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Copom divide opinião do mercado, mas passa recado: regra será juros altos por mais tempo

Copom divide opinião do mercado, mas passa recado: regra será juros altos por mais tempo

Ata da reunião mais recente aponta necessidade de taxa básica se manter em patamar elevado por mais tempo

Prédio do Banco Central em Brasília

Foto: Shutterstock

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Divulgada na manhã desta terça (21), a ata da última reunião do Copom (Comitê de Política Monetária do BC) reforçou a necessidade de mais um ajuste nos juros básicos em agosto, ao mesmo tempo em que indicou que, para trazer a inflação para perto da meta em 2023, será necessário a taxa Selic ficar num patamar mais alto por mais tempo.

No encontro da semana passada, a taxa foi elevada em 0,50 ponto porcentual, a 13,25% ao ano, e o BC indicou um novo aumento igual ou menor para a próxima reunião, em agosto.

O documento foi visto de formas diferentes por economistas e analistas, com alguns especialistas considerando a ata dovish (ou seja, mais leniente com a inflação), outros avaliando o texto como hawkish (mais duro com a alta de preços) e uma parte ainda considerando a ata como neutra, sem grandes novidades em relação ao comunicado da decisão.

Veja abaixo a repercussão.

Dovish

Parte dos especialistas acreditam que, ao falar em juros elevados por um período maior do que o esperado, o BC já abriu mão de subir ainda mais a Selic ao longo do segundo semestre para forçar o recuo das expectativas para a inflação no ano que vem.

Ou seja, o Copom já estaria reconhecendo o benefício limitado que mais altas de juros teriam em sua tarefa de trazer a inflação à meta em 2023. Dados do cenário de referência do colegiado mostram que as projeções para o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) já alcançam 4%, acima da meta de 3,25% para o ano (o intervalo de tolerância é de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo).

“Aos poucos, entendemos, o Copom vai convencendo o mercado da pequena chance de a inflação convergir para a meta no horizonte relevante”, afirmou o economista-chefe do banco Fator, José Francisco de Lima Gonçalves, em relatório.

Para justificar esse ponto de vista, ele apontou que o BC incluiu 2024 nas projeções do seu cenário de referência e que deixou para a “leve alta adicional da Selic o condão de cumprir sua tarefa”. Na avaliação do especialista, a taxa básica termina 2022 em 14% ao ano.

O Goldman Sachs disse em relatório que a política monetária do BC está entrando numa fase final de ajustes e que, embora não descarte mais altas de juros além da que está prevista para agosto, no momento será mais importante insistir na manutenção dos juros em níveis elevados do que continuar aumentando as taxas.

Hawkish 

Por outro lado, muitos economistas acreditam que as menções do colegiado às preocupações com a incerteza das pressões inflacionárias e preocupações fiscais, além da indicação da necessidade de a Selic se manter num patamar elevado por mais tempo, deram um tom hawkish ao texto.

Para a equipe de economia do C6 Bank, o cenário atual requereria mais duas altas de 0,50 ponto, mas ainda há muita incerteza na mesa.

“A questão que se coloca é: quantas altas adicionais da Selic são necessárias para que o objetivo de trazer a inflação para ao redor da meta seja cumprido? Na nossa visão, existe uma incerteza em relação a este ponto”, afirmou o banco em relatório.

No documento, o colegiado aponta como riscos para a alta de preços a persistência dos choques recentes, como a guerra entre Ucrânia e Rússia e lockdowns na China e fala que, para cumprir a meta de 2023, a taxa precisa estar em um patamar mais alto por mais tempo.

“Na ata divulgada hoje, o Copom demonstrou um tom mais mais hawkish, fazendo um alerta sobre a continuação do cenário de incertezas e de ‘n’ variáveis que estão no radar e que podem mudar rapidamente o cenário inflacionário”, avaliou Idean Alves, sócio e chefe da mesa de operações de renda variável da Ação Brasil.

Para o especialista, além de um aumento de no mínimo 0,50 ponto porcentual no próximo encontro, o colegiado indicou que serão necessárias novas altas nas próximas reuniões para a inflação se aproximar da meta.

“A cautela se dá não só pelos riscos locais, mas também pelo choque de oferta e da alta de juros ocorrendo no cenário externo, o que também pode contribuir para um inverno mais longo no Brasil, com a política contracionista imperando por mais tempo”, disse.

Na avaliação do economista-chefe da Kínitro Capital, Sávio Barbosa, o Copom elevará os juros em mais 0,50 ponto, a 13,75% ao ano, e só começará a reduzir a Selic no terceