Produção industrial cai em agosto, mas pode ter melhora gradual nos próximos meses

Queda da indústria se concentrou em somente oito de 26 atividades, segundo dados do IBGE

Foto: Shutterstock/Yakov Oskanov

A produção industrial caiu 0,6% em agosto, eliminando a alta registrada em julho, segundo dados divulgados nesta quarta-feira (5) pelo IBGE. Apesar disso, a avaliação de economistas foi de que o dado é relativamente positivo, já que 18 de 26 categorias mostraram crescimento.

Apesar disso, a indústria ainda se mantém 1,5% abaixo do registrado em fevereiro de 2020, patamar pré-pandemia, o que evidencia as dificuldades persistentes do setor.

O recuo veio um pouco abaixo do esperado pelo mercado, que esperava uma redução de 0,7%. Na comparação com agosto do ano passado, quando os efeitos da pandemia sobre a economia eram mais fortes, houve crescimento de 2,8%, segundo dados divulgados nesta quarta-feira (5) pelo IBGE.

“A retração de 0,6% foi concentrada em três itens: combustíveis, alimentos e indústria extrativa, porque esses são os produtos ligados a commodities, que vêm apresentando retração a partir de maio e junho, já como reflexo de preços menores”, aponta Fabio Astrauskas, economista, professor do Insper e CEO da Siegen Consultoria.

Na avaliação do especialista, a indústria deve continuar variando para cima ou para baixo nos próximos meses, refletindo exatamente as alterações nos preços de commodities. “O ano deve fechar em recuperação na comparação com 2021. Para 2023, a situação é mais complicada, porque os juros altos desestimulam investimentos e, portanto, a produção industrial.”

Em relatório, a XP Investimentos apontou que a produção industrial apresentará uma expansão moderada nos próximos meses. “O setor manufatureiro permanecerá em trajetória de crescimento modesto nos próximos meses, devido sobretudo à elevação do consumo das famílias (embora a um ritmo cada vez mais suave) e à redução dos gargalos nas cadeias globais de matérias-primas.”

O maior impacto para a queda registrada pela indústria em agosto veio do setor coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis, com queda de -4,2%. Outras atividades que contribuíram bastante para o recuo foram indústrias de produtos alimentícios (-2,6%) e indústrias extrativas (-3,6%).

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Para a Pantheon Macro, os números mostram que o setor industrial foi atingido em agosto por fatores temporários, com destaque para petróleo e mineração.

“Mas esperamos um repique gradual ao longo dos próximos meses, graças aos fundamentos domésticos ainda sólidos e os recentes estímulos fiscais, inflação e queda e melhoria no risco político”, disse a consultoria em relatório. “O efeito atrasado das condições financeiras mais apertadas e o enfraquecimento da economia global, entretanto, limitarão o repique.”

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A economista Claudia Moreno, do C6 Bank, é menos otimista. “Daqui para a frente, nossa previsão é que o setor continue andando de lado ou até caia, como ocorreu agora em agosto. Isso deve acontecer porque a indústria, assim como o restante da economia, passa a sentir mais fortemente os efeitos da elevação da taxa de juros neste segundo semestre, além de continuar sendo afetada pela desaceleração da economia global e queda de preços de commodities.”

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