Pela sétima vez consecutiva, o Ibovespa fechou o pregão desta terça-feira (26) em baixa, pressionado pelas ações de bancos, que tiveram fortes quedas seguindo o balanço decepcionante do Santander.
No exterior, que também pesou sobre o mercado brasileiro, o dia foi de “mais do mesmo”: cenário de cautela diante da expectativa de juros mais altos ao redor do mundo, da persistência de lockdowns na China para conter a Covid-19 e da continuidade da guerra na Ucrânia.
Com isso, o Ibovespa fechou em baixa de 2,23%, aos 108.212 pontos, com R$ 21,91 bilhões em volume negociado, levando o saldo de abril para desvalorização de 9,28%. No ano até aqui, porém, o balanço continua em alta de 3,23%.
Bancos caem em bloco
De forte peso no Ibovespa, as ações dos bancos caíram em bloco, depois de o balanço decepcionante do Santander, a primeira instituição financeira a divulgar os resultados do primeiro trimestre, ter gerado cautela nos investidores.
No setor, a maior baixa foi do Banco Inter (BIDI11), com perdas de 6,37%, seguido de BTG Pactual (BPAC11), que tinha queda de 5,06%. O Santander (SANB11), por sua vez, caía 4,55%; Bradesco (BBDC4), 4,29%; Itaú (ITUB4), 3,4%; e Banco do Brasil (BBAS3), 2,25%.
O Santander teve um lucro líquido gerencial de R$ 4 bilhões, leve aumento de 1,3% na comparação com igual período de 2021. O número é um pouco menor que a expectativa do J.P. Morgan, por exemplo, que esperava que o banco atingisse R$ 4,27 bilhões.
No entanto, o que preocupou o mercado foi o aumento da inadimplência e das despesas com perdas relacionadas a empréstimos que não foram pagos – que aumentaram 45,9% no primeiro trimestre em relação a um ano antes, para R$ 4,61 bilhões. O índice de inadimplência para períodos de mais de 60 dias aumentou 0,92 ponto percentual, para 3,7%.
Juros e inflação seguem em foco
Os bancos não foram os únicos pesos-pesados a cair nesta terça-feira. Com a continuidade da perspectiva de juros mais altos para lutar contra a inflação e medidas de bloqueio para combater a disseminação da Covid-19, os temores de uma desaceleração econômica global pressionaram algumas commodities – e, consequentemente, ações do setor.
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O minério de ferro negociado na bolsa de Dalian teve queda de 2,53%, a US$ 123,60. Assim, a Vale (VALE3) fechou em baixa de 1,37%, enquanto a CSN (CSNA3) e a CSN Mineração (CMIN3) se destacaram entre as baixas, com perdas de 6,3% e 5,06%, respectivamente.
Na noite de ontem, a Vale comunicou a venda de sua mina de carvão Moatize e do Corredor Logístico Nacala por US$ 270 milhões. Além disso, anunciou a assinatura de um memorando com a Nippon Steel para desenvolver soluções siderúrgicas com foco no processo de produção de carbono neutro de aço.
As petroleiras, por sua vez, subiram em bloco, seguindo a alta de 2,4% do petróleo tipo Brent, que terminou o dia a US$ 104,61. No fechamento, PetroRio (PRIO3) tinha a maior alta do Ibovespa, com ganhos de 2,47%, seguida por 3R Petroleum (RRRP3), em alta de 2,24%. A Petrobras (PETR4), por sua vez, teve leve baixa de 0,17%.
Na avaliação de Thomas Giuberti, economista e sócio da Golden Investimentos, a alta é “normal” dado a grande perda de segunda-feira, o que acaba impactando nas ações.
Ontem à noite, a PetroRio anunciou que recebeu licença do Ibama para perfurar novos poços no Campo de Frade, enquanto a ANP (Agência Nacional de Petróleo e Gás Natural) informou que a produção de petróleo e gás da Petrobras teve alta de 1,9% em março. A prévia operacional da companhia será divulgada após o fechamento de amanhã, assim como o balanço da Vale para o primeiro trimestre.
Na China, enquanto Xangai já está na quarta semana de lockdown, a cidade de Pequim deu início a uma testagem em massa de sua população, estimulando a preocupação de que medidas de bloqueio mais duras sejam adotadas por lá.
Apesar de outras notícias terem dominado a mídia recentemente, os temores acerca da guerra na Ucrânia também seguem no radar. O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, disse que o país está se esforçando para reduzir o risco de uma guerra nuclear, mas que o risco é real e não pode ser subestimado.
BTC
O Bitcoin (BTC) não conseguiu se sustentar e voltou a ser negociado abaixo do patamar de US$ 40 mil. Por volta das 17h20 (de Brasília), a principal criptomoeda do mercado registrava alta de 0,18% nas últimas 24 horas, a US$ 38.437, de acordo com dados do Mercado Bitcoin disponíveis na plataforma TradeMap.
O movimento também é influenciado pela cautela dos investidores, que passou a esperar um aumento mais intenso nos juros dos Estados Unidos.