Bolsa sobe 0,70%, acima dos 108 mil pontos, apoiada em bancos e com CMN e dados dos EUA no radar

Internamente, os investidores aguardam por novos desdobramentos entre o governo e o Banco Central

Foto: Shutterstock/Bigc Studio

O Ibovespa fechou no campo positivo nesta segunda-feira (13), impactado pelo empurrão dos mercados globais e a reversão parcial das empresas expostas ao minério de ferro.

No cenário político, os investidores aguardam pelos próximos passos dos rumores da mudança da meta de inflação para 2023. Nesta noite, o presidente do Banco Central (BC), Roberto Campos Neto, participa do programa Roda Viva, e deve dar mais pistas sobre os próximos passos da política monetária.

Na quinta-feira (16), por sua vez, o Conselho Monetário Nacional (CMN) define as metas de inflação, em sua primeira reunião do ano. Além de Campos Neto, o colegiado é formado pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad, e da ministra do Planejamento e Orçamento, Simone Tebet.

O principal índice da Bolsa subiu 0,70%, aos 108.836 pontos e R$ 14,71 bilhões em volume negociado, segundo dados disponíveis na plataforma TradeMap.

Assim, o Ibovespa soma desvalorização de 4,05% na parcial de fevereiro, enquanto desde o início do ano a queda é de 0,81%.

Saiba mais:

BRF e bancos sustentam pregão

Os papéis da BRF (BRFS3) lideraram as altas do pregão, encerrando com valorização de 7,63%. O movimento reflete a mudança do banco Morgan Stanley nas recomendações das ações de underweight (abaixo da média do mercado, equivalente a venda) para equalweight (exposição em linha com a média do mercado, equivalente a neutro).

A troca de recomendação se deu após as quedas recentes no papel. Segundo dados da plataforma do TradeMap, as ações da companhia recuaram cerca de 64% de um ano para cá.

O preço-alvo das ações da BRF foi reduzido de R$ 13,50 para R$ 10 pelo Morgan Stanley, o que representa um potencial de valorização de 52% frente à cotação de fechamento do início desta semana.

O grupo de altas também teve forte participação dos papéis de bancos, após a divulgação dos dados do BTG Pactual (BPAC11) e à espera de dados do Banco do Brasil (BBAS3) depois do fechamento do pregão.

O lucro líquido ajustado do BTG foi de R$ 1,76 bilhão no quarto trimestre, queda de 0,8% em relação ao mesmo período anterior.

No balanço, o BTG citou que um “evento específico que foi amplamente divulgado” – uma referência aos problemas na Americanas – fez a instituição provisionar R$ 1,1 bilhão na área de crédito a empresas e R$ 77 milhões na área de vendas e negociações. “No agregado, as provisões não recorrentes impactaram negativamente o lucro líquido do BTG Pactual em R$ 580 milhões”, afirmou o banco.

“Mesmo em um cenário mais desafiador, o banco continua crescendo praticamente em todas as linhas de receita. O resultado positivo do BTG somado a boa expectativa do mercado com relação ao resultado de Banco do Brasil ajudaram no desempenho positivo do setor”, pontuou João Bertelli, sócio da A7 Capital.

Os papéis do BB fecharam em alta de 0,57%, enquanto as ações do Itaú (ITUB4) subiram 3,53%, Bradesco (BBDC4) ganharam 3,55% e Itaúsa (ITSA4) valorizaram 2,46%.

Mineradoras e siderúrgicas amortecem queda

O Ibovespa abriu em queda, com forte influência do recuo em bloco de mineradoras e siderúrgicas, refletindo o tombo do minério de ferro e a nova escalada de tensões entre os Estados Unidos e a China.

Além disso, a possibilidade de o gigante asiático intervir nos preços do minério assombra o mercado. Isso porque, antes do feriado do Ano Novo Lunar, em janeiro, a China alertou sobre a possibilidade de intervenção no preço do minério de ferro, naquilo que o gigante asiático considera “especulação de preços”.

