Campos Neto fala sobre inflação, Caged e tensão pré-eleições – veja o que importa hoje

Investidores ainda acompanham IGP-M de setembro e revisão do PIB dos EUA no 2º tri; mercados externos caem

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As perspectivas para a inflação e taxa de juros e o desempenho do mercado de trabalho brasileiro devem dar o tom do dia nesta quinta-feira, em meio à tensão dos últimos dias antes das eleições que acontecem no próximo domingo (2). No exterior, os índices futuros americanos operam em queda, à espera da revisão do PIB dos Estados Unidos no segundo trimestre.

Logo mais, às 8h, os investidores acompanham a divulgação do IGP-M (Índice Geral de Preços – Mercado) de setembro, com expectativa de analistas de mercado de uma nova deflação de 0,89%, o que representaria uma queda ainda maior do que a registrada em agosto, de 0,70%.

Após o IPCA-15 (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) ter vindo melhor do que o esperado, subiram as apostas dos investidores na chance do Banco Central começar já no início de 2023 a trajetória de cortes na taxa básica de juros, a Selic, hoje em 13,75% ao ano.

O mercado busca pistas do que pode acontecer no Relatório Trimestral de Inflação, que será publicado também às 8h, e principalmente na entrevista à imprensa do presidente do BC, Roberto Campos Neto, que acontece a partir das 11h.

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Agora pela manhã, os investidores ainda acompanham a divulgação de um indicador que pode ajudar a medir a força da economia brasileira e o quanto a inflação pode voltar a incomodar: o Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados) de agosto, que será publicado às 10h30 pelo Ministério do Trabalho.

Por que isso importa?

Após o Copom ter interrompido o ciclo de alta dos juros básicos na semana passada, se intensificaram as apostas sobre o momento em que o BC começará a cortar a Selic. Apesar da ata da última reunião ter adotado tom duro e falado em juros altos por período prolongado, parte do mercado acredita que a forte queda de preços neste mês pode abrir espaço para a queda começar já no primeiro trimestre de 2023. 

Clima tenso e debate

O pano de fundo para todos esses indicadores é o clima tenso com a aproximação das eleições. Ontem, o PL, partido do presidente Jair Bolsonaro, questionou em documento a segurança das urnas brasileiras e o sistema eleitoral, com críticas ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral).

À noite, todas as atenções estarão voltadas para o último debate de presidenciais antes do primeiro turno, que acontece na Globo a partir das 22h30. A avaliação de cientistas políticos é que o evento pode ajudar a definir se as eleições presidenciais, polarizadas entre o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e Bolsonaro, poderá ajudar a definir se o pleito termina no primeiro turno.

Pesquisa da Exame/ Ideia publicada nesta quinta afirma que o petista registra 47% das intenções de voto, aumento de três pontos em relação ao último levantamento, há um mês. Bolsonaro cresceu um ponto, e registra 37%.

Bolsas gringas em queda

À espera da última revisão do PIB dos Estados Unidos do segundo trimestre, que será divulgada às 9h30, os mercados internacionais operam em queda na manhã desta quinta. Por volta das 7h40, os índice futuros americanos estavam no vermelho: o Dow Jones caía 0,85%, o S&P 500 recuava 1,04% e o Nasdaq tombava 1,36%. No mesmo horário, o Euro Stoxx 50, principal índice europeu, recuava 1,25%.

Ontem, as bolsas americanas se animaram com uma “não-notícia”: o presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, evitou temas como juros ou inflação na sua participação em uma conferência, o que aliviou os mercados.

Além disso, o Banco da Inglaterra anunciou que vai agir para limitar as apostas do mercado no aumento dos juros do país, em medida que visa impedir que o nervosismo do mercado financeiro piore a situação da economia.

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