Com ruídos sobre eleição, Ibovespa cai 0,65%, aos 109.037 pontos; empresas sensíveis aos juros despencam

Decisão do PL de contestar o resultado das eleições no TSE ajudou no mau humor do mercado

Foto: Shutterstock/Immersion Imagery

O Ibovespa fechou o pregão desta terça-feira (22) em baixa, refletindo a decisão do PL, partido do presidente Jair Bolsonaro, de contestar o resultado das eleições no TSE (Tribunal Superior Eleitoral). A iniciativa bateu em cheio nas taxas de juros, que dispararam, o que acabou reverberando nos mercados.

Com isso, o Ibovespa fechou o pregão desta terça-feira (22) em baixa de 0,65%, aos 109.037 pontos. Apesar da baixa de hoje, o Ibovespa acumula alta de 0,15% na semana, enquanto no acumulado do mês o índice recua 7%.

O presidente do PL, Waldemar Costa Neto, disse que a auditoria feita pelo partido mostra que houve regularidades nas urnas fabricadas antes de 2020. Com isso, o partido pede a anulação dos votos dessas urnas, alegando que, sem eles, Bolsonaro teria conseguido 51% dos votos no segundo turno.

Diante desse cenário, os juros futuros com contratos para 2024, 2026 e 2028 encerraram a sessão com altas de 0,12 p.p (ponto-percentual), 0,21 p.p. e 0,18 p.p., cotados a 14,38%, 13,57% e 13,42%, respectivamente, de acordo com dados disponíveis na plataforma do TradeMap.

O movimento da curva de juros pressionou as ações da Arezzo (ARZZ3), que recuaram 4,87%, Azul (AZUL4), que perdeu 4,87%, Grupo Soma (SOMA3), que se desvalorizou 4,22% e a Gol (GOLL4), com baixa de 4,04%.

Filipe Villegas, estrategista de ações da Genial Investimentos, destaca que essas varejistas já vinham em baixa na Bolsa desde o início do pregão, mesmo antes do pronunciamento do PL. Segundo ele, essa queda era causada pela expectativa do novo ministro da Fazenda do novo governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

“Pelo que temos visto, parece que a escolha pode ser por Fernando Haddad, que não é um nome técnico, o que gera desconfiança no mercado”, afirma. Isso porque, os temores giram em torno de uma irresponsabilidade na condução da política fiscal no ano que vem, o que geraria inflação e, por consequência, a necessidade de uma taxa de juros mais alta, explica Villegas.

Lá fora, o movimento dos mercados foi positivo. Na Europa, o Índice Euro Stoxx 50 fechou em alta de 0,78%. Em Wall Street, por sua vez, o Dow Jones subiu 1,18%, o S&P 500 avançou 1,36% e o Nasdaq se valorizou 1,36%.

De acordo com Rodrigo Ashikawa, economista da Principal Claritas, o mercado internacional aguarda a divulgação da ata da última reunião do Federal Reserve (Fed, o banco central americano) nesta quarta-feira (23). “Além disso, os investidores continuam de olho no noticiário vindo da China, com os casos de Covid-19 voltando a acelerar”.

Outras baixas do Ibovespa

Além das empresas ligadas ao juros, a ação da Hapvida (HAPV3) recuou 3,57% no pregão desta terça após anunciar que Irlau Machado, copresidente da companhia, juntamente com Jorge Pinheiro, renunciar ao posto por causa de “propósitos e objetivos pessoais”.

Já a Petrobras (PETR4) caiu 0,81%, e ajudou a performance negativa pelo seu peso na composição do Ibovespa. Antes da abertura do mercado, o banco de investimentos UBS-BB divulgou um relatório em que recomendava a venda dos papéis da petrolífera. Além disso, o banco cortou o preço-alvo das ações preferenciais de R$ 47 para R$ 22.

De acordo com o relatório do UBS-BB, o principal motivo para a mudança de recomendação, que antes era de compra, são receios sobre a mudança de direção que a empresa pode tomar com a troca do governo federal.

A baixa dos papéis ignorou, inclusive, a alta do petróleo tipo Brent, que subiu 1,04% no dia, cotado a US$ 88,36 o barril.

Altas do Ibovespa

Na ponta positiva, destaque para as ações da Usiminas (USIM5), que subiram 3,92%, seguidas pela CSN (CSNA3) e Gerdau (GGBR4) que avançaram 3,52% e 3,36%, nesta ordem.

Na avaliação da Ativa, as ações da CSN tiveram alta após a divulgação do pagamento de dividendos no valor de R$1,564 bilhão.

A siderúrgica também anunciou uma mudança na organização de seu bloco de controle, composto atualmente pela Vicunha Aços, com 51,2% do capital votante, e pela Rio Iaco Participações, com 3,5%. A Vicunha Aços tem como acionistas a Rio Purus e a CFL, que no último domingo (20) fecharam um acordo para reestruturar a participação na CSN.

Sob os novos termos, a Vicunha Aços passará a ter 40,99% do capital social da CSN e terá como único sócio indireto a Rio Purus. Já a CFL passará a deter, via uma subsidiária, 10,25% do capital social da CSN. A Rio Iaco Participações, que também é controlada pela Rio Purus, continuará com 3,5% do capital social da CSN.

Outros destaques entre as altas são ações de mineradoras e siderúrgicas, em movimento de recuperação após fortes quedas no pregão de ontem, quando foram pressionadas por notícias de piora no quadro da Covid-19 na China. As notícias, porém, seguem preocupantes, com casos em alta e novas medidas de restrição à mobilidade.

Criptomoedas

O mercado de criptoativos esboçou uma recuperação nesta terça-feira, um dia depois de a cotação ter voltado a faixa de US$ 15 mil e renovar a mínima em mais de dois anos.

Por volta das 18h30, o Bitcoin (BTC) registrava avanço de 1,8%, negociado a US$ 16,10 mil, segundo dados da CoinGecko. Na mesma hora, o Ethereum (ETH) tinha alta também de 1,8%, vendido a US$ 1,12 mil.

Apesar do ensaio de calmaria, o mercado segue em alerta para a contaminação de outras empresas após o crash da FTX, há pouco mais de duas semanas.

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A Genesis, com foco em empréstimos criptos, está entre as mais visadas para possíveis quebras após informações apontarem que a empresa busca US$ 1 bilhão para sanear os problemas.

Na semana passada, a corretora bloqueou o acesso dos investidores, aumentando a tensão entre os investidores.

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