Com isso, o minério de ferro negociado na bolsa de Dalian teve queda de 2,21% nesta segunda, cotado a US$ 123,28 por tonelada. A commodity, vale ressaltar, teve um movimento de alta de cerca de 60% de novembro até o final de janeiro, atingindo o patamar de US$ 130 por tonelada.

A situação foi amenizada durante a tarde, com algumas empresas passando para o campo positivo. A Vale (VALE3) – papel com maior peso no Ibovespa -, fechou em queda de 0,10%. Antes, empresa chegou a cair quase 0,40%.

No mesmo grupo, Usiminas (USIM5) desacelerou as quedas para 0,55%. Na contramão, Gerdau (GGBR4) subiu 0,95%.

As baixas do dia

O campo negativo foi puxado pelas ações da Azul (AZUL4), com perda de 4,31%. Mais cedo, a agência classificação de risco Fitch rebaixou a nota da empresa por causa das dívidas.

A Fitch rebaixou a nota de inadimplência do emissor (IDR) de longo prazo em moedas estrangeira e local da Azul de “CCC+” para “CCC-“, e o da nota nacional de longo prazo para “CCC(bra)”, de “B(bra)”.

Em comunicado, a agência explicou que os rebaixamentos refletem os “altos riscos de refinanciamento da Azul, as pressões no fluxo de caixa operacional da companhia, a deterioração de sua liquidez e as restrições mais acentuadas no mercado de crédito local”, em função da inadimplência da Americanas.

As ações do Carrefour (CRFB3) também tiveram queda de 1,27%. O grupo varejista divulga o desempenho do quarto trimestre de 2022 após o fechamento do mercado.

A expectativa do mercado é por números pressionados, sobretudo pelo aumento dos juros ao longo do ano passado.

Saiba mais:

Na avaliação do Itaú BBA, mesmo que as lojas maduras do Carrefour tragam bons resultados no trimestre, o processo de recuperação do BIG, adquirido em 2021, levará a uma compressão na margem Ebitda em relação ao ano anterior.

O BBA projeta um lucro líquido de R$ 487 milhões no balanço, uma queda de 45% no lucro da companhia no trimestre quando comparado ao período equivalente em 2021. Já a receita deve atingir R$ 24 bilhões na visão do banco, uma leve alta na comparação anual.

Meliuz (CASH3) perdeu 3,09% e 3R Petroleum (RRRP3) caiu 2,89%.

Bolsas globais e criptos

Os mercados globais fecharam em alta, às vésperas da divulgação do dado de inflação ao consumidor (CPI) dos EUA em janeiro, que será informado nesta terça (14). Já na quinta será a vez da inflação ao produtor (PPI). Ambos os dados serão informados pelo escritório de estatísticas trabalhistas americano (BLS).

Recentemente, a divulgação de um mercado de trabalho muito mais forte que o esperado aumentou as chances do Federal Reserve, banco central americano, cortar juros somente em 2024.

Em Wall Street, o Dow Jones subiu 1,11%, enquanto o S&P 500 ganhou 1,14% e a Nasdaq fechou em alta de 1,48%. No outro lado do Atlântico, o Euro Stoxx 50 encerrou com valorização de 1,09%.

Após o tom mais duro dos membros do Federal Reserve na última semana, o mercado agora precifica uma taxa de juros terminal de 5,2% ante 4,9% anteriormente. Podemos ver ainda mais pressão sobre as ações caso os dados de inflação não continuem em tendência de queda”, afirmou a XP, em relatório matinal.

Apesar do bom humor das Bolsas, o mercado cripto opera no campo negativo. Por volta de 16h40, o Bitcoin (BTC) perdia 2% em comparação as últimas 24 horas, a US$ 21,6 mil. Na mesma hora, o Ethereum (ETH) caia quase 4%, negociado a US$ 1,4 mil.

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