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À espera de Fed e Copom, Bolsa brasileira cai repercutindo balanços trimestrais e exterior

À espera de Fed e Copom, Bolsa brasileira cai repercutindo balanços trimestrais e exterior

Por volta de 13h (de Brasília), o Ibovespa perdia 1,23%, operando aos 105.203 pontos

Sede da Bolsa brasileira

Foto: Shutterstock

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Num dia em que o mercado global aguarda as decisões do Copom (Comitê de Política Monetária do Banco Central) e do Fed (Federal Reserve, o banco central americano), o principal índice da B3 cai, repercutindo resultados corporativos, que vieram mistos na avaliação de analistas.

Por volta de 13h (de Brasília), o Ibovespa perdia 1,23%, operando aos 105.203 pontos, com a maior queda ficando com Marfrig (MRFG3), que caía 8,37%, seguida por Azul (AZUL4), que tinha baixa de 7% e GOL (GOLL4), que recuava 5,15%.

O frigorífico divulgou seu balanço financeiro do primeiro trimestre na noite de terça-feira (3), no qual registrou lucro líquido de R$ 109 milhões, uma queda de 61,1% ante o mesmo intervalo de 2021. A empresa atribuiu o recuo pela consolidação do seu investimento na BRF (BRFS3).

Apesar da queda no lucro, a receita cresceu 29,6% no primeiro trimestre do ano, para R$ 22,3 bilhões, enquanto o Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) alcançou R$ 2,7 bilhões, uma alta de 60,9% na mesma base de comparação.

Um profissional de uma corretora consultado pela Agência TradeMap afirmou que as ações do setor de frigoríficos têm sofrido nos últimos dias por causa de restrições na China e do cenário inflacionário alto.

Para João Abdouni, analista de ações da INV, a agenda de balanços tem movimentado a Bolsa brasileira nos últimos dias, e que o mercado está atento às despesas financeiras que as empresas estão reportando, usando como exemplo a queda dos papéis da XP (XPBR31) no dia

A companhia apresentou um trimestre fraco, segundo o Goldman Sachs. O lucro líquido do primeiro trimestre, de R$ 854 milhões, ficou 9% abaixo da expectativa dos analistas do banco. O montante, além disso, representou queda 14% em relação ao resultado do quarto trimestre, mas alta de 16% em comparação ao primeiro trimestre do ano passado.

A receita da XP nos primeiros três meses de 2022 foi de R$ 3,1 bilhões, 11% abaixo da estimativa do banco americano e caiu 4% em comparação aos últimos três meses de 2021.

“A receita mais fraca foi impactada pela sazonalidade no início do ano, a incerteza do mercado e uma desaceleração na atividade do mercado de capitais”, disse o Goldman. Em Nova York, onde é negociada, o papel da companhia caía 11,74% enquanto o BDR emitido no Brasil, por sua vez, recuava 11,92%,

Além da corretora, Abdouni vê as quedas no pregão desta quarta de Raia Drogasil (RADL3) e Cielo (CIEL3) de 3,83% e 2,05%, respectivamente, impactadas pelos números reportados nos balanços trimestrais.

Veja os balanços:

Raia Drogasil (RADL3): inflação eleva despesas e lucro fica abaixo do previsto

 

Cartão de crédito impulsiona Cielo (CIEL3) e lucro líquido cresce 35,9% no primeiro trimestre

Maiores altas do dia

No campo positivo, GPA (PCAR3) liderava a fila subindo 5%, refletindo rumores envolvendo uma possível compra de participação no grupo pelo empresário Abílio Diniz.

Segundo a Coluna do Lauro Jardim, do jornal O Globo, Diniz, que é o terceiro maior acionista mundial do Carrefour, está interessado numa parte do concorrente. Segundo Jardim, as negociações ainda estão em estágio inicial entre ele e o grupo Casino (dono do Pão de Açúcar), embora já aconteçam há dois meses.

Para Abdouni, o mercado avalia como positivo o rumor de troca no comando da companhia e vislumbra uma valorização nos papéis, caso se confirme. “Se vier um cara como o Abílio Diniz, que o mercado já conhece e gosta, a ação não deve ficar no patamar atual de R$ 21. Se o controlador francês sai e ele entra, a ação deve chegar a uns R$ 40”, destacou o analista.

Na sequência de altas do Ibovespa, Klabin (KLBN11) subia 4%, ainda repercutindo a boa performance do balanço do primeiro trimestre do ano, enquanto PetroRio (PRIO3) crescia 2,59% e Petrobras (PETR4) tinha alta de 2,18%.

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Já as petrolíferas surfam a onda da alta recente do petróleo, que sobe quase 4% nesta quarta após a divulgação de um plano europeu para deixar de comprar o produto da Rússia. A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, anunciou que o continente irá banir – ainda que gradualmente – as importações de petróleo e derivados vindos do país de Vladimir Putin.

O plano prevê que, em seis meses, União Europeia deixe de usar petróleo da Rússia, e que em até um ano pare de comprar produtos refinados. “Será uma proibição completa de petróleo russo, vindo por via marítima ou por dutos, bruto ou refinado”, frisou a presidente.

Mercados externos aguardam o Fed

Lá fora, as Bolsas operam em queda com as atenções voltadas ao anúncio da decisão de política monetária do Federal Reserve logo mais. O mercado espera uma alta de 0,5 ponto percentual e espera um movimento de início da redução do balanço do banco central americano.

Abdouni vê um “jogo de cena” do Fed, uma vez que o presidente do Fed de St. Louis, James Bullard, visto como mais conservador, defendeu um aumento de 0,75 ponto. Na visão do analista, o resultado esperado de 0,5 ponto nesta quarta poderá trazer um ar de “mais favorável ao mercado”, visto que um dos membros da instituição defendia um aumento mais agressivo.

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Inflação incerta dificulta sinalizações mais claras de BC e Fed na Superquarta

Enquanto isso, os índices acionários de Wall Street caíam em bloco, com Dow Jones recuando 0,19%, S&P 500 perdendo 0,46% e o Nasdaq desvalorizando 1,39%. Na Europa, o movimento também era negativo. O índice Euro Stoxx 50 recuava 1% enquanto o DAX perdia 0,40% e o FTSE 100 perdia 0,84%.

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