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Fundos de ações small caps lideram ganhos em março com alta de 7,70%, diz Anbima

Fundos de ações small caps lideram ganhos em março com alta de 7,70%, diz Anbima

No trimestre, fundos de ações FMP-FGTS, que não estão mais abertos para investimento, lideraram os retornos, com alta de 21,92%

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Os fundos de ações small caps, de empresas com menor capitalização de mercado, lideraram os ganhos em março, registrando valorização de 7,70% contra 6,06% do Ibovespa, segundo a Associação Brasileira de Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima).

No trimestre, os fundos de ações FMP-FGTS, que não estão mais abertos para investimento, lideraram os retornos, com alta de 21,92%.

Durante o processo de privatização da Petrobras e da Vale do Rio Doce, trabalhadores vinculados ao Fundo de Garantia de Tempo de Serviço (FGTS) tiveram a oportunidade de garantir ações dessas empresas. Os Fundos Mútuos de Privatização (FMP) são justamente os veículos desses investimentos.

No primeiro trimestre, os papéis da Vale (VALE3) tiveram alta de 22,63% enquanto as ações da Petrobras (PETR3) subiram 14,79%.

Na categoria multimercados, os fundos que seguem a estratégia macro tiveram o melhor desempenho com alta de 3,96% mês passado, contra 0,96% do CDI. Com isso, a categoria acumulou valorização de 7,3% no primeiro trimestre, contra alta de 2,4% do CDI.

Essas carteiras podem aplicar em diversas classes de ativos como renda fixa, ações, câmbio, com base no cenário econômico de médio e longo prazos.

Entre os fundos de renda fixa, os que aplicam em títulos com baixo risco de inadimplência com prazos mais longos – categoria conhecida como renda fixa duração alta grau de investimento –  tiveram o melhor desempenho em março, com alta de 2,64%, acumulando ganho de 4,4% no trimestre.

Os fundos de renda fixa que investem em papéis da dívida externa denominados em moeda estrangeira tiveram a pior performance em março, acumulando queda de 8%.

No trimestre, os fundos de ações que investem em ativos no exterior tiveram a pior performance, com desvalorização de 1,8%. A queda de 15,1% do dólar frente ao real no primeiro trimestre e a correção das bolsas americanas, após recordes de alta em 2021, explicam esse movimento de saída desses produtos.

“Se o comportamento do câmbio continuar apreciando, a atratividade desses fundos tende a reduzir um pouco”, diz Pedro Rudge, diretor da Anbima.

Fundos de renda fixa lideram captação no trimestre

Com a alta da taxa Selic para 11,75% e expectativa de que ela continue a subir, a classe de fundos de renda fixa liderou as captações no primeiro trimestre, registrando aporte líquido de R$ 109,2 bilhões. O resultado é o maior para o período dos últimos cinco anos.

Já os fundos multimercados e de ações, tiveram resgate líquido de R$ 41 bilhões e R$ 31,9 bilhões, respectivamente.

“A partir do meio do ano passado, as incertezas aumentaram um pouco em função do desempenho econômico e ruído político, o que fez com que os  investidores tivessem apetite menor a risco, tendo como reflexo a captação negativa em fundos de ações e multimercados”, diz Rudge.

Para Rudge, as eleições neste ano adicionam mais volatilidade aos mercados, o que pode manter os investidores mais cautelosos. “Pode ser que o apetite a risco cresça ou diminua dependendo do discurso dos candidatos”, diz.

O investimento em ativos digitais, como criptomoedas, tem ganhado relevância na indústria de fundos. O número de fundos que aplicam nesses ativos cresceu de 24 para 30 carteiras entre dezembro e fevereiro. Já o patrimônio desses fundos caiu de R$ 4,3 bilhões para R$ 3,3 bilhões no período. “O que explica a queda do patrimônio dessas carteiras é a desvalorização de alguns ativos digitais”, diz Rudge.

A Anbima ainda não tem uma classificação específica para os fundos que investem em ativos digitais. “Em algum momento, esses fundos vão ter escala e relevância para termos uma classificação”, diz Rudge.

De forma, geral, o patrimônio da indústria de fundos cresceu 11,7% em 12 meses encerrados em março, somando R$ 7,2 trilhões. Já o número de contas aumentou 17,4%, somando 31,5 milhões, o que mostra a democratização do acesso a esse investimento.

A Anbima está discutindo com a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) a revisão dos produtos destinados aos investidores de varejo, afirma Rudge.

Após conduzir um estudo com comparação com mercados internacionais, a CVM analisa medidas como a flexibilização para todos os investidores pessoas físicas acessarem produtos de securitização, com a redução de restrições regulatórias para esse público, e a permissão para aplicação em fundos de private equity, como os FIPs, hoje disponíveis apenas para investidores certificados ou com mais de R$ 1 milhão em ativos.

“A nossa visão é que o perfil de risco do investidor é o que deveria determinar quais ativos ele deve  ter na carteira, ainda mais nesse ambiente de acesso à informação”, diz Rudge.

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