TradeMap Discovery: criptomoedas vão passar por solavancos nos próximos meses, diz Ulrich

Criptoativos podem apresentar oportunidades de entrada para quem está de olho no longo prazo, disse o head de Educação na Liberta Investimentos

Sabrina Coin, Roberta Antunes e Fernando Ulrich no Trademap Discovery. Foto: Camila Ávila

As altas das taxas de juros pelos bancos centrais têm gerado uma fuga dos ativos de risco, incluindo de criptoativos, que estão cada vez mais correlacionados com outros mercados.

“Para os próximos meses, ainda espero mais solavancos, o que significa oportunidade de entrada para quem está pensando no longo prazo”, disse Fernando Ulrich, head de educação na Liberta Investimentos.

Ulrich participou do painel “As melhores oportunidades em cripto e NFTs”, no TradeMap Discovery, junto com Sabrina Coin, empresária e produtora de contúdo do mercado de criptomoedas, e Roberta Antunes, sócia e CGO da Hashdex.

Para Ulrich, as taxas de juros baixas que vigoraram na pandemia inflaram o preço de todos os ativos e a recente forte queda das criptomoedas reflete uma correção em todos os mercados.

Para Antunes, da Hashdex, existem inúmeras criptomoedas relacionadas a projetos de tecnologia que tendem a ter correlação maior com empresas de tecnologia. “Cripto é muito mais que investimento especulativo, é investimento em tecnologia do futuro, mas esse ano vai ser desafiador para todos os ativos”, disse.

Quanto da carteira alocar em cripto?

Por ter alta volatilidade, os especialistas recomendam aos investidores começarem com uma pequena alocação em criptomoedas e levar em conta também o horizonte de investimento.

Para Ulrich, o ideal é ter no máximo 5% da carteira e focar mais nas criptomoedas que são mais seguras e estáveis como Bitcoin (BTC) e Ether (ETTH), e depois ir para outras criptomoedas mais promissoras, que são mais especulativas.

Antunes, da Hashdex, enfatiza que é importante levar em conta o horizonte de investimento. “Se você vai precisar do dinheiro em seis meses, não coloca em cripto”, diz, destacando que o ideal do investimento nesses ativos é olhar para um prazo de dois a cinco anos no mínimo.

“Começa com uma posição pequena e vai rebalanceando”, diz Antunes.

Coin vê potencial nas criptomoedas atreladas à tecnologia de finanças descentralizadas (Defi) no médio e longo prazos. Ela destaca, contudo, que é importante o investidor estudar os protocolos e os projetos antes de investir em determinadas criptomoedas e não comprar os ativos apenas porque eles estão subindo para evitar problemas como o verificado com a Terra (Luna), que caiu mais de 90% em um dia.

“A Terra tinha uma série de deficiências no desenho, era inevitável esse colapso”, diz Ulrich.

Para ele, é importante o investidor ficar atento à liquidez dos criptoativos para, quando acontecer um queda forte como essa, conseguir vender e sair do investimento.

No mercado brasileiro há duas formas de o investidor adquirir criptomoedas. A primeira é comprar os ativos diretamente por meio de corretoras.

A segunda possibilidade é investir nos ativos via fundos de investimento. Na B3 há nove fundos listados em Bolsa (ETFs– Exchange-Traded Funds) atrelados a criptoativos.

É um bom momento para entrar?

Coin diz que não olha criptomoedas como um investimento, mas uma oportunidade de exposição a uma tecnologia que oferece liberdade financeira, por serem transacionadas em uma rede descentralizada.

“Mas pensando a longo prazo é melhor entrar a US$ 30 mil do que a US$ 60 mil”, diz referindo-se ao preço do Bitcoin que caiu nesta quarta-feira para US$ 28,8 mil.

Antunes, da Hashdex, alerta, contudo, que nem todas as moedas que derreteram representam uma oportunidade de compra. “Nem sempre comprar na baixa é boa, há projetos que caíram bastante e não voltaram “, diz.

Como identificar oportunidades para vender?

Ulrich comentou algumas dicas para os investidores ficarem atentos que podem dar sinais de que o mercado pode estar saturado.

No caso de moedas que são mais especulativas, de projetos menores, a primeira dica é evitar ativos que estão sendo muito comentados no momento.

“Se o Elon Musk tuitou é sinal de vender”, disse. Da mesma forma, se uma criptomoeda está sendo muito comentada por pessoas que não são familiarizadas com o mercado ou está muito na mídia é sinal de atenção, porque pode representar um momento de euforia.

Nesse sentido, Ulrich vê as moedas febres da internet como a Dogecoin (Doge), muito comentada por Musk, e Shiba Inu (SHIB) como “piadas”.

No caso do Bitcoin, há métricas específicas para verificar os fundamentos como, por exemplo, as taxas de rede (gas fees), a atividade computacional usada para validar as transações na rede (hashrate), e a métrica de risco conhecida como mvrv, que mede a relação entre o valor de mercado do Bitcoin e seu valor realizado, movimentado na rede.

“Esses métricas podem ser bom indicativos de quando vender ou comprar Bitcoin”, diz.

Apesar de não ver o Bitcoin ainda como reserva de valor, Ulrich acredita que o criptoativo é o novo ouro digital e representa o futuro do dinheiro na internet.

NFT bolha ou oportunidade?

Os chamados tokens não fungíveis, conhecidos como NFTs, que usam a rede de blockchain para emitir e armazenar o certificado digital que garante que o ativo não pode ser alterado ou replicável, têm ganhado espaço no mercado.

Conhecidos como “cripto-colecionável”, um dos NFTs mais famosos  é da Bored Ape Yacht Club, dos macacos entediados, que têm celebridades como o jogador Neymar entre os investidores.

“NFTs garantem que essa arte é única, não replicável”, diz Coin.

Para Ulrich, o valor dos NFTs, assim como no mercado de artes tradicional, é subjetivo. “Algumas pessoas valorizam mais a arte digital. É claro que teve uma euforia no mercados nos 24 últimos meses e as NFTs capturaram isso”, diz.

Para Antunes, as NFTs são mais que artes colecionáveis, que as pessoas compram, assim como marcas, para expressarem sua identidade online. “Quando você compra um NFT do macaquinho você tem uma série de benefícios, participa de grupos exclusivos, não é só jpeg, isso tem valor”, diz.

Ulrich destaca que os NFTs vão poder ser usados como ingressos para eventos, shows e até acesso a jogos.

Coin lembra que os NFTs também democratizam a arte. “Você pode apostar em um artista novo que não era conhecido do mundo inteiro”, diz.

Assista os dois painéis do terceiro dia do TradeMap Discovery clicando na imagem a seguir.

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