Diante de um aumento na percepção de risco político, com o mercado avaliando principalmente as possibilidades de nomes para o ministério da Economia do governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e as incertezas quanto à situação fiscal do país, o Ibovespa começou a semana em forte baixa.
Neste contexto, o principal índice da Bolsa brasileira fechou o pregão desta segunda-feira (7) em queda de 2,38%, aos 115.342 pontos. Foram R$ 25,99 bilhões em volume negociado. Vale lembrar que, a partir desta segunda, o pregão brasileiro passou a encerrar às 18h para se adequar ao fim do horário de verão em Nova York.
Com a performance de hoje, o saldo do Ibovespa no mês de novembro passou para baixa de 0,6%, enquanto a valorização acumulada desde o início do ano agora soma 10,04%.
Risco político em foco
Como extensão do movimento visto na semana passada, o mercado continua acompanhando com lupa o processo de transição entre os governos Bolsonaro e Lula, com a necessidade de abertura de espaço no Orçamento para pagamento dos R$ 600 de Auxílio Brasil, que voltará a se chamar Bolsa Família, em 2023.
No fim de semana, o jornal Estado de S. Paulo informou que Lula convidou André Lara Resende e Persio Arida, pais do Plano Real, para compor a equipe de transição.
Por outro lado, ainda não há uma definição de quem será o ministro da Economia a partir de janeiro, e a tarefa de reestruturar o Orçamento de 2023 para acomodar promessas de campanha será árdua.
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Mais cedo, em entrevista ao canal de televisão Jovem Pan, Henrique Meirelles, nome visto com bons olhos pelo mercado para a pasta, afirmou que não teria sido convidado para assumir o cargo. Enquanto isso, circulam rumores de que o PT pretende indicar um nome do partido, como Fernando Haddad.
“O mercado não vê com bons olhos um político no cargo. O ideal seria alguém de perfil mais técnico. Além disso, muitos acreditam que Haddad não tem boa interlocução com o Congresso”, explica Marcelo Oliveira, co-fundador da Quantzed.
Além da composição do governo, outro ponto que está em foco é o fiscal, com o mercado avaliando as possibilidades de uma PEC (Proposta de Emenda à Constituição) ou MP (Medida Provisória) para criar espaço no orçamento para os auxílios à população prometidos durante a campanha petista.
Balanços mexem com ações
Entre as poucas altas do dia, as ações da BB Seguridade (BBSE3) subiram 1,04% após a companhia divulgar que teve lucro líquido de R$ 1,6 bilhão no terceiro trimestre, número 69,7% maior do que o que igual período do ano passado. O montante veio acima das expectativas do mercado. Enquanto o BTG e a Genial Investimentos projetavam R$ 1,5 bilhão para o indicador, o Santander esperava R$ 1,4 bilhão.
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Na direção contrária, a SLC Agrícola (SLCE3) teve baixa de 5,99%. A empresa registrou prejuízo líquido de R$ 113,7 milhões, revertendo o lucro do terceiro trimestre do ano passado e frustrando as expectativas do mercado. Analistas do Itaú BBA, por exemplo, projetavam lucro líquido de R$ 60 milhões, enquanto o BTG Pactual apostava em ganhos de R$ 133 milhões.
As maiores quedas do dia, porém, foram de Yduqs (YDUQ3) e Cogna (COGN3), de 10,64% e 8,72%, respectivamente. “O setor de educação vem caindo forte no dia de hoje devido a menores expectativas do mercado em relação aos programas de financiamento estudantil, como o Fies e ProUni”, escreveram analistas da Ativa Research, em comentários ao mercado.
Agora, o mercado estará de olho nos balanços do terceiro trimestre, que ganham força com empresas como Direcional (DIRR3), Ecorodovias (ECOR3), Movida (MOVI3), Pague Menos (PGMN3), São Martinho (SMTO3) e TIM (TIMS3) divulgando seus números após o fechamento.
Exterior na direção contrária
No exterior, os investidores se preparam para uma semana agitada nos Estados Unidos, com as eleições de parlamentares de meio de mandato amanhã (8) e os dados mais recentes de inflação ao consumidor (CPI) na quinta-feira (10), que pode dar mais dicas sobre os próximos passos da política monetária americana.
Em Nova York, o S&P 500 teve alta de 0,96%, o Dow Jones subiu 1,31% e o Nasdaq avançou 0,85%. Na Europa, o índice Euro Stoxx 50 fechou com ganhos de 0,56%.
Criptomoedas
O mercado de ativos digitais ignorou a onda positiva nas Bolsas e se manteve no campo negativo durante toda esta segunda-feira, enquanto investidores aguardam por ações que podem trazer volatilidade aos preços.
Por volta das 18h50, o Bitcoin (BTC) perdia 0,4%, negociado a US$ 21.138, segundo dados disponíveis na plataforma TradeMap. Na mesma hora, o Ethereum (ETH) subia 1,3%, vendido a US$ 1.627.
Nesta terça-feira, os americanos vão às urnas para renovar toda a Câmara dos Deputados e parte dos senadores nas eleições de midterm. A nova configuração do Legislativo pode ser fundamental para o encaminhamento de pautas relacionadas aos ativos criptografados, como tributação e regulamentação.
Na quinta, por sua vez, será divulgado o índice de preços ao consumidor (CPI, na sigla em inglês), um dos principais indicadores da inflação na maior economia do mundo. Serão os primeiros dados do tipo após a alta dos juros pelo Fed (o banco central americano), na semana passada.
Os números servirão para calibrar as expectativas dos investidores sobre os próximos passos da política monetária após o maior aperto nos juros em décadas. No final da semana passada, a divulgação do payroll mostrou que o mercado de trabalho americano pode estar piorando, o que animou as bolsas americanas ao sinalizar espaço para subir um pouco menos a taxa nos próximos meses.