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Amor acabou? Otimismo gringo com a Bolsa está diminuindo, mostram dados da B3

Amor acabou? Otimismo gringo com a Bolsa está diminuindo, mostram dados da B3

Peso de estrangeiro como tomador de aluguel de ações, operação usada para aposta na queda de papeis, subiu a 44,12%

estrangeiro na Bolsa

Foto: Shutterstock

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O otimismo dos estrangeiros com a Bolsa, que impulsionou o principal índice brasileiro nos primeiros meses de 2022, pode estar diminuindo, como mostram dados de saldo de investimentos, posicionamento em contratos futuros de Ibovespa e aluguel de ações.

Números da B3 mostram que, após três meses de entrada líquida, o saldo de investimentos de fora na Bolsa estava negativo em R$ 1,755 bilhão em abril, até o dia 13.

Outro sinal de um pessimismo maior  é a posição líquida comprada (apostando na alta) em contratos futuros de Ibovespa e minicontratos do índice, que caiu de 217.830 contratos para 177.004 desde o início da guerra na Ucrânia até 14 de abril, segundo dados da Órama.

Por fim, houve um crescimento da participação desses investidores entre os tomadores de aluguel de ações, que passou de 34,53% em março de 2021 para 44,12% em fevereiro deste ano, último dado disponibilizado pela B3.

Em geral, quem aluga uma ação tem como objetivo vender o papel no mercado à vista para recomprá-lo futuramente a um preço mais barato, acreditando na queda do valor do ativo no curto prazo.

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Considerando o total de contratos de empréstimos de ativos em aberto na Bolsa, a participação desses investidores também aumentou, de 20% em janeiro de 2021 para 23% em fevereiro de 2022, segundo a Genial Investimentos.

Recentemente, a B3 alterou a metodologia de divulgação de informações sobre o fluxo de investidores estrangeiros na Bolsa, o que resultou em uma redução no saldo de entradas de recursos com a retirada do volume desses participantes nas operações de empréstimos de ações. O objetivo foi evitar que essa posição fosse contabilizada duas vezes.

Alta de juros nos EUA, eleições no Brasil

A expectativa de aceleração do aumento da taxa básica de juros nos Estados Unidos em maio, de 0,25 ponto para 0,50 ponto, e de redução da liquidez no mercado, com o banco central americano devendo iniciar o enxugamento do balanço, deve reduzir o apetite dos investidores estrangeiros por ações de mercados emergentes.

A alta das taxas dos títulos do Tesouro americanos (treasuries), considerados livre de risco, já está levando os investidores a migrarem os recursos para esses papéis. A aproximação da  eleição presidencial no Brasil é um elemento a mais para os estrangeiros aumentarem a cautela em ampliar as posições em Bolsa no Brasil.

No caso da posição comprada em contratos futuros do Ibovespa, o analista de equity research da Órama, Ricardo Eiji Tominaga, lembra que os investidores estrangeiros compraram muitos papéis atrelados a commodities. A redução da posição comprada, afirma, pode indicar uma redução da exposição à bolsa brasileira.

“O próprio saldo de investimentos estrangeiros na Bolsa caiu. Isso não significa que esse investidor tirou o dinheiro do Brasil, já que o real continua se apreciando, mas pode ter reduzido a posição em Bolsa brasileira”, avalia.

saldo estrangeiros Bolsa

Arbitragem de taxas na mira do estrangeiro

Os estrangeiros parecem especialmente interessados em alugar papeis que compõe o Ibovespa como parte de uma estratégia para ganhar com a arbitragem de taxas, conhecida como cash and carry, como explica Yves Salomão, operador de aluguel e opções (BTC) da Genial.

O investidor pode, por exemplo, alugar os papéis que fazem parte da carteira do Ibovespa para vender esses ativos no mercado à vista e alugar para outro investidor (ou “doar”, no jargão do mercado financeiro) a posição que ele tem no ETF (fundo listado em bolsa – Exchange-Traded Fund) BOVA11, que segue o índice.

O objetivo dessa operação é ganhar com a arbitragem entre a taxa que ele paga para alugar os ativos e a taxa que ele cobra para ele emprestar o papel, no caso o ETF BOVA11.

Essa diferença já foi de 2 pontos, caiu para 0,20 ponto mas ainda está positiva, afirma Salomão. “Se o mercado estressar, o estrangeiro pode pedir de volta os contratos de BOVA11 que ele alugou, e vender os ativos que compõe o ETF [lastreado no Ibovespa] para devolver para os doadores”, afirma o operador da Genial.

Outro objetivo com o aluguel de ações é buscar um hedge (proteção) para a carteira de ações brasileiras. Nesse caso, ele pode alugar os papéis que compõe o Ibovespa ou o próprio BOVA11 e vender esses ativos no mercado. Se a Bolsa cair, ele recompra os papéis mais baratos para devolver para os doares e ganha com essa operação, reduzindo eventual prejuízo que tenha com uma posição comprada em ações brasileiras.

Arbitragem também em oferta de ações

Os investidores estrangeiros também costumam alugar papéis de empresas envolvidas em ofertas de ações. “Eles alugam os papéis e vendem no mercado à vista para recomprar depois com desconto na oferta”, diz Salomão.

Um exemplo recente de como funciona essa atuação foi a forte procura por papéis da CBA (CBAV3) e da Fras-le (FRAS3). A CBA realizou a oferta subsequente de ações no início de abril, precificando o papel em R$ 19, com desconto de 1,45% em relação ao preço de fechamento do dia.

Já no caso da Fras-le, o papel saiu a R$ 12 na oferta subsequente realizada em 8 de abril, desconto de 6% em relação ao preço no mercado à vista no dia anterior da precificação da oferta.

 

 

 

 

 

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