Com Vale (VALE3) e Petrobras (PETR4), Ibovespa descola das bolsas americanas e sobe 2,1%

Com isso, o saldo do índice em junho passou para baixa de 9,15%, enquanto a desvalorização acumulada do ano é de 3,87%

Foto: Shutterstock

Apoiado pelas ações ligadas a commodities, principalmente Vale (VALE3) e Petrobras (PETR4; PETR3), de maior peso, o Ibovespa começou a última semana de junho em alta, na contramão das bolsas dos Estados Unidos, onde os investidores seguem avaliando os riscos de inflação e de recessão.

O principal índice da B3 fechou o pregão em alta de 2,12%, aos 100.763 pontos, com R$ 16,71 bilhões em volume negociado. Com isso, o saldo do índice em junho passou para baixa de 9,15%, enquanto a desvalorização acumulada desde o início do ano é de 3,87%.

A trajetória foi diferente do exterior. Em Nova York, o S&P 500 teve baixa de 0,3%, o Dow Jones recuou 0,2% e o Nasdaq caiu 0,72%. Na Europa, o índice Euro Stoxx 50 fechou com ganhos de 0,16%.

Commodities levantam Ibovespa

O salto das commodities segue notícias da China, depois de o país anunciar o relaxamento de mais restrições de combate à Covid-19 no domingo. Com isso, o minério de ferro teve alta de 3,96% na Bolsa de Dalian, a US$ 115,87 por tonelada, enquanto o petróleo Brent subiu 1,72%, a US$ 110,98 por barril.

Assim, no fechamento, as maiores altas do Ibovespa foram das ações ordinárias e preferenciais da Petrobras e 3R Petroleum (RRRP3), com ganhos de 6,75%, 6,43% e 6,41%, respectivamente. Entre mineradoras e siderúrgicas, destaque para Vale, que subiu 4,6%, e Usiminas (USIM5), com avanço de 3,12%.

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De acordo com Leonardo Piovesan, analista da Quantzed, a ação da Petrobras também foi ajudada por um novo relatório do Itaú BBA, que classifica o papel como outperform – isto é, performance acima da média do mercado -, afirmando que as polêmicas recentes não apagam os fundamentos da companhia e que a ação está barata mesmo considerando um cenário catastrófico de política de preços.

Em outra frente, o conselho de administração da estatal aprovou a nomeação de Caio Paes de Andrade para a presidência da empresa. Agora, Paes de Andrade é o terceiro CEO da companhia apenas em 2022.

Alívio no leste europeu?

No cenário internacional, a guerra na Ucrânia não sai do radar. Na Europa, os líderes do G7, grupo que reúne as maiores economias do mundo, se comprometeram a oferecer apoio indefinido à Ucrânia e afirmaram estar estudando o uso de receitas de tarifas sobre importações da Rússia para apoiar os ucranianos, segundo matéria da agência de notícias Bloomberg.

Ao longo do fim de semana, o governo ucraniano ordenou a retirada de seu exército da região de Luhansk, o que significa que a Rússia atingiu seu objetivo de conquistar a área. Com uma vitória, a expectativa é que o presidente da Rússia, Vladimir Putin, possa estar mais disposto a negociar um cessar fogo.

Enquanto isso, porém, o front de batalha segue movimentado, com mísseis russos atingindo Kiev.

Por aqui, fiscal no radar

O cenário fiscal também segue gerando preocupação. Nos últimos acontecimentos, o governador do estado de São Paulo, Rodrigo Garcia, anunciou um corte no ICMS (Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços) para 18%, de 25% anteriormente.

Agora o mercado aguarda o novo parecer de Fernando Bezerra, relator da PEC (Proposta de Emenda Constitucional) dos Combustíveis, que deve apresentar alterações, como o aumento do valor do Auxílio Brasil, a criação do voucher caminhoneiro e a ampliação do vale-gás.

O custo do pacote, que substituirá o ressarcimento aos estados que zerarem o ICMS de combustíveis, será de R$ 34,8 bilhões. Essas despesas furam o teto de gastos, mecanismo considerado a âncora fiscal do país, e já vem fazendo preço no mercado.

Na opinião de analistas da Genial Investimentos, ainda que estas propostas gerem aumento nos gastos públicos e rompimento do teto de gastos, são temporárias, de modo que não afetam estruturalmente o regime fiscal do país.

“Mais preocupante é a ofensiva de membros e apoiadores do governo no sentido de mudar reformas estruturais importantes que foram aprovadas nos últimos seis anos e que têm sido fundamentais para reduzir a corrupção e gerar equilíbrio fiscal. Em especial, estão sob ataque a Lei das Estatais e o Teto do Gasto”, afirmaram os analistas, em comentários ao mercado.

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O que realmente sacode Brasília, porém, é o caso no MEC (Ministério da Educação), depois da prisão do ex-ministro Milton Ribeiro. Na sexta-feira, foi colhido o número mínimo de assinaturas para a abertura de uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito). O impasse, porém, é que a comissão precisa ser colocada pelo presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, que ainda não se manifestou.

“Em outras palavras, foco nas movimentações de Pacheco, ao passo que a CPI deverá causar um estardalhaço na imagem de Bolsonaro às vésperas da eleição”, afirmou Étore Sanchez, economista-chefe da Ativa Investimentos, em comentários ao mercado.

Outros destaques do pregão

Além das commodities, outra alta relevante foi de Eneva (ENEV3), que subiu 5,78%, depois de a empresa anunciar que levantou R$ 4,2 bilhões na oferta restrita de ações realizada na semana passada. Ao todo, a empresa vendeu 300 milhões de papéis, a R$ 14 cada.

A companhia informou que pretende utilizar os recursos obtidos para financiar as aquisições do capital social da Celsepar (Centrais Elétricas do Sergipe Participações e da Cebarra (Centrais Elétricas Barra dos Coqueiros), anunciadas recentemente.

Na ponta oposta, as maiores quedas do Ibovespa foram de Méliuz (CASH3), IRB (IRBR3) e Azul (AZUL4), com perdas de 5,56%, 5,35% e 5,33%, nesta ordem.

No último pregão da semana passada, a Azul figurou entre as maiores altas da B3, após a Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) mudar as regras de slots para o aeroporto de Congonhas, em São Paulo, beneficiando a empresa aérea de David Neelman, que atualmente é que menos tem participação em dos aeroportos mais movimentados do país.

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Bitcoin

O mercado de criptoativos abriu a semana mostrando mais uma vez a correlação com as Bolsas globais ao apontar para baixo, apesar de a queda ser moderada.

O Bitcoin (BTC) conseguiu se manter a casa dos US$ 20 mil enquanto investidores aguardam a divulgação nos próximos dias de dados da inflação e do PIB (Produto Interno Bruto) americano.

Por volta de 16h55, a maior cripto do mercado registrava queda de 2% em 24 horas, a US$ 20.883, conforme dados da CoinGecko.

O clima negativo também move para baixo as altcoins, como são chamados os ativos além do Bitcoin. O Ethereum (ETH) perdia 2,2%, enquanto Cardano (ADA) e Solana (SOL) caiam 3% e 5,6%, respectivamente.

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