Os contratos de juros futuros e o dólar sobem nesta sexta-feira (20), com a volta do risco fiscal e imprevisibilidade das ações do governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de volta ao radar dos mercados.
Em um dia de agenda esvaziada, o mercado reforça as atenções às recentes críticas do presidente ao Banco Central (BC), o que eleva o temor de tentativas de intervenção do governo federal na autoridade monetária.
O estresse é ainda maior nos papéis de longa duração. Por volta das 13h10, as opções com vencimento em janeiro de 2026 aumentavam 13 pontos percentuais (p.p.), a 12,70%, enquanto os contratos para janeiro de 2029 subiam de 19 p.p., para 12,86%.
Segundo Jefferson Laatus, estrategista-chefe do Grupo Laatus, o gatilho foi disparado pelos sinais de que o governo quer indicar um novo nome para o Copom (Comitê de Política Monetária) do BC após a saída do atual diretor de política monetária, Bruno Serra, confirmada para o fim de fevereiro.
Após a aprovação da independência do BC, os nomes do colegiado eram indicados pelo próprio órgão, mas o governo também pode apresentar sugestões, que posteriormente precisam ser aprovadas pelo Senado.
“O mercado está sentindo que o governo está correndo para fazer essa indicação como uma forma de intervir diretamente no Banco Central”, afirmou.
O interesse do governo sobre o BC ganhou ares mais pesados nessa semana, depois que Lula fez críticas à condução da política monetária. Ontem, o ministro das Relações Institucionais, Alexandre Padilha, buscou minimizar o fato ao ressaltar que o Executivo não tem planos para intervir no órgão.
A ação do governo também pressiona o dólar, que subia 0,60%, negociado a R$ 5,22. Cristiane Quartaroli, economista do Banco Ourinvest, destaca que o cenário destoa de outras moedas emergentes, confirmando que o investidor está enxergando mais risco nos ativos brasileiros.
Veja mais:
Além da situação do Banco Central, ela também cita as recentes tensões envolvendo um possível aumento do salário mínimo e mudanças na tabela do IR (Imposto de Renda), que geram mais incertezas com a sustentabilidade das contas públicas.
“Essa falta de previsibilidade com relação aos pontos que podem afetar o quadro fiscal, isso continua incomodando os investidores”, destaca.