Impulsionado pela reabertura da economia e pelo desempenho de serviços, o PIB (Produto Interno Bruto) avançou 1% no primeiro trimestre, mas apresentou duas surpresas negativas para o mercado: o desempenho do agronegócio, prejudicado pela quebra de safra da soja, e de investimentos.
É por isso que, ao lado de um ajuste para cima no PIB do quarto trimestre do ano passado – a alta foi revisada de 0,5% para 0,7% -, que melhorou a base de comparação, a elevação veio abaixo do esperado pela maior parte do mercado. O consenso de analistas ouvidos pela Reuters era de um crescimento de 1,2%.
“Houve uma redução de 12% na produção de soja, por causa de quebra de safra no Sul do país. A soja tem um peso forte no PIB agrícola, de cerca de 25%”, destaca Daniel Sinigaglia, economista da Garde. “Já os investimentos foram a principal surpresa negativa do lado da demanda.”
Os dados do IBGE mostraram uma alta de 1% em serviços, estabilidade na indústria (alta de 0,1%) e queda de 0,9% na agropecuária. Do lado da demanda, o consumo das famílias subiu 0,7%, enquanto os investimentos tombaram 3,5%.
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Para Claudia Moreno, economista do C6 Bank, a queda dos investimentos é um sinal das dificuldades que o país enfrentará nos próximos meses.
“Não dá para dizer que esse ritmo de crescimento vai se manter daqui até o final do ano. Os investimentos, mais ligados a fatores estruturais, por exemplo, caíram 3,5% e não há sinais de melhora nos próximos trimestres”, avaliou.
João Savignon, economista da Kínitro Capital, destacou que os dados do IBGE ainda mostram uma grande diferença de comportamento entre as diferentes atividades.
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“Quando observamos as aberturas, verificamos que ainda persiste uma importante heterogeneidade entre as atividades econômicas, com algumas bem acima e outras ainda abaixo dos níveis pré-pandemia”, afirmou.
Com o resultado do primeiro trimestre, a atividade econômica brasileira está 1,6% acima do patamar registrado no nos últimos três meses de 2019, período pré-pandemia de Covid-19.
Outros serviços
O aumento da atividade econômica de janeiro a março deste ano foi puxado pelo desempenho de serviços, que representa 70% do PIB e cresceu 1% na comparação com igual período imediatamente anterior. Dentro do setor, o segmento de maior destaque foram os outros serviços, que comportam atividades como alojamento e alimentação, que saltaram 2,2% no trimestre.
“Outros serviços tiveram um crescimento muito significativo. Claramente é reflexo da abertura com a melhoria da pandemia”, diz o economista da Garde. “Isso começou no final de 2021, mas se consolidou a partir de fevereiro, março, com o fim quase completo das restrições.”
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A avaliação de economistas é que, nos próximos meses, os preços em patamar elevado e os juros altos irão refrear o crescimento da atividade. Em resumo, eles dizem que é difícil o ritmo de alta visto no primeiro trimestre se manter daqui para a frente.
Para Sinigaglia, da Garde, a tendência é de continuidade dos efeitos da recuperação da economia no segundo trimestre – o economista projeta um aumento de 1,2% na comparação com o período entre janeiro e março.
“A partir daí, a história muda. No segundo semestre, a agricultura terá uma contribuição favorável, mas provavelmente veremos recessão com o impacto da política monetária”, aponta, lembrando que a taxa básica de juros, a Selic, começou a ser elevada em março de 2021 e já está em 12,75% ao ano.