Ibovespa recua, mas fecha a semana em alta de 1,01%; Americanas (AMER3) se despede da Bolsa

Investidores seguem analisando falas de Lula sobre BC e mensuram o risco de intervenção do governo na política monetária

Foto: Shutterstock/Bigc Studio

(Esta nota teve correções no título e no texto às 19h20 para sinalizar o percentual correto do Ibovespa na semana)

O Ibovespa deu uma pausa na sequência de altas e fechou no terreno negativo nesta sexta-feira (20), dia que marca a despedida da Americanas (AMER3) da Bolsa brasileira.

Com a agenda esvaziada, o mercado focou nas críticas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre o BC (Banco Central), o que eleva o temor de tentativas de intervenção do governo federal na autoridade monetária.

A depreciação dos ativos locais destoa das altas observadas nas principais Bolsas ao redor do globo, que devolveram parte das perdas dos últimos dias, com o foco voltado no risco de recessão global e nos resultados das empresas americanas no quarto trimestre de 2022.

O Ibovespa encerrou o dia em queda de 0,78%, aos 112.041 pontos e R$ 21,58 bilhões em volume negociado, segundo dados disponíveis na plataforma TradeMap.

Apesar da queda, o principal índice da Bolsa brasileira fechou a semana em alta de 1,01%, enquanto a valorização desde o início do ano soma 2,10%.

Americanas se despede da Bolsa

Em seu último dia no Ibovespa, a Americanas (AMER3) voltou a liderar as perdas, fechando em queda de 29%, a R$ 0,71. Até a semana passada, os papéis da varejista lideravam a alta acumulada no ano.

A negociação dos ativos inclusive teve seu horário de fechamento antecipado para 17h30. Ao longo do dia, a ação da empresa chegou a subir 14% (por volta das 11h), quando liderou os ganhos do Ibovespa, mas na sequência passou a recuar, com uma queda acentuada à tarde.

A B3 (B3SA3), dona da Bolsa brasileira, informou o mercado ontem que o papel da varejista será excluído de todos os índices. A medida entrará em vigor após o fechamento do pregão de hoje.

A medida foi tomada após a Americanas entrar com seu pedido de recuperação judicial com uma dívida de R$ 43 bilhões na 4ª Vara Empresarial da Comarca da Capital do Estado do Rio de Janeiro. Pedido este que foi aceito pela justiça também na quinta.

Para Rodrigo Cohen, analista e co-fundador da Escola de Investimentos, o que mais impacta e preocupa os investidores nesse imbróglio é que “ninguém sabe o que vai acontecer por conta da recuperação judicial”.

Ainda no grupo de perdas, a Alpargatas (ALPA4) caiu 5,90%, enquanto Cosan (CSAN3) perdeu 4,47%.

Destaque também para o setor bancário, que caiu em bloco nesta sexta. O BTG Pactual (BPAC11) caiu 3,31%, enquanto Itaú (ITUB4) e Bradesco (BBDC4) perderam 1,77% e 1,41%, respectivamente.

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Falas de Lula no radar

Na seara política, investidores voltaram a digerir a volta do risco fiscal e a imprevisibilidade das ações do governo, principalmente nas relações entre o Executivo e o BC.

O estresse fez os contratos de juros futuros com vencimento em janeiro de 2026 aumentarem 13 p.p (pontos percentuais), a 12,70%, enquanto os contratos para janeiro de 2029 subiam 19 p.p., para 12,86%.

Segundo Jefferson Laatus, estrategista-chefe do Grupo Laatus, o gatilho foi disparado pelos sinais de que o governo quer indicar um novo nome para o Copom (Comitê de Política Monetária) do BC após a saída do atual diretor de política monetária, Bruno Serra, confirmada para o fim de fevereiro.

O interesse do governo sobre o BC ganhou ares mais pesados nessa semana, depois que Lula fez críticas à condução da política monetária. Ontem, o ministro das Relações Institucionais, Alexandre Padilha, buscou minimizar o fato ao ressaltar que o Executivo não tem planos para intervir no órgão.

A ação do governo também pressiona o dólar, que subiu (quanto?) X%, negociado a R$ 5,22. Cristiane Quartaroli, economista do Banco Ourinvest, destaca que o cenário destoa de outras moedas emergentes, confirmando que o investidor está enxergando mais risco nos ativos brasileiros.

“Essa falta de previsibilidade com relação aos pontos que podem afetar o quadro fiscal, isso continua incomodando os investidores”, destaca.

Altas do dia

O grupo de alta do dia foi sustentado por ações expostas a commodities, com nova alta do minério de ferro e do petróleo no mercado internacional.

O minério negociado na bolsa de Dalian, na China, teve alta de 1,76%, a US$ 127,61 por tonelada, enquanto o barril do petróleo tipo Brent, usado como referência global, subiu 1,79%, a US$ 87,71. 

Entre as petrolíferas, destaque para as altas da 3R Petroleum (RRRP3), com avanço de 3,48%, e PRIO (PRIO3), que subiu 1,43%. Os papéis preferenciais da Petrobras (PETR4) subiram 2,09%, enquanto os ordinários (PETR3) fecharam em alta de 1,12%.

Já os papéis com exposição ao minério de ferro, como CSN (CSNA3) e Usiminas (USIM5) ganharam 2,41% e 2,73%, nesta ordem.

O papel do Banco do Brasil (BBAS3) se descolou do movimento negativo dos pares setoriais e subiu 2,46%. A instituição divulgou na noite desta quinta que seu conselho de administração aprovou o payout, ou seja, a porcentagem do lucro que será distribuído aos acionistas via juros sobre o capital próprio (JCP) ou dividendos. O banco pagará 40% do que lucrar em 2023 para seus investidores.

Bolsas globais e criptos

Após uma série de pregões em queda, as Bolsas internacionais voltaram ao campo positivo, com investidores ainda analisando o risco de recessão com o aumento dos juros americanos, além dos dados corporativos do último trimestre do ano passado.

Em Wall Street, o Dow Jones subiu 1%, S&P 500 ganhou 1,89% e Nasdaq ganhou 2,66%. No outro lado do Atlântico, o Euro Stoxx 50 fechou em alta de 0,63%.

O cenário deu novo gás para as criptos, com sustentação dos valores recuperados nos últimos dias, apesar do pedido de proteção contra falência da Genesis, uma das gigantes do mercado digital.

Por volta das 17h05, o Bitcoin (BTC) ganhava 3% em comparação as últimas 24 horas, a US$ 21.650, de acordo com dados do TradeMap. Na mesma hora, o Ethereum (ETH) subia 4,61%, negociado a US$ 1.625.

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