As criptomoedas encerraram a semana em forte queda, com o Bitcoin (BTC) chegando ao menor patamar desde agosto de 2021 na mínima do dia, cotado abaixo dos US$ 38 mil.
Além da perspectiva de maior alta maior da taxa básica de juros nos Estados Unidos em 2022, que tem afetado o preço dos ativos de maior risco, como ações de tecnologia, pesou no mercado de criptoativos a notícia de que a Rússia pretende banir operações com criptomoedas, segundo relatório do banco central do país divulgado nsta quinta (20).
O Bitcoin encerrou a semana cotado perto de US$ 38 mil, em queda de 11%. Já a Ether (ETH), a segunda maior criptomoeda em valor de mercado, recuou para US$ 2.722, com desvalorização de quase 15%. Com isso, a queda acumulada no ano desses ativos alcança 19,5% e 26,6% respectivamente.
A expectativa de alta da taxa de juros nos Estados Unidos e a indicação de redução do balanço do banco central do país mais rápido que o esperado têm aumentado a pressão sobre as criptomoedas, ao reduzirem a liquidez nos mercados e afetarem o apetite por ativos de maior risco.
Com a entrada de investidores institucionais no mercado de criptomoedas, como fundos de investimento de grandes gestores como Ray Dalio, da Bridgewater, e George Soros, além de empresas como Tesla, Twitter e MicroStrategy, que têm investido parte do caixa ou até aceitado pagamento em criptoativos, esses ativos passaram a ficar mais vulneráveis a movimentos de mercado em função de mudanças no cenário macroeconômico. Isso porque as realocações dos portfólios de grandes investidores passaram a afetar a posição nesses ativos.
“Não bastasse essa pressão constante do Fed, ontem a Netflix divulgou um resultado muito abaixo do esperado, provocando forte queda do Nasdaq. O Bitcoin anda com correlação alta com o mercado tradicional, principalmente com o setor de tecnologia, por isso vimos uma forte queda do mercado cripto como um todo”, diz Theodoro Fleury, gestor da QR Asset Management.
As ações da Netflix derreteram 21,8% nesta sexta-feira após a divulgação de resultados mais fracos pela companhia.
Segundo o analista da Empiricus Valter Rabelo, a correlação das criptomoedas com o Nasdaq, da principal bolsa para as empresas de tecnologia nos Estados Unidos, aumentou para 0,8. Isso indica que esses ativos têm uma correlação positiva, ou seja, andam na mesma direção.
A expectativa de uma alta mais forte de juros nos EUA tem afetado mais as empresas de crescimento ao elevar o custo para investimento, impactando as ações do setor de tecnologia, que dependem de mais recursos para crescer e cujos múltiplo estão mais altos. “O que estamos vendo é um movimento de aversão a ativos mais arriscados em consequência da política monetária do Fed”, diz Rabelo.
Intenção da Rússia de banir criptomoedas intensifica queda
O relatório emitido pelo banco central da Rússia recomendando o banimento de operações com criptomoedas ajudou a acentuar a queda desses ativos.
Segundo o banco central do país, as criptomoedas são voláteis e amplamente utilizadas em atividades ilegais, como fraudes, o que dificulta as ações do regulador e são uma “ameaça para o sistema financeiro”.
O órgão regulador recomendou que o governo russo proíba efetivamente qualquer atividade relacionada a criptomoedas no país. A proibição deve ser aplicada a corretoras, mesas de negociação em balcão (OTC) e plataformas peer-to-peer.
A Rússia já proíbe o uso de criptomoedas para pagamentos e para o investimento de fundos mútuos em criptoativos.
“Isso não é não é bom, mas não acho que foi isso que de fato impactou o o mercado de criptomoedas”, afirma Rabelo, que destaca que não houve uma grande mudança no saldo das corretoras em criptoativos como quando ocorreu o banimento de mineração na China.
Com a proibição de mineração no país asiático em 2021, o que envolve atividades computacionais para criação de novas criptomoedas, os “mineradores” que atuam nessas redes migraram para países como Ucrânia e Rússia, que hoje é o terceiro maior em abrigar as atividades de mineração de criptoativos, atrás dos Estados Unidos e do Cazaquistão, de acordo com a Cambridge University.
Bitcoin abaixo de US$ 40 mil: entramos em bear market?
Depois de bater o recorde de R$ 69 mil em novembro, o Bitcoin passou por uma correção e negocia agora abaixo dos US$ 40 mil.
Para Rabelo, a moeda ainda não entrou em um bear market (tendência de queda) e tem potencial de retorno positivo neste ano. “Cerca de 70% das posições em Bitcoin ainda estão em zona de lucro e não têm uma pressão vendedora muito grande. Por isso, ainda vemos um bull market [tendência de alta] estrutural”, diz o analista da Empiricus, que destaca o forte fluxo de investimento de venture capital (fundos de capital de risco) para esses ativos.
Uma mudança desse cenário depende da sinalização do Fed sobre a política monetária nos EUA. “Temos reunião do Fomc [Comitê Federal de Mercado Aberto do Fed] na semana que vem, que pode acarretar uma piora de preços”, diz Rabelo.
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