O aumento anual de cerca de 45% na receita unitária de passageiros esperado pela Gol (GOLL4) no terceiro trimestre, segundo atualização ao mercado divulgada na quarta-feira (12), indica que a companhia tem sido capaz de repassar para o preço das passagens a alta no preço do combustível que tem pressionado seus custos, diz o Goldman Sachs.
“Notamos que o relatório mostra que a companhia ainda foi capaz de repassar os maiores custos de combustível para os preços, dadas as receitas unitárias maiores ano contra ano”, afirmam Bruno Amorim, João Frizo e Guilherme Costa Martins, analistas do banco americano, em relatório distribuído nesta quinta-feira (13).
De acordo com a Gol, a melhoria na receita é resultado de um “crescimento contínuo na demanda doméstica de viagens de lazer combinado com a retomada gradual de viagens internacionais”.
A projeção da Gol é que o custo operacional dividido pelo total de assentos-quilômetro oferecidos referente a combustíveis fique 87% acima do registrado no terceiro trimestre de 2021, devido a um aumento de cerca de 89% no preço médio do combustível de aviação no período – parcialmente compensado pelo menor consumo, resultado do maior número de aeronaves 737-MAX na frota.
Excluindo os custos de combustíveis, a projeção da Gol é que o custo operacional dividido pelo total de assentos-quilômetro oferecidos tenha redução anual de 25% contra o terceiro trimestre do ano passado, devido principalmente ao aumento na oferta e na produtividade.
“Os custos com combustível seguem sendo o maior problema para a companhia”, escreveram analistas da Genial Investimentos, em comentários ao mercado.
Porém, na avaliação de Alexandre Kogake e Pedro Pimenta, analistas da Eleven, a situação pode melhorar daqui para frente, dada a queda recente nos preços. “As reduções recentes no preço do querosene de aviação deverão impactar somente os resultados do quarto trimestre, e junto com a renovação da frota em execução deverá ajudar na eficiência operacional da companhia nos próximos períodos”, afirmam.
Prejuízo
Apesar do crescimento de receita, a Gol ainda estima apresentar um prejuízo por ação de aproximadamente R$ 1,80 no terceiro trimestre.
Levando em consideração a média ponderada de ações que a companhia usou para fazer esta conta no segundo trimestre, isso significa que as perdas no período podem ter ficado perto de R$ 750 milhões – menores que as de R$ 2,8 bilhões do período entre abril e junho.
Em termos de rentabilidade, a margem Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) do terceiro trimestre deve ficar em torno de 15%, segundo a Gol, 9,3 pontos percentuais abaixo do anotado no terceiro trimestre de 2021, enquanto a margem Ebit (lucro antes de juros e impostos) deve ser de cerca de 5% (vs. as estimativas do Goldman de cerca de 17% e 7%, respectivamente).
Além disso, a empresa afirmou que o Smiles, o programa de fidelidade da Gol, deve apresentar uma receita 53% maior em relação com o mesmo período de 2019, antes da pandemia de Covid-19. A Gol viu um crescimento de 31% na base de clientes em comparação com o terceiro trimestre de 2019.
Vale ressaltar que os dados são prévios e ainda não auditados, podendo sofrer alguma alteração na divulgação do balanço da empresa no período.
Compra
Depois da divulgação da prévia de resultados, os analistas do Goldman Sachs e da Eleven reiteraram sua recomendação de compra para a ação da Gol, com preços-alvo de R$ 14,80 e R$ 18, respectivamente – o que representa alta de 46% e 78%, nesta ordem, em relação ao valor do papel no fechamento da última terça-feira (11), de R$ 10,13.
Por volta das 13h45 desta quinta, a ação era negociada em baixa de 3,55%, a R$ 9,77.