os mercados ao redor do mundo foi a expectativa em torno das decisões de política monetária de Bancos Centrais ao redor do mundo. Na quarta-feira (6), será divulgada a ata da última reunião do Fed (Federal Reserve, o banco central dos EUA), que deve dar mais sinais sobre os rumos da política monetária americana.

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Enquanto o mercado aposta em elevações de juros mais fortes por lá, membros do Fed afirmaram que o órgão estaria considerando um aumento de 50 pontos base, além de mais rapidez na acomodação monetária e na redução de balanço.

Destaques do pregão

Com a piora de humor nos mercados, os juros futuros tiveram um dia de alta, pressionando as ações ligadas a consumo e tecnologia. No fechamento do Ibovespa, as maiores quedas eram de Banco Inter (BIDI11), Qualicorp (QUAL3) e Locaweb (LWSA3), com perdas de 8,89%, 7,34% e 6,73%, respectivamente.

Os bancos também caíram em bloco: Bradesco (BBDC4) teve baixa de 2,79%; Banco do Brasil (BBAS3), de 2,65%; Itaú (ITUB4), de 2,02%; e Santander (SANB11), de 2,27%. Para Viviane Vieira, operadora de renda variável da B.Side Investimentos, o setor apresenta uma correção nesta terça, a chamada “realização de lucros”, ou seja, quando investidores entram no mercado para vender papéis que se valorizaram nos pregões anteriores.

Na ponta positiva, as maiores altas do índice eram de Multiplan (MULT3), 3R Petroleum (RRRP3) e CVC (CVCB3), com ganhos de 2,1%, 1,45% e 1,35%, nesta ordem.

A Multiplan divulgou sua prévia operacional para o primeiro trimestre, batendo recorde no volume de vendas para o mês de março, em R$ 1,4 bilhão, e também nos números trimestrais, em R$ 4 bilhões. Ambos os resultados superaram os dos mesmos intervalos de 2019, período pré-pandêmico.

A 3R Petroleum, por sua vez, passou o dia entre as maiores altas do Ibovespa depois de afirmar que o Polo Potiguar, comprado em janeiro pela empresa, obteve uma certificação de 229,3 milhões de barris de óleo equivalente (boe) em reservas provadas e prováveis. Assim, essa área pode render até US$ 2,8 bilhões para a companhia, segundo o comunicado.

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A CVC (CVCB3), segundo Viviane Vieira, se beneficia do momento de retomada econômica e arrefecimento das medidas de combate à pandemia.

O Pão de Açúcar (PCAR3) também ficou entre as maiores altas, com ganhos de 1,1%, um dia depois de o grupo concluir a cessão de direitos de exploração de mais 60 lojas ao Assaí (ASAI3), e afirmar que a cessão das 10 lojas restantes deve acontecer até maio. Porém, de acordo com analistas da Ativa Research, a alta das ações segue a expectativa de que os supermercados consigam repassar mais a inflação agora do que no último trimestre.

Movimentação em Brasília

Por aqui, o comando da Petrobras (PETR4) segue sem definição. Na noite de ontem, o governo confirmou o recebimento da carta de desistência de Adriano Pires, que havia sido indicado para o cargo de presidente da estatal, alegando conflitos de interesse. A desistência de Pires vem apenas um dia depois da de Rodolfo Landim, que negou a posição de presidente do conselho pelo mesmo motivo.

Segundo uma matéria do jornal O Estado de S. Paulo, o governo estaria cogitando indicar o secretário especial de Desburocratização, Gestão e Governo Digital, Caio Mario Paes de Andrade, para o cargo.

“Diante da indefinição, acreditamos que, a despeito do movimento internacional de preço de petróleo, as ações devem se mostrar responsivas às mudanças em sua governança e, assim, mais voláteis durante os próximos dias”, disseram os analistas da Ativa Research, em comentários ao mercado. O papel da estatal fechou o pregão em baixa de 0,95%.

Em Brasília, chama atenção também a greve dos funcionários do Banco Central. Segundo o Sinal (Sindicato Nacional dos Funcionários do Banco Central), a reunião da entidade com a Secretaria de Gestão de Pessoas do Ministério da Economia terminou sem acordo e a greve foi mantida por tempo indeterminado.

Os funcionários do BC se juntam a outras categorias de servidores públicos, como do INSS e da Receita Federal, que decidiram paralisar as atividades. A reivindicação é por reajuste salarial após o governo conceder um aumento de R$ 1,7 bilhão somente aos policiais federais.

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