Um dia depois de anotar alta de 5,54%, na maior valorização desde abril de 2020, o Ibovespa entrou em modo de correção nesta terça-feira (4) e, após tocar o território negativo ao longo da tarde, fechou o pregão em leve alta de 0,08%, aos 116.230 pontos. Foram R$ 28,1 bilhões em volume negociado.
Com mais esta alta, o saldo do Ibovespa para o mês de outubro passou para valorização de 5,63%. A alta acumulada desde o início do ano, por sua vez, agora é de 10,88%.
As Bolsas estrangeiras, por sua vez, estenderam as fortes altas de segunda-feira por mais um dia. Em Nova York, o S&P 500 teve alta de 3,06%, o Dow Jones subiu 2,8% e o Nasdaq avançou 3,34%. Na Europa, o índice Euro Stoxx 50 somou ganhos de 4,26%.
Rali no exterior
As fortes altas do mercado americano começaram ontem, após dados fracos de indústria e emprego nos Estados Unidos, que acendeu esperanças de que o Fed (Federal Reserve, o banco central americano) poderia moderar seu ritmo de aumento de juros.
Mais cedo, o relatório JOLTs de agosto apontou a criação de 10,1 milhões de empregos, desaceleração em comparação a julho. O levantamento serve como um indicador da falta ou excedente da força de trabalho americano, e pode sinalizar menos ou mais pressão inflacionária sobre a economia dos EUA.
“O mercado vê tudo isso como positivo, o que seria uma lógica inversa. Se a economia estivesse bem, esses números viram positivo. Mas como há um aperto monetário, esses números precisam cair para bater na [queda da] inflação. Eles estão caminhando em linha com o esperado pelo mercado”, diz Charo Alves, especialista da Valor Investimentos.
Eleição no radar
O resultado mais apertado do que o esperado na corrida presidencial animou os mercados, com a Bolsa saltando 5,5% nesta segunda-feira (3). O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva obteve 48,41% dos votos válidos, contra 43,2% do presidente Jair Bolsonaro, cenário que aponta uma polarização maior que a indicada pelas pesquisas de intenção de votos.
Agora, o mercado continua de olho nas movimentações por alianças dos candidatos à presidência. Notadamente, ao longo da tarde, Ciro Gomes, que concorreu à presidência pelo PDT, anunciou, em vídeo nas redes sociais, apoio a Lula.
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No Congresso, o aumento de parlamentares de centro e de direita chamou a atenção, o que pode facilitar a aprovação de reformas em caso de vitória de Bolsonaro, ao mesmo tempo em que pode barrar gastos maiores propostos pelo governo em caso de vitória de Lula.
Petróleo e juros na liderança
No pregão, as maiores altas do Ibovespa foram de empresas sensíveis aos juros e petrolíferas. O impulso do primeiro grupo é justificado pela queda de juros futuros, enquanto os papéis de commodities refletem a alta do petróleo no mercado global.
Internamente, a maior elevação foi da 3R Petroleum (RRRP3), que subiu 9,33%. Prio (PRIO3), por sua vez, avançou 4,8%. O petróleo deu continuidade a sua trajetória de alta, ainda em meio a notícias de que a Opep+ (Organização de Países Exportadores de Petróleo e Aliados) estaria considerando cortar sua produção. O Brent fechou em alta de 3,31%, a US$ 91,80 por barril.
O Bank of America deu início à cobertura das ações da 3R com recomendação de compra, afirmando que o preço atual da ação não leva em conta o potencial de a companhia aumentar sua produção de petróleo e gás natural em ativos maduros. Já a Prio anunciou um programa de recompra de até 46.009.700 ações, ou até 5,4% do total.
Empresas expostas aos juros também foram os destaques do dia. O otimismo com essas empresas de serviços e varejo é efeito da expectativa de juros mais baixos nos Estados Unidos, o que acaba impactando na estratégia da política monetária brasileira, além do processo de inflação negativa da economia observado nos últimos meses.
“O Brasil saiu à frente na subida dos juros, e passamos dois meses de deflação. Isso faz o mercado começar a precificar cortes na Selic a partir de 2023”, pontua Alves.
Outra alta importante foi da B3 (B3SA3), de 4,32%. A operadora da Bolsa brasileira subiu após o Itaú BBA elevar a recomendação de marketperform (equivalente a neutro) para outperform (equivalente a compra).
Na avaliação dos analistas Pedro Leduc, William Barranjard e Mateus Raffaelli, há espaço para ganhos mais altos e múltiplos de valorização da B3, uma vez que o mercado reagiu positivamente ao primeiro turno das eleições no Brasil, provocando um declínio nas taxas de juros e risco-país.
Na outra ponta, o IRB (IRBR3) teve a maior baixa do índice, de 6,25%, após a B3 diminuir o limite de ações da companhia que podem ser alugadas por investidores, travando um pouco o espaço para apostas na queda do preço dos papéis.
Criptoativos
O Bitcoin (BTC) voltou a operar acima de US$ 20 mil neste início de outubro, corroborando com o histórico positivo do mês. O movimento, porém, tem muito mais relação com o alívio do mercado global do que com fatores baseados na história.
O mercado de ativos de risco voltou a ficar atrativo aos investidores após dados da economia americana indicarem que o aperto monetário já está surtindo efeito, o que poderia levar à diminuição da agressividade na escalada dos juros.
Este fator fez com que as criptos ficassem no campo positivo durante todo o dia, seguindo o sentimento de recuperação nas principais Bolsas internacionais, após um terceiro trimestre de fortes perdas.
Por volta das 17h, o Bitcoin (BTC) registrava alta de 4,8%, negociado a US$ 20.447, segundo dados do Mercado Bitcoin disponíveis na plataforma TradeMap.
O clima positivo também devolve parte das perdas do Ethereum (ETH) registradas nas últimas semanas. Na mesma hora, a segunda maior cripto do mercado registrava avanço de 3,8%, a US$ 1.370, conforme informações da Binance.