Bolsa opera de lado após payroll e falas de Lula sobre BC; Suzano (SUZB3) lidera altas

Por volta das 13h, o principal índice da Bolsa brasileira caía 0,26% e operava aos 109.853 pontos

Foto: Shutterstock/Alf Ribeiro

O Ibovespa opera desde a abertura em um patamar próximo da estabilidade, com os dados de emprego nos EUA e falas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre o Banco Central no radar do mercado. Lá fora, os índices acionários recuam com intensidade.

Por volta das 13h, o principal índice da Bolsa brasileira caía 0,26% e operava aos 109.853 pontos.

As maiores altas desta sexta ficavam com ações de empresas ligadas a commodities, que recuaram com intensidade na véspera. Na ponta positiva, Suzano (SUZB3) avançava 3,11%, Prio (PRIO3) ganhava 2% e Petrobras (PETR4) apontava em 2,41% para cima.

Além da Suzano, dentro do setor de papel e celulose, a Klabin (KLBN11) tinha valorização de 2,90%. No mesmo sentido, o dólar futuro avançava 1,45%, cotado a R$ 5,14, de acordo com dados da plataforma do TradeMap. Um dólar valorizado frente ao real beneficia essas companhias, que possuem suas receitas atreladas a essa moeda.

Já as petrolíferas subiam na esteira da alta do preço do petróleo no exterior. No mercado futuro da ICE, o contrato do barril do Brent era cotado a US$ 83, com uma alta de 1,3%. Os papéis ordinários da Petrobras (PETR3) ganhavam 2,07% e os da 3R Petroleum (RRRP3) subiam 0,41%.

Papéis ligados ao minério também avançavam, recuperando parte das perdas vistas na quinta. Gerdau (GGBR4) subia 2,45%, CSN Mineração (CMIN3) ganhava 1,82% e CSN (CSNA3) apontava em 2,74% para cima.

As quedas do pregão

Na parte negativa do índice, ações mais sensíveis à economia doméstica e consequentemente ao juros – varejistas e de tecnologia – recuavam com mais intensidade.

Grupo Soma (SOMA3) caía 4,58%, Locaweb (LWSA3) perdia 5,05%, Lojas Renner (LREN3) se desvalorizava 5,10% e Yduqs (YDUQ3) apontava em 4,75% para baixo.

Segundo dados da plataforma do TradeMap, os contratos futuros de juros para 2024, 2026 e 2028 avançavam em bloco. Respectivamente, os títulos eram cotados a 13,67%, 13,09% e 13,26%.

Segundo Rodrigo Caetano, analista da Toro Investimentos, o estresse na curva de juros é consequência de novos comentários do presidente Lula sobre o BC.

Na quinta (2), o presidente Lula voltou a questionar, durante entrevista, a autonomia do Banco Central. Dessa vez, o presidente disse que pode buscar revisão da autonomia assim que terminar o mandato do atual presidente, Roberto Campos Neto. Ele permanecerá no cargo até dezembro do ano que vem.

Além do depoimento, Lula fez duras críticas ao atual patamar da Selic, que ficou mantido em 13,75% ao ano na decisão desta semana, e prometeu cobrar a instituição por explicações.

Por último, o presidente vê exagero na meta de inflação por considerá-la “padrão europeu”, e completou dizendo que o Brasil deve correr atrás de uma inflação padrão Brasil, entre 4,5% e 4%.

Outros papéis que recuavam com intensidade eram Hapvida (HAPV3), Gol (GOLL4) e Rede D’Or (RDOR3). Respectivamente, as ações caíam 4,31%, 4% e 3,84%.

Bolsas internacionais recuam após payroll

Fora do Brasil, os principais índices acionários recuavam nesta tarde, repercutindo dados de emprego norte americanos. Os Estados Unidos criaram 517 mil vagas em janeiro, segundo dados do payroll divulgados nesta sexta-feira (3), bem acima dos 190 mil empregos esperados pelo mercado.

Na visão de André Coelho, analista da Ativa Investimentos, esse resultado indica que o mercado de trabalho não está desacelerando e, ao mesmo tempo, indica que as pressões desinflacionárias não vão ser tão fortes quanto se imaginava. “Isso exerce pressão por mais juros (ou um adiamento do primeiro corte)”, afirma.

Na quarta-feira (1), o Federal Reserve (Fed, o banco central americano) elevou os juros em 0,25 ponto percentual, para a faixa de 4,50% a 4,75% ao ano, e sinalizou que deve manter este ritmo de alta nos próximos meses.

A expectativa dos investidores era de que eventualmente o Fed interrompesse a alta dos juros, visto que o próprio banco central reconheceu que a inflação está começando a desacelerar.

Para Gabriel Meira, especialista da Valor Investimentos, os dados do payroll de hoje jogam um balde de água fria nessa visão mais otimista.

“Os Estados Unidos devem subir os juros ainda mais do que já era precificado, isso puxa a Bolsa lá fora para baixo e os juros aqui no Brasil para cima”, explica.

Ainda nos EUA, o mercado repercute alguns balanços de empresas de tecnologia do país. Três big techs dos Estados Unidos – Alphabet, a dona do Google, Amazon e Apple – reportaram os resultados do quarto trimestre de 2022 e desapontaram o mercado.

Todas as empresas foram prejudicadas pelo fortalecimento do dólar no período, o que diminuiu a receita obtida com as operações fora dos Estados Unidos.

O período das festas de fim de ano, que em geral ajuda nas vendas, também teve pouco efeito sobre os resultados, em particular da Apple, que pode ter mais dificuldades para se recuperar nos próximos meses.

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