Índice mais usado em reajustes de contratos, o IGP-M (Índice Geral de Preços – Mercado) fechou dezembro em alta de 0,45%, levando o indicador a encerrar 2022 com um aumento de 5,45%, quase a mesma projeção do mercado para o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) deste ano.
Neste mês, os preços foram puxados para cima pela alta em alguns alimentos e no minério de ferro, mas analistas esperavam um avanço maior.
Para o coordenador dos índices de preços da FGV (Fundação Getúlio Vargas), André Braz, os dados de dezembro mostram uma inflação em desaceleração.
“O IGP-M mostrou que a alta de preços de grandes commodities praticamente foi zerada em 12 meses, apesar de algumas seguirem em alta”, afirmou Braz à Agência TradeMap. “Esse cenário de não haver uma pressão destacada de commodities alivia a inflação à frente. Não alivia todas as pressões inflacionárias, mas não há nada generalizado.”
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Ele destaca que esse cenário é reforçado pelas expectativas de que a taxa básica de juros (Selic, hoje em 13,75% ao ano) se mantenha alta por mais tempo. “A tendência é que a inflação desacelere ao longo dos próximos meses, porque a alta de juros, no Brasil e no mundo, freia a demanda e reduz a tensão sobre os preços”, explica.
Cumprir a meta, só em 2024
Apesar disso, a tendência é que o IGP-M feche 2023 em um patamar parecido com o de 2022, e que o IPCA volte a ficar fora da meta do CMN (Conselho Monetário Nacional) para o ano, de 3,25% com intervalo de tolerância para cima ou para baixo.
“Vamos ter um ano de inflação mais estável, mas não podemos esquecer que a desoneração de combustíveis [que pode ser revertida pelo governo no caso dos impostos federais] foi importante para conter os preços dos alimentos. Não podemos esquecer que os benefícios sociais também aumentam a demanda”, pontuou.
Na avaliação do economista, o cenário para 2023 “é um pouco mais otimista” e pode favorecer o cumprimento da meta de inflação para 2024. “Mas não haverá mudança abrupta do cenário inflacionário.”