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Estrangeiros fazem Bolsa ser o melhor investimento de janeiro

Estrangeiros fazem Bolsa ser o melhor investimento de janeiro

O principal índice da B3, o Ibovespa, acumula ganhos de 7% e o IDiv, de dividendos, sobe 7,5%

ações estrangeiros B3
Por:

Silvia Rosa

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O apetite de estrangeiros pela Bolsa brasileira garantiu um forte impulso ao Ibovespa em janeiro, que fechou o mês em alta de 7% e ao IDiv, que considera as ações pagadoras de dividendos, que subiu 7,5% no período.

Os dois indicadores se destacaram entre os principais investimentos do período. E embora o investidor ainda tenha boas oportunidades nas alocações em ações, especialistas alertam que é preciso estar ciente da volatilidade que deve ser causada pelo cenário político em um ano de eleições.

Já a criptomoeda Bitcoin ficou na lanterna, com queda de 21,10%, seguido pelos investimentos que foram os destaques de 2021: o índice de BDRs caiu 9,8% e o índice norte-americano Nasdaq terminou janeiro com perdas acumuladas de 9%.

Ranking dos investimentos em janeiro de 2022

Em janeiro, os estrangeiros colocaram na Bolsa R$ 28,1 bilhões até o dia 27, segundo dados da B3. Uma série de fatores explica o interesse dos estrangeiros pelo Brasil e esse caminhão de dinheiro.

Um dos fatores é o aumento dos juros nos Estados Unidos, que será mais alto que o esperado, o que tirou parte da atratividade das ações americanas. Além disso, a China promete estímulos para reverter o processo de desaceleração da economia do país, o que favorece as empresas de commodities.

“Esse fluxo foi quase todo direcionado para as ações de commodities e bancos, que se beneficiam do cenário de alta dos juros no Brasil”, explica Mauro Rached, head de Investimentos do Banco Daycoval.

Em sua avaliação, a Bolsa ainda tem potencial de alta no ano, podendo chegar em dezembro entre 130 mil e 135 mil pontos – o que daria um ganho de mais 16% até o final de 2022 No entanto, a alocação em ações dependerá do apetite por risco de cada investidor.

Para Renato Iversson, gestor da Taler Gestão de Patrimônio, o fluxo positivo de investimentos estrangeiros para a bolsa neste início do ano tende a continuar no curto prazo.

Apesar da eleição poder trazer maior volatilidade para os mercados até o fim do ano, o gestor da Taler ainda vê oportunidades na bolsa e recomenda aos investidores manter a posição em ações.

“Tudo vai depender do perfil de cada investidor, mas agora não é o momento de sair da bolsa, é hora de manter o percentual em renda variável”, diz.

Flávio Oliveira, estrategista do escritório de agentes autônomos Zahl Investimentos, lembra ainda que o fluxo de estrangeiros ao Brasil deve continuar devido ao patamar do dólar, que ainda deve ficar acima de R$ 5, tornando a bolsa brasileira “barata” ao estrangeiro, mesmo com a alta recente.

“O EWZ, que é um ETF de ações brasileiras no exterior, está sendo negociado a pouco mais de US$ 30. Em 2008, era quase US$ 100. Isso indica esse nível de preço baixo”, diz.

A estrategista-chefe da Órama, Sandra Blanco, também vê a continuidade desse movimento de fluxo positivo para a bolsa no curto prazo, dado que os preços das ações ainda estão muito descontados, mas alerta que a política monetária nos EUA ainda pode trazer volatilidade para os mercados.

“A gente sabe que o ciclo de alta de juros nos EUA vai começar, mas essa indefinição de qual será o ritmo e até onde a taxa de juros americana vai chegar traz volatilidade para os mercados”, diz.

A Órama também prevê um avanço do índice Ibovespa para 130 mil pontos no fim de 202

Ações com oportunidades

Depois de uma queda de quase 12% em 2021, a terceira pior performance só atrás das bolsas da Venezuela e de Hong Kong, a estrategista da Órama afirma que o mercado de ações local oferece muitas oportunidades, principalmente em setores que estão com preços muito descontados como os de educação, consumo e alguns casos específicos de bancos.

A estrategista também vê os papéis de empresas ligadas a commodities como atrativos, mas avalia que as ações do setor de petróleo já estão com preços muito caras.

Já Rached, do Daycoval, acredita que no primeiro semestre as oportunidades estão mais concentradas em papéis do setor de commodities e dos bancos mas, no segundo semestre, com a expectativa de menor pressão inflacionária, as ações ligadas ao consumo interno devem começar a se destacar.

Renda fixa

Apesar da continuidade do fluxo estrangeiro para a Bolsa brasileira, que deve favorecer as ações, o investidor ainda pode encontrar boas opções em renda fixa, seja comprando títulos públicos ou papéis privados.

Fernando Donnay, sócio da gestora de patrimônio G5 Partners, explica que o processo de aperto monetário em curso pelo Banco Central (BC) garante bons ganhos ao investidor e baixo risco. A taxa Selic está em 9,25% ao ano, mas deve subir para 10,75% na quarta-feira, segundo as projeções do mercado.

“O melhor retorno ajustado ao risco hoje é com as NTN-Bs (títulos públicos corrigidos pela inflação). Para o investidor que quer correr um pouco mais de risco, é possível conseguir bons prêmios nas debêntures de infraestrutura”, diz, destacando os papéis das empresas de transmissão.

Fundos imobiliários

No caso dos fundos imobiliários, apesar da queda de 1% em janeiro, a estrategista da Órama vê oportunidades em ativos de qualidade, com bons inquilinos e baixa taxa de vacância.

Essa categoria é afetada pelo ciclo de alta de juros, mas Blanco explica que há oportunidades para os investidores que têm um horizonte de longo prazo.

“Os investidores que têm horizonte de longo prazo e gostam de fundos imobiliários ou que investem no produto para ter uma renda mensal entendemos que há oportunidades, já que o valor das cotas está com grande desconto”, diz Blanco.

A estrategista da Órama alerta, contudo, que incertezas regulatórias, como a vista mês passado com a decisão da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) em relação ao FII Maxi renda (MXRF11), podem trazer mais volatilidade para o mercado.

Em decisão do colegiado em 21 de dezembro sobre o fundo imobiliário Maxi Renda, a CVM vedou a distribuição de dividendos aos cotistas nos casos em que o portfólio tivesse prejuízo contábil. A autarquia ainda reforçou que o entendimento pode se aplicar aos demais fundos de investimento imobiliário que tenham características similares ao do caso analisado, o que trouxe dúvidas para a indústria de FIIs sobre o pagamento de dividendos.

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