A forte alta na taxa básica de juros (Selic) em 2022, que foi reforçada pelo Banco Central nesta semana, aliada a perspectivas de atividade econômica fraca, deve levar a um cenário de redução dos juros em 2023.
Essa é a avaliação da equipe de macroeconomia do Itaú Unibanco, que atualizou suas projeções para a economia brasileira nesta sexta, 17. Para o banco, há condições de que a Selic, que em sua avaliação terminará 2022 em 11,75%, seja reduzida para 8% até dezembro de 2023.
A projeção para a inflação de 2022 foi mantida em 5%. Já para 2023, o banco projeta alta de 3,3% do IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo).
“Para 2023, esperamos que a taxa Selic seja reduzida em direção a patamares menos restritivos. Com os efeitos defasados da alta de juros e a capacidade ociosa na economia (em especial, no mercado de trabalho), a inflação tende a ir se aproximando da meta”, observou a equipe, em relatório.
O espaço para essa queda, na avaliação dos especialistas, dependerá das futuras escolhas de política econômica –especialmente de controle das contas públicas, já que 2022 será um ano de eleições presidenciais.
Se o cenário de juros menores se confirmar, a expectativa é que a economia cresça 1% em 2023.
Revisão para baixo do PIB de 2021
Os sinais de estagnação da atividade econômica levaram o banco a revisar suas projeções de alta do PIB (Produto Interno Bruto) de 2021, de 4,7% para 4,4%. A expectativa é que os sinais de fraqueza se mantenham no quarto trimestre do ano.
“Esperamos estabilidade para o PIB no quarto trimestre de 2021, com continuidade da mesma dinâmica: recuperação dos serviços ligados à mobilidade e contração das aberturas relacionadas ao setor de bens”, afirmou o banco.
Para 2022, a equipe manteve a projeção de queda de 0,5% da atividade, devido à contração da demanda como consequência da alta de juros. “O primeiro trimestre de 2022 se beneficiará de um crescimento forte e pontual do PIB agropecuário, mas esperamos contração do PIB nos trimestres subsequentes”, diz o relatório.