Em reunião desde quinta-feira, dia 01, a Organização dos Países Exportadores de Petróleo e seus aliados (Opep+) terminaram o encontro sem um acordo, segundo informações da Bloomberg.
Com isso, as cotas de produção de cada membro permanecem as mesmas, ante expectativa inicial de aumento de 500 mil barris por dia. Logo, o mercado de petróleo deve continuar com a oferta restrita e os preços lá em cima.
A alta na produção era aguardada para ajudar a acalmar os preços do petróleo, que têm operado em máximas de três anos, com o Brent alcançando o topo de US$ 77 por barril nesta segunda-feira, 05.
Esses preços têm gerado temores com a possibilidade de a inflação prejudicar a recuperação global após a pandemia de coronavírus.
Impasse
No ano passado, a Opep+ fechou um acordo para retirar cerca de 10 milhões de barris por dia (bpd) do mercado, diante dos efeitos da pandemia. Esses cortes de produção são flexibilizados gradualmente, e neste momento atingem cerca de 5,8 milhões de bpd.
Os Emirados Árabes, de acordo com fontes, concordaram na sexta-feira com a Arábia Saudita e outros membros da Opep+ em uma proposta de que a produção suba por fases, em cerca de 2 milhões de bpd, entre agosto e dezembro.
O país rejeitou, no entanto, que os cortes remanescentes de oferta sejam prorrogados até o final de 2022, ante pacto atual que prevê o fim das restrições em abril do ano que vem. Os Emirados estão descontentes com a base a partir da qual seus cortes de produção são calculados e querem aumentá-la.
Abu Dhabi investiu bilhões de dólares para aumentar sua capacidade de produção e diz que sua base para o acordo está muito baixa desde quando a Opep+ forjou o pacto.
Sem previsão
Nesta segunda-feira, dia 05, fontes da Opep+ disseram que não houve progresso em solucionar a questão e que a reunião terminou sem solução. E não há data para um novo encontro.
O insucesso para um acordo significa que o esperado aumento de produção a partir de agosto não vai acontecer.
Somente neste ano, o barril tipo Brent, negociado em Londres e referência mundial, valorizou 50% e está próximo da casa de US$ 80.
Com isso, países consumidores estão preocupados com o aumento da inflação e que o impasse prejudique a disponibilidade de suprimentos no mercado internacional, à medida que a demanda se recupera rapidamente, junto com o progresso da vacinação.