O Ibovespa seguiu o mau humor de Wall Street e fechou em queda nesta sexta-feira (16), com investidores pressionados pelo noticiário de Brasília e com o temor de recessão global pela percepção de juros elevados por mais tempo nos Estados Unidos e na Europa.
O grupo de baixas foi liderado por empresas mais expostas aos juros futuros, que voltaram a subir hoje em meio às indefinições no Congresso de pautas fundamentais para os rumos da economia a partir de 2023.
Diante deste cenário, o principal índice da Bolsa brasileira encerrou a semana em queda de 0,85%, aos 102.856 pontos, segundo dados disponíveis na plataforma TradeMap.
O desempenho fez o Ibovespa acumular queda de 8,56% em dezembro, enquanto em 2022 a queda passou para 1,87%.
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Pessimismo global
As Bolsas americanas e europeias fecharam o pregão no vermelho com o temor de recessão econômica generalizada no próximo ano devido ao aumento coordenado dos juros.
O Fed (banco central americano) injetou 0,50 p.p (ponto percentual) na taxa dos juros nesta semana, elevando a banda para 4,25% e 4,50%, o maior patamar em 15 anos.
Apesar da desaceleração da alta após quatro acréscimos seguidos de 0,75 p.p, os investidores priorizaram o recado da autoridade monetária sobre estender a escalada até o patamar de 5,1%, ou seja, sem a indicação de recuo dos juros antes de 2024.
Nesta quinta-feira (15), o BCE (Banco Central Europeu) anunciou o aumento dos juros em 0,50 p.p. subindo a taxa para 2,50% ao ano.
“O cenário internacional foi de aversão ao risco com a preocupação dos juros. O Fed esfriou as expectativas de pausa e de cortes antecipados, além de outros bancos centrais emitirem discursos mais contracionistas”, explica Paulo Luives, especialista da Valor Investimentos.
O medo de que a escalada dos juros jogue as maiores economias do mundo em recessão fez o Dow Jones cair 0,85%, enquanto o S&P 500 tombou 1,12%. A Nasdaq, que concentra ações de tecnologia, setor mais sensível ao aperto monetário, perdeu 0,97%. No outro lado do Atlântico, o Euro Stoxx 50 perdeu 0,83%.
Brasília no radar
Na pauta doméstica, o estresse emanou de Brasília com indefinições no Congresso de pautas fundamentais para os rumos da economia no governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
No radar, os investidores digerem o adiamento da PEC (Proposta de Emenda à Constituição) na Câmara dos Deputados, possibilidade de votação da Lei das Estatais no Senado só em 2023 e o julgamento do orçamento secreto no STF (Supremo Tribunal Federal).
Em meio aos entraves no STF, os deputados aprovaram nesta tarde os critérios para o orçamento secreto. O montante será dividido em 80% para as bancadas e 20% ao relator-geral e às mesas da Casas. Do valor total, pelo menos 50% deverão contemplar saúde, assistência social e educação.
Diante das incertezas, os juros futuros voltaram a subir, expressando à incerteza dos investidores para as condições da saúde econômica do Brasil nos próximos anos.
Segundo dados da plataforma do TradeMap, a taxa do contrato com vencimento em janeiro de 2026 subiu 28 p.p, a 13,73%. Já o vencimento em janeiro de 2028 avançou 25p.p, a 13,58%.
Altas e baixas do pregão
A disparada das incertezas penalizou as empresas mais expostas ao aumento dos juros. A fila foi puxada pela Magazine Luiza (MGLU3), que perdeu 8,85%. Na sequência, Americanas (AMER3), que caiu 7,90%, CVC (CVCB3), com retração de 7,58% e Pão de Açúcar (PCAR3), que perdeu 6,73%.
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Na ponta de cima, a Cemig (CEMIG4) foi destaque com o avanço de 2,91%. Do mesmo segmento elétrico, a Energias do Brasil (ENBR3) que fechou com alta de 1,66%.
Mais cedo, a Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) realizou mais um leilão de transmissão para a construção de aproximadamente 710 quilômetros de linhas de transmissão e 3.650 mega-volt-ampéres (MVA) em capacidade de transformação de subestações.
Além das elétricas, a ação da Dexco (DXCO3) foi destaque com alta de 2,62%. A companhia informou que irá emitir 76.096.295 novas ações ao valor de R$ 13,14 por papel. Esse valor traz um bônus de cerca de 10% em relação ao preço atual da ação.
Criptos
O mercado de criptoativos também acompanhou as baixas de Wall Street e voltou a operar no vermelho. A sequência de quedas fez as cotações das principais moedas digitais regredirem ao patamar do início da semana, apagando a recuperação vista nos últimos dias.
Por volta das 18h30, o Bitcoin (BTC) perdia 2,84% em comparação as últimas 24 horas, negociado a US$ 16.948, conforme dados da plataforma TradeMap. Na mesma hora, o Ethereum (ETH) tinha queda de 4,36%, a US$ 1.207.
Vale lembrar que o mercado cripto roda 24 horas, todos os dias da semana, e que a redução da liquidez durante sábados e domingos dá brecha para novos movimentos de volatilidade.