A Cielo, líder do setor de pagamentos no Brasil, se beneficiou da retomada do consumo nas ruas, após a reabertura da economia, e encerrou o primeiro trimestre do ano com lucro líquido recorrente de R$ 184,6 milhões, uma expansão de 35,9% em relação a igual período do ano passado, mostra balanço publicado pela empresa na noite desta terça-feira (3).
O resultado surpreendeu positivamente algumas das principais instituições financeiras que acompanham a ação da Cielo, como o Goldman Sachs e o BTG Pactual, que esperavam lucro líquido recorrente de R$ 154 milhões e R$ 172 milhões, respectivamente, mas ficou levemente abaixo da expectativas de corretoras como a Genial Investimentos, que tinha uma estimativa de R$ 187 milhões.
De acordo com a Cielo, o lucro do primeiro trimestre foi impulsionado principalmente pelo crescimento dos pagamentos feitos pelos clientes, que atingiram a marca de R$ 198,3 bilhões, uma expansão de 23,9% em comparação a igual período do ano passado.
O avanço das transações no balanço da Cielo ocorre em meio a um momento de reabertura da economia. No primeiro trimestre do ano passado, o Brasil viveu intensamente a segunda onda da pandemia, que levou a um novo período de restrições mais duras para o comércio de rua, onde estão os principais clientes da Cielo, uma adquirente que tem uma atuação relevante entre lojas do varejo físico.
Os pagamentos, por sua vez, tiveram como principal motor o cartão de crédito. As transações nessa modalidade subiram 33,4% no primeiro trimestre, para R$ 118,4 bilhões, em comparação a igual período do ano passado, enquanto o cartão de débito teve avanço mais tímido, de 12,2%, para R$ 79,9 bilhões.
As transações registradas pela Cielo, por outro lado, caíram em relação ao quarto trimestre do ano passado, uma vez que os últimos meses do ano costumam ter um consumo mais aquecido, em razão das festas de fim de ano. Nessa comparação, os pagamentos (somando os cartões de crédito e de débito) caíram 4,8%.
Apesar do avanço dos pagamentos em um ano, a receita líquida da companhia não cresceu no mesmo ritmo. O indicador teve avanço de 14,1% sobre o primeiro trimestre do ano passado, para R$ 1,32 bilhão.
Como consequência, a taxa de retorno da Cielo (a receita da empresa em relação aos pagamentos registrados) caiu para 0,67% no primeiro trimestre deste ano, de 0,73% em igual período do ano passado.
A Cielo disse ainda que o lucro líquido do primeiro trimestre teve a ajuda de um controle mais rígido de gastos totais consolidados, que caíram 3,4% nos primeiros três meses do ano ante igual intervalo de 2021, para R$ 2,3 bilhões.
O resultado financeiro da empresa, por outro lado, ficou negativo em R$ 83,2 milhões, em razão do aumento da Selic, que saltou de 2% para 11,75% em pouco mais de um ano. No primeiro trimestre do ano passado, o resultado financeiro havia ficado positivo em R$ 34,8 milhões.
Aquisição finalizada
A Cielo aproveitou o balanço do primeiro trimestre para anunciar também que encerrou o processo de venda da MerchantE Solutions, empresa de pagamentos baseada nos Estados Unidos. Na data do fechamento do negócio, a Cielo recebeu US$ 137 milhões.
Com o anúncio, a empresa disse que também encerrou um “um importante ciclo de desinvestimentos”, totalizando R$ 1,3 bilhão adicionados ao caixa entre janeiro de 2021 e abril de 2022.