Depois de oscilar entre o positivo e o negativo no pregão desta quinta-feira (13), acompanhando as Bolsas americanas, com o mercado refletindo dados de inflação nos Estados Unidos, o Ibovespa descolou do exterior e fechou em baixa de 0,46%, aos 114.300 pontos. Foram R$ 24,91 bilhões em volume negociado.
Com o desempenho de hoje, o saldo do índice para o mês de outubro é de alta de 3,87%, enquanto a valorização acumulada do ano é de 9,04%.
A performance foi mais positiva no exterior. Em Nova York, o S&P 500 subiu 2,6%, o Dow Jones avançou 2,83% e o Nasdaq teve alta de 2,23%. Na Europa, o índice Euro Stoxx 50 somou ganhos de 0,93%.
Inflação pesa, mas nem tanto
Lá fora, os mercados caíram durante parte do dia, após a divulgação de um CPI (índice de preços ao consumidor) acima do esperado nos Estados Unidos, mas se recuperaram diante da alta do petróleo e da leitura, por parte do mercado, de que a inflação americana pode ter atingido o pico.
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O CPI subiu 0,4% no mês passado, o dobro do esperado pelos investidores e uma aceleração em relação aos 0,1% de alta registrados em agosto. O núcleo, que exclui alimentos e energia, avançou 0,6%, mantendo o ritmo de agosto e contrariando as expectativas do mercado, que apostava em um passo mais ameno.
Ontem, dia de feriado no Brasil, foram divulgados os dados de inflação ao produtor (PPI) nos EUA. O indicador cresceu 0,4% em relação ao mês anterior, acima das expectativas de alta mensal de 0,2%.
Além disso, foi divulgada a ata do último encontro do colegiado de política do banco central dos Estados Unidos, que mostrou que o Fed começa a preparar terreno para uma alta menor dos juros. Apesar disso, o documento sinalizou que o atual ritmo de alta na taxa básica, de 0,75 ponto, deverá ser mantido pelo menos na reunião de novembro.
Varejistas caem forte
Enquanto isso, internamente, as vendas no varejo subiram em setembro pelo 11º mês consecutivo, mas ficaram muito perto da estabilidade durante o período, segundo dados divulgados pela Cielo (CIEL3). O Índice Cielo do Varejo Ampliado (ICVA) subiu 0,3% no mês passado em relação a igual período de 2021. A variação já desconta a inflação acumulada no período.
Diante disso, e com os dados de inflação americana estressando a curva de juros brasileira, as ações do setor de varejo ficaram entre as que mais caíram nesta quinta-feira. Americanas (AMER3) recuou 7,34%, seguida por Magazine Luiza (MGLU3), que caiu 4,84% e Via (VIIA3), com queda de 3,44%.
A Gol (GOLL4), por sua vez, teve baixa de 3,75%. Segundo prévia operacional, a companhia aérea estima apresentar um prejuízo por ação de aproximadamente R$ 1,80 no terceiro trimestre, apesar de um aumento de cerca de 45% na receita unitária de passageiros (PRASK), devido à pressão dos altos custos com combustíveis.
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As maiores altas do pregão
A maior alta entre as ações do Ibovespa foi de Braskem (BRKM5), que subiu 11,97% mesmo após comunicar, em meio a rumores, que seus principais acionistas, Novonor e Petrobras (PETR4), negaram ter recebido uma nova oferta da gestora Apollo por suas fatias na petroquímica.
Os rumores vieram à tona após uma matéria do colunista Lauro Jardim, do jornal O Globo. Segundo ele, a oferta da gestora americana Apollo, que seria de R$ 50 por ação, fecharia o capital da petroquímica na B3 e abriria na Bolsa de Nova York.
Na sequência, a Minerva (BEEF3) subiu 6,64% após a divulgação do relatório do departamento de Agricultura dos EUA (USDA) estimando um aumento na demanda por carne bovina na China, de acordo com analistas da Ativa Research.
Outra alta importante foi de Eztec (EZTC3), de 2,73%. A companhia registrou R$ 426 milhões em vendas líquidas no terceiro trimestre, um avanço de 72,5% em relação a igual período do ano passado, de acordo com a prévia dos resultados. No entanto, a empresa apresentou queda de 11% nos lançamentos.
“Diante disso, a empresa deve recuperar parte da rentabilidade em relação ao segundo trimestre, porém ainda deve ficar abaixo de igual período de 2021”, avalia Sérgio Castro, analista CNPI do TradeMap.
Por fim, as petroleiras também subiram em bloco, refletindo a valorização de 2,43% do petróleo Brent, que encerrou a sessão cotado a US$ 94,70 por barril. Petrobras ON (PETR3) teve alta de 3,13%, Petrobras PN (PETR4) subiu 2,85%, 3R Petroleum (RRRP3) valorizou 0,54% e Prio (PRIO3) avançou 0,83%.
Criptomoedas
Em um dia de grande volatilidade para o mercado, o Bitcoin (BTC) recuperou o patamar de US$ 19 mil em meio à pressão do cenário global depois da divulgação de dados piores que o esperado para a inflação americana em setembro.
Os números confirmaram o temor dos analistas sobre a manutenção da trajetória agressiva do Fed (o banco central dos EUA) na escalada dos juros para conter o aumento dos preços.
Logo após a publicação dos dados, na parte da manhã, o BTC despencou e atingiu US$ 18.296, a menor cotação do ano. Horas depois, o mercado pareceu assimilar melhor o resultado e inverteu para o campo positivo.
Por volta das 16h50, a maior cripto do mercado registrava alta de 1,5%, negociada a US$ 19.282, segundo dados disponíveis na plataforma TradeMap. Na mesma hora, o Ethereum (ETH), que chegou a perder quase 6% durante a manhã, tinha queda de 0,1%, a US$ 1.281.