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Rodrigo Ashikawa

É economista da Claritas, bacharel e mestrando pela PUC-SP.

Inflação incerta dificulta sinalizações mais claras de BC e Fed na Superquarta

Inflação se mostra persistente tanto no Brasil quanto nos EUA

Aumento taxas de juros

Foto: Shutterstock

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O cenário de inflação americana vem se mostrando mais persistente do que o esperado. O índice de inflação ao consumidor nos Estados Unidos alcançou patamares de 8,5% na última publicação referente a março.

Adicionalmente, números do mercado de trabalho continuam apresentando resultados robustos, com uma criação média de empregos acima de 500 mil nos últimos três meses e uma taxa de desemprego recuando para patamares de 3,6% na economia americana.

Ambos os fatores são responsáveis pela aceleração esperada do aperto monetário por parte do Fed (Federal Reserve). Neste sentido, espera-se que o banco central americano acelere o ritmo de aumento de juros para 0,5 p.p. na reunião desta quarta-feira (3).

Além disso, há expectativa de que o Fed apresente os detalhes do enxugamento de seu balanço de ativos para os próximos meses, se tratando de uma forma adicional de retirada de estímulos no curto prazo e o início da redução de seu balanço de US$ 9 trilhões.

O mercado deve seguir monitorando qualquer sinalização sobre os próximos passos do banco central americano — discussões em relação a uma aceleração adicional no ritmo de juros ou uma taxa terminal em patamar mais contracionista já se mostram presentes nos discursos de alguns diretores do Fed.

BC brasileiro também está sob pressão

Esta persistência inflacionária também se mostra realidade para a economia brasileira. O IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) referente ao mês de março ficou novamente acima das expectativas do mercado, ao subir 1,62% na comparação mensal.

Em termos anuais, a inflação brasileira fica resiliente e ainda acelera para níveis acima de 11%. A composição dos números recentes também se mostra desfavorável para decisões de política monetária. Preços industriais continuam com uma trajetória ascendente, com serviços subjacentes no maior nível desde 2016 e uma média de núcleos próxima de 9% na comparação anual.

Mais importante, as expectativas de inflação para os próximos anos continuam deteriorando e se encontram em níveis superiores em relação à meta do Banco Central.

Neste cenário, para a próxima reunião do Copom (Comitê de Política Monetária do BC), também nesta quarta, a expectativa está para uma alta consensual de 1,0 p.p. na taxa Selic, passando para 12,75% nesta reunião. Mais do que a elevação, o grande ponto de atenção se concentra na forma como se dará a sinalização dos próximos passos da autoridade monetária.

Em comunicações recentes, o Copom havia indicado que o nível de juros já estaria em um patamar significativamente restritivo e que a economia estaria próxima do fim do ciclo de juros.

No entanto, a continuidade de surpresas negativas na inflação e a deterioração das expectativas para os próximos anos reforçam a tese de que o Banco Central pode manter a porta aberta para uma alta residual de 0,5 p.p na reunião de junho, encerrando o ciclo com a taxa Selic em patamares de 13,25%.

A recente (e rápida) desvalorização cambial, a pressão nos preços de commodities e a continuidade de problemas na cadeia de produção ainda reforçam as incertezas de curto prazo com relação ao quadro de inflação local. Mais importante, dificultam as sinalizações com relação aos próximos passos de política monetária.

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