Ibovespa oscila enquanto Alpargatas (ALPA4) e Bradesco (BBDC4) derretem

Lá fora, os mercados operam sem uma direção única, digerindo os próximos passos da política monetária nos Estados Unidos

Foto: Shutterstock/Alf Ribeiro

O Ibovespa opera entre o positivo e o negativo nesta sexta-feira (10), com o mercado digerindo a divulgação de balanços corporativos. Lá fora, os mercados operam sem uma direção única.

A ação da Alpargatas (ALPA4), dona da Havaianas, liderava as quedas do principal índice da B3, recuando 19,10%. A ação, vale ressaltar, já entrou e saiu de leilão mais de uma vez.

O índice, por sua vez, recuava 0,13% e operava aos 107.874 pontos.

Ontem, a Alpargatas divulgou seu balanço do quarto trimestre de 2022, reportando prejuízo líquido de R$ 21 milhões no período, revertendo o lucro líquido de R$ 303,1 milhões anotado em igual período de 2021.

O resultado surpreendeu casas do mercado, que projetavam um resultado menor que o visto no ano anterior, mas ainda positivo. A XP, por exemplo, esperava um lucro líquido de R$ 134 milhões no trimestre.

Em relatório divulgado nesta sexta-feira (10), os analistas da corretora ressaltaram que os resultados vieram fracos diante de uma “dinâmica de receita pressionada pelo cenário macroeconômico mais desafiador no Brasil, além de ajustes operacionais nas operações internacionais”.

Ainda na ponta negativa, os papéis do Bradesco (BBDC4; BBDC3) recuavam, respectivamente, 7,17% e 5,51%, também repercutindo o balanço do 4º trimestre.

O banco decidiu provisionar 100% de sua exposição à Americanas (AMER3). O Bradesco possuía uma exposição de R$ 4,8 bilhões junto à varejista, o que fez com que o lucro tombasse na comparação com igual período de 2022.

Diante disso, o resultado líquido contábil somou R$ 1,43 bilhão, queda de 72,4% em três meses e 54,7% em um ano, ficando abaixo de toda e qualquer expectativa do mercado, que esperavam um lucro de pouco mais de R$ 4 bilhões.

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Em análise, Jader Lazarini, o analista CNPI da Agência TradeMap considerou o resultado ruim, porque além da exposição ao risco Americanas ter sido elevado, o índice de inadimplência acima de 90 dias subiu 1,5 ponto percentual em um ano, atingindo 4,3%.

Ao mesmo tempo, em relação ao mesmo trimestre de 2021, o índice de cobertura caiu 56,7 pontos percentuais. “Além disso, o guidance de 2022 não foi atingido para a carteira de crédito e PDD expandida, que inclui baixas contábeis em aplicações financeiras”, destacou Lazarini.

Na sequência de baixas, a ação da BRF (BRFS3) caía 4,51%, a Azul (AZUL4) perdia 4,41% e a Gol (GOLL4) apontava em 4,21% para baixo.

Altas do pregão

Na ponta positiva, a ação do Banco Pan (BPAN4) recuperava parte das perdas vistas desde o início do mês e avançava 6,16%. Desde o segundo dia de fevereiro até a ontem, o papel acumulava baixa de 14,4%.

Ademais, TIM Brasil (TIMS3) subia 3,89%, CPFL (CPFE3) ganhava 3,75% e Hapvida (HAPV3) apontava em 3,34% para cima.

A companhia de telefonia divulgou seu balanço do quarto trimestre na noite de quinta. A TIM reportou lucro líquido de R$ 538 milhões no quarto trimestre de 2022, baixa de 47% em relação ao mesmo período de 2021. A receita líquida, contudo, avançou 21,4% no período, para R$ 5,8 bilhões.

Papéis de petrolíferas avançavam em bloco neste último pregão da semana. Petrobras (PETR4), Prio (PRIO3) e 3R Petroleum (RRRP3) se valorizavam, nesta ordem, 2,01%, 2,46% e 2%.

Na ICE, os contratos futuros do Brent avançavam 1,8%, cotados a US$ 86 por barril.

De acordo com a mídia russa, o país irá cortar sua produção de petróleo em 500 mil barris por dia (bpd) em março, em resposta à iniciativa do Ocidente de limitar os preços do petróleo russo em função da guerra na Ucrânia. A informação veio do vice-primeiro-ministro russo, Alexander Novak.

“A partir de hoje, vendemos totalmente nossa produção de petróleo, mas, como declaramos antes, não venderemos petróleo a aqueles que direta ou indiretamente aderirem ao ‘teto de preço’”, disse Novak, segundo a agência de notícias russa Tass.

Cenário internacional

No exterior, os principais índices acionários operam em direções distintas, digerindo os próximos passos da política monetária nos Estados Unidos.

“Durante a semana, Powell e outros membros do banco central americano enfatizaram a necessidade de novos aumentos na taxa de juros, o que resultou em um salto nos rendimentos dos títulos de 2 anos para 4,51% e pressionou o mercado acionário”, destacou a XP, em relatório.

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