O reajuste de 7,5% da Petrobras (PETR4) no preço da gasolina às distribuidoras, anunciado pela empresa nesta terça-feira (24), deve ter impacto de 0,05 ponto percentual no IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) de janeiro. O efeito maior, porém, deve ser sentido em fevereiro, com avanço de 0,20 p.p..
O cálculo é do responsável pelos índices de preços da FGV (Fundação Getúlio Vargas), André Braz.
De acordo com o economista, o peso deve ser sentido apenas parcialmente em janeiro, porque o mês está quase no fim. Em fevereiro, o impacto maior reforçará deve puxar a inflação já tradicionalmente mais elevada por causa dos reajustes nas mensalidades escolares.
Hoje, o IBGE divulgou que o IPCA-15 de janeiro avançou 0,55%, acima da alta registrada em dezembro, de 0,52%.
Para 2023, a aposta de analistas ouvidos semanalmente no Boletim Focus é de uma alta de 5,48%. Braz pondera que, até dezembro, muita coisa pode acontecer com os preços da gasolina.
“Ao longo do caminho, pode ser que outros fenômenos ajudem a baratear o preço da gasolina. Mas já começamos tendo um primeiro trimestre um pouco mais apimentado, com a inflação um pouco mais alta do que esperávamos.”
O anúncio foi feito pela estatal na manhã de hoje. A empresa informou que o preço médio de venda de “gasolina A” da empresa para as distribuidoras passará de R$ 3,08 para R$ 3,31 por litro, um aumento de R$ 0,23 por litro, ou 7,47%.
Confira:
O anúncio interrompe uma sequência de cinco quedas consecutivas no preço do combustível desde junho do ano passado. O último recuo aconteceu em dezembro de 2022. De junho até a última redução, a Petrobras baixou o preço da gasolina de R$ 4,06 por litro para os R$ 3,08 vistos até ontem.
Braz explica que a expectativa é que o aumento que chegará a bomba é de 5%, já que a gasolina comercializada pelas refinarias não tem mistura, como ocorre no produto vendido diretamente ao consumidor.
IPCA-15 mostra inflação em desaceleração lenta
Economistas avaliam que o IPCA-15, divulgado hoje, mostra uma inflação desacelerando de forma lenta. Apesar do indicador ter avançado 0,55% em janeiro, um pouco mais do que o esperado, os núcleos de inflação (uma medida que exclui o impacto de itens mais voláteis) se mantém em desaceleração.
“As principais surpresas de alta vieram de bens industriais, com elevação dos preços de bens para casa e higiene pessoal, mas com boa desaceleração de vestuário. A média dos núcleos ainda está elevada, em 0,58%, mas recuou em relação a dezembro”, avaliou a economista Rafaela Vitória, do banco Inter.
Para Claudia Moreno, economista do C6 Bank, tanto a inflação de serviços como a de bens industriais já começam a mostrar sinais de desaceleração.
“No entanto, ambas seguem em patamar elevado, acumulando em 12 meses uma alta de 7,7% e de 8,9%, respectivamente”, apontou em relatório. “No caso de bens industriais, a desinflação deve ocorrer em ritmo mais acelerado do que em serviços, reflexo da reorganização das cadeias produtivas e da queda de preços das commodities.”