A União Europeia vai banir – ainda que gradualmente – as importações de petróleo e derivados vindos da Rússia. O anúncio, feito pela presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, fez os preços da commodity subirem.
Por volta das 9h10 (de Brasília), o preço do petróleo tipo Brent – que serve como referência no mercado internacional – subia 4,1% no mercado futuro da ICE, para US$ 109,27 por barril.
Em discurso ao Parlamento Europeu, von der Leyen disse que a sexta rodada de sanções à Rússia prevê medidas para remover mais bancos russos do sistema Swift – que padroniza as operações internacionais entre as instituições financeiras -, banir alguns meios de comunicação do país e proibir a importação de todo o petróleo e derivados vindos da Rússia.
“Que fique claro: não será fácil. Alguns membros [da União Europeia] são fortemente dependentes do petróleo russo”, disse ela. “Garantiremos a eliminação gradual do petróleo russo de forma ordenada, a fim de permitir que nós e nossos parceiros garantam rotas alternativas de abastecimento e minimizem o impacto nos mercados globais”, destacou von der Leyen.
O plano prevê que, em seis meses, União Europeia deixe de usar petróleo da Rússia, e que em até um ano pare de comprar produtos refinados.
“Será uma proibição completa de petróleo russo, vindo por via marítima ou por dutos, bruto ou refinado”, frisou a presidente da Comissão Europeia. “Assim, maximizamos a pressão sobre a Rússia, e, ao mesmo tempo, minimizamos os danos colaterais para nós e nossos parceiros em todo o mundo. Porque para ajudar a Ucrânia, nossa própria economia precisa permanecer forte.”
Desde que os russos invadiram a Ucrânia, no final de fevereiro, o mercado esperava o anúncio de uma medida deste tipo, mas os europeus demoraram a adotá-la porque são muito dependentes do gás e do petróleo vendido pela Rússia.
A persistência da guerra na Ucrânia, porém, levou as autoridades europeias a formarem um consenso em torno da necessidade de interromper as compras com o objetivo de fazer pressão econômica sobre a Rússia e dificultar os esforços de guerra do país.
Não comprar petróleo e gás da Rússia, porém, significa que os europeus terão de conseguir estes produtos com outros fornecedores, o que ao mesmo tempo gera uma restrição da oferta no mercado mundial e um aumento na demanda por petróleo de outros países que não a Rússia – ambos fatores que favorecem a alta de preços da commodity.
Para aprovação, a proposta precisa do apoio dos 27 membros da União Europeia, que se reunirão na próxima quarta para discutir o assunto.