O Itaú BBA retomou a cobertura de Magazine Luiza (MGLU3) com recomendação market perform (equivalente a neutro) e preço-alvo de R$ 3,2, mesmo com juros e inflação elevados, que tendem a corroer os resultados da companhia, já que limita o poder de compra das famílias.
O banco, no entanto, vê a empresa bem posicionada para ganhar participação nos segmentos de lojas físicas e venda de estoques próprios, especialmente na categoria de bens duráveis, o que justifica ventos favoráveis à frente.
Tanto é verdade que a Magazine Luiza tem sentido os efeitos dos juros altos nos seus resultados, que passou de lucro para prejuízo no terceiro trimestre deste ano. O elevado nível da Selic — que saltou de 2% ao ano para 13,75% em menos de dois anos e está no maior patamar desde 2017 — é o principal motivo alegado pela companhia para o prejuízo registrado no período, de R$ 146 milhões, no critério ajustado, que desconsidera efeitos não recorrentes.
“Os ventos macro contínuos contribuíram para um cenário de desafiados na leitura top-down (estratégia em que investidor olha primeiro para o cenário macroeconômico) para bens duráveis, que esperamos que persista em 2023, dadas as incertezas macroeconômicas”, diz o analista Thiago Macruz, do BBA.
Em relatório distribuído aos clientes nesta sexta-feira (16), o BBA diz que o desempenho da empresa nos segmentos de lojas físicas e estoques próprios serão o foco dos investidores no curto prazo, já que esses canais serão os principais impulsionadores da recuperação da lucratividade e da geração de fluxo de caixa da Magazine Luiza.
Com o cenário adverso, pelo menos no curto prazo, o Itaú sente a necessidade de ter garantias de valuation (avaliação de uma empresa) e a negociação atual com nível de 23 vezes o múltiplo P/L – relação entre preço e lucro de uma ação – leva o banco a esperar por um ponto de entrada melhor.
“Esperamos agora que o tamanho do mercado de comércio eletrônico atinja R$ 238 bilhões em 2022 (7% maior ano contra ano, para uma taxa de penetração de 9%) e R$ 273 bilhões em 2023 (14% na base anual, para uma penetração de 10%)”, explica o analista.
Diante de tais números, o BBA vê a Magazine Luiza muito bem estabelecida na corrida pela consolidação no e-commerce brasileiro e projeta um leve ganho de market share em 2023, para 18%.
Por volta de 12h15, o papel ordinário da varejista era a segunda maior queda do pregão desta sexta-feira (16), caindo 4,62%, a R$ 2,48.