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Cenário macro muda e expectativa para Ibovespa é de 100 mil a 120 mil pontos em 2022

Cenário macro muda e expectativa para Ibovespa é de 100 mil a 120 mil pontos em 2022

Alta nos juros pelo mundo e retirada de fluxo estrangeiro derrubou Bolsa em abril, e cenário deve continuar difícil no futuro

ações estrangeiros B3

Crédito: B3/Divulgação

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Depois de anotar uma valorização de 14,48% no primeiro trimestre de 2022, o melhor desempenho trimestral desde os últimos três meses de 2020, após o arrefecimento da variante Ômicron, a expectativa era de que o Ibovespa continuasse nessa guinada pelo menos até o início do segundo semestre do ano, quando começará de fato as eleições no Brasil.

De lá para cá, porém, o que se viu foi o contrário, com o principal índice da B3 despencando e encerrando o mês de abril com uma desvalorização de 10,1%, fortemente impactado pela saída de fluxo estrangeiro.

De acordo com analistas ouvidos pela Agência TradeMap, o cenário tende a continuar desafiador para o Ibovespa nos próximos meses, principalmente pela volatilidade em virtude das eleições e dos juros altos. Com isso, a projeção anterior, de 130 mil pontos, já não faz mais parte da perspectiva dos analistas e, agora, o mercado vê um cenário entre 100 mil e 120 mil pontos para 2022.

Leandro Petrokas, diretor de research, analista e sócio da Quantzed, projeta que a Bolsa deva permanecer no patamar entre 100 e 110 mil pontos nos próximos meses. “Por outro lado, como temos algumas ações baratas, esse número ainda pode subir. Num cenário otimista acredito que chegue até uns 120 mil pontos e, num pessimista, 93 mil pontos”, comenta.

Já Armstrong Hashimoto, sócio e operador da mesa de renda variável da Venice Investimentos, acredita que o patamar dos 100 mil pontos é razoável para o índice, dado o cenário atual. Para o segundo semestre, devido aos descontos de alguns ativos, ele vislumbra uma melhora, podendo atingir os 120 mil pontos num cenário otimista.

“Acho difícil chegar entre 130 e 135 mil pontos, como algumas casas de análise avaliaram no final do primeiro trimestre, ainda mais considerando eleições chegando, o que traz volatilidade aos mercados”, completa.

Por que a bolsa caiu tanto em abril?

Após um primeiro trimestre positivo, analistas explicaram à época para a TradeMap que o arrefecimento da pandemia de Covid-19 e uma promessa de vida “normal” aos brasileiros deixaria os investidores mais esperançosos com a recuperação da economia e, consequentemente, com os novos ganhos.

Segundo os analistas, diversos fatores prejudicaram a Bolsa no quarto mês do ano. Para Gustavo Cruz, estrategista da RB Investimentos, a saída de fluxo estrangeiro em abril contribuiu para o recuo do índice no período, como consequência da elevação de juros pelo BC brasileiro e pelo banco central americano. “O Banco Central Europeu também deve apertar as condições monetárias no futuro”.

Depois de ingressar com R$ 68 bilhões na Bolsa brasileira entre janeiro e março, o fluxo internacional reduziu drasticamente em abril. Segundo dados da B3, o saldo líquido desse tipo de investimento ficou negativo em R$ 7,67 bilhões. No acumulado para o mês de maio até agora, o saldo é negativo em R$ 12,61 milhões.

Além disso, a combinação de alta nos juros pelos bancos centrais e a escalada da inflação ao redor do globo, movimento que vinha se acentuando desde o final de 2020, influenciado pelos efeitos econômicos causados pela pandemia de Covid-19, colapsaram e fizerem os investidores se protegerem.

Na primeira semana de maio, inclusive, o Ibovespa chegou a zerar os ganhos do ano, mas se recuperou. No acumulado do ano, até o fechamento do dia 13, o principal índice da B3 tem uma leve alta de 2%.

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A alta nas taxas de juros é uma resposta dos bancos centrais para combater a inflação, que tem aumentado consideravelmente no mundo. No dia 11 deste mês, por exemplo, foi divulgado nos Estados Unidos o CPI, índice de preços ao consumidor, que ajuda a medir a inflação por lá.

Segundo dados divulgados pelo governo dos EUA, o índice de preços ao consumidor do país teve alta mensal de 0,3% em abril, após subir 1,2% em março. No acumulado em 12 meses, o ritmo de alta diminuiu de 8,5% para 8,3% na mesma base de comparação.

Na visão de Marcelo Oliveira, CFA da Quantzed, os dados vieram muito mais fortes do que o esperado. “Mesmo com ruídos em Wall Street ontem de que o número poderia vir melhor, veio bem feio. O dado mostra que o banco central americano tem trabalho duro pela frente”, avaliou.

Internamente, o cenário não é diferente. O IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) de abril, medido pelo IBGE, mostrou avançou de 1,06%, desacelerando em relação aos 1,62% registrados em março. Apesar da perda de fôlego, foi a maior alta do índice para o mês desde 1996.

“A Bolsa segue pressionada, junto com as bolsas lá fora, sem drivers de curto prazo para uma melhora no cenário. Claro que qualquer notícia de última hora pode surgir, mas, por enquanto, os ativos de risco seguem pressionados”, explica Petrokas.

Segundo ele, a Bolsa brasileira continua num “ambiente de aversão ao risco”, ainda dentro de um cenário de indefinição dos impactos de lockdowns na China, que mexem com as cadeias globais de importação e exportação de produtos.

Na avaliação do estrategista-chefe da XP, Fernando Ferreira, em relatório publicado no dia 29 de abril, o quarto mês do ano foi marcado pela “performance fraca dos mercados globais, tendo sido um dos piores desempenhos mensais em vários anos”.

Na visão dele, cinco motivos fizeram a Bolsa brasileira, assim como as do exterior recuarem; taxa de juros mais altas em todo o mundo para controlar taxas de inflação recordes; o conflito contínuo na Ucrânia e o choques de preços das commodities; a política de zero-Covid na China, causando problemas na cadeia de suprimento global; riscos crescentes de uma recessão econômica e a redução do estímulo dos bancos centrais.

Movimentações políticas trazem riscos para a Bolsa

A eleição presidencial brasileira, marcada para outubro deste ano, também deve movimentar os mercados e trazer ainda mais riscos para a Bolsa, segundos os analistas ouvidos.

As atuais pesquisas eleitorais, contudo, não fazem tanto peso para os mercados porque os analistas e os investidores acreditam que a disputa deva ficar entre o ex-presidente Luz Inácio Lula da Silva e o presidente Jair Bolsonaro.

Pesquisa da Genial Investimentos em parceria com a Quaest, do dia 11 de maio, mostra que Lula possui cerca de 46% das intenções de voto enquanto Bolsonaro possui 29%. O terceiro lugar fica com Ciro Gomes, que anota apenas 7%, número quatro vezes menor que a intenção do segundo colocado. No segundo turno, Lula venceria em todos os cenários. Em uma disputa entre Lula e Bolsonaro, o primeiro teria 54% e o segundo 34%.

“Em alguma medida, ambos os nomes o mercado ‘aceita’, até por já saber qual o estilo de governo dos dois, ambos acenando mais para o ‘centro”, avalia Petrokas. Apesar disso, o diretor de research, analista e sócio da Quantzed diz que se os candidatos mudarem seus discursos ou aparecer um terceiro com chances no páreo, a Bolsa pode repercutir o noticiário no segundo semestre, positivamente ou negativamente, a depender das declarações.

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