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Após maior queda do ano, Ibovespa opera perto da estabilidade, com tombo da Vale (VALE3) e reação de aéreas

Após maior queda do ano, Ibovespa opera perto da estabilidade, com tombo da Vale (VALE3) e reação de aéreas

Bolsa opera perto da estabilidade após cair mais de 2% na segunda; petroleiras e setor de aviação sobem, mas mineradoras têm baixa

Gráfico de mercado no TradeMap

Foto: João Tessari/TradeMap

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Apesar de a Bolsa ter aberto o pregão em alta nesta terça-feira (8), os temores com a guerra na Ucrânia continuam a afetar empresas brasileiras, e pressionam o principal índice da B3. Após fechar o pregão de segunda-feira (7) registrando a maior queda de 2022 até agora, o Ibovespa opera perto da estabilidade. Às 12h45, caía 0,14%, aos 11.424 pontos.

A Vale (VALE3), que representa cerca de 15% de todos os papéis negociados no índice, apresenta uma das maiores quedas da tarde, recuando 2,27%, depois de ter subido fortemente durante a parte da manhã e ter atingido o preço de R$ 107,11, a máxima histórica das ações.

A empresa, porém, tem performardo bem desde o início do conflito na Ucrânia, que tem elevado o preço das commodities, o que inclui o minério de ferro. Em uma semana, o papel acumula valorização de 2,75%. No acumulado de ano, a alta é de 31%.

O preço do minério, embora siga em alta, avançou menos nesta terça, em relação às últimas subidas, no pregão da Bolsa de Dalian, na China, com valorização de 0,42%, para 845 iuanes, o equivalente a US$ 133,65 por tonelada.

Além da Vale, seguiam a fila das quedas: Locaweb (LWSA3), que caía 5,91%, e Banco Inter (BIDI11), que recuava 4,25%.

Quem lidera as altas do dia são as perdedoras de segunda. A Gol (GOLL4) subia 7,49% e era acompanhada pela Azul (AZUL4), com alta de 6,86%, recuperando parte das perdas de ontem.

A Azul, inclusive, publicou, nesta manhã, resultados de tráfego para o mês de fevereiro e mostrou crescimento na demanda de 20,1% em relação a igual mês do ano passado.

“Novamente, em fevereiro, vimos a demanda superando os níveis pré-pandemia, permitindo a manutenção racional da nossa capacidade e alavancagem das vantagens competitivas e sustentáveis da nossa malha e do nosso modelo de negócios”, diz John Rodgerson, CEO da Azul, em nota.

O avanço das ações das aéreas ocorre após as duas companhias terem perdido cerca de um quarto do valor de mercado em apenas três pregões. Este movimento de baixa foi motivado principalmente pelo aumento nos preços do petróleo e a expectativa de forte crescimento nas despesas com combustíveis.

Na segunda, a Azul registrou a maior queda do índice, recuando 18%, enquanto a Gol fechou o pregão em baixa de 17,36%.

Para Bernard Faust, operador da mesa de renda variável da One Investimentos, o movimento do Ibovespa no dia é de repique, ou seja, as ações que sofreram nos últimos pregões se recuperam.

Ele acredita que a guerra na Ucrânia continuará a dar o tom das performances da Bolsa brasileira, o que pode levar volatilidade a muitos papéis, a depender da duração do conflito.

“Vejo muita especulação nas performances do dia, tanto nas ações que sobem quanto nas que caem. Vemos o mercado dividido em dois grupos — o primeiro é aquele que acredita que o conflito na Rússia deve perdurar mais tempo e o segundo o que acha que, pelas sanções, deve ter um arrefecimento em breve”, comenta Faust.

Setor petroleiro se recuperando

A queda acentuada do pregão de segunda-feira foi causada em grande parte pelo recuo dos papéis do setor de petróleo, principalmente a Petrobras (PETR4),que fechou o pregão caindo 7%.

Contudo, nesta terça o setor apresenta uma subida em bloco, recuperando parte das perdas. PetroRio (PRIO3) constava entre as maiores altas e subia 6,61%. 3R Petroleum (RRRP3) também crescia, e apontava em 4% para cima.

Fonte: TradeMap
Fonte: TradeMap

Já a Petrobras tinha alta de 1,73%. A estatal é alvo de diversas especulações envolvendo um possível reajuste de preço nos combustíveis, que não ocorre desde meados de janeiro.

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De lá pra cá, porém, a guerra na Ucrânia tem feito os preços do petróleo dispararem pelo mundo, o que acaba colocando a Petrobras no alvo de possíveis alterações no valor das bombas.

Isso se deve porque a empresa define o preço do combustível baseado no valor negociado pelo mundo. Segundo fontes ouvidas pelo jornal O Globo, a petroleira pretende subir os preços dos combustíveis nesta semana. O último reajuste nas bombas foi feito no meio de janeiro.

Na ocasião, o valor do barril negociado no mundo era de US$ 82,64 – ou 32% menor que o atual. Atualmente, os contrato futuros do ICE para a commodity do tipo Brent são cotados por US$ 132.

Segundo relatório divulgado na segunda-feira pela Genial Investimentos, a defasagem entre o preço internacional do petróleo e o preço das bombas está acima dos 40%. Até o momento, a Petrobras não sinalizou nenhuma ação.

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Os russos são grandes produtores e exportadores de petróleo, e desde que invadiram a Ucrânia têm sofrido pesadas sanções econômicas da Europa, dos Estados Unidos e do Reino Unido. Nenhuma delas, até agora, bloqueou explicitamente a exportação de petróleo pelos russos.

“Essa ameaça de sanções ainda mais rígidas sobre as importações de energia da Rússia provavelmente causará mais pressão de alta nos preços nas próximas semanas, com a perspectiva muito real de que podemos ver os preços revisitando os níveis que vimos em setembro de 2008, quando atingiram US$ 147,50”, afirma Michael Hewson, analista-chefe da CMC Markets, em nota publicada nesta terça.

Guerra na Ucrânia segue no radar mundial

As bolsas internacionais apresentam um dia sem direção definida nesta terça. Entre as notícias de destaque no dia está o acordo de cessar-fogo temporário feito pela Rússia, após reuniões de negociações envolvendo os países do conflito. Com isso, a Ucrânia pode organizar os “corredores humanitários”, e retirar moradores de regiões ameaçadas.

Na Europa, as principais bolsas sobem, e recuperam parte das perdas de ontem. Na Alemanha o DAX crescia 0,14% e, em Londres, o FTSE 100 subia 0,20%. Já o índice Euro Stoxx 50, que conta com empresas de todo o continente, tinha queda de 0,19%.

Wall Street seguia o movimento de queda, em contrapartida ao movimento de subida no início dos pregões das principais bolsas americanas. O índice Dow Jones caía 0,49%, enquanto o S&P tinha desvalorização de 0,83%. Já o Nasdaq Composto apresentava maior recuo, de 1,15%.

O que realmente chama atenção dos olhares globais é o pronunciamento do presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, previsto para as 12h45 (de Brasília). A expectativa é que ele anuncie a proibição das importações russas de petróleo, gás natural e carvão para os EUA.

Além das questões envolvendo o conflito, o mercado repercute a divulgação do PIB do quarto trimestre de 2021 da zona do euro, que apresentou alta de 0,3% no quarto trimestre ante o terceiro trimestre de 2021. No comparativo anual, houve um avanço de 4,6%.

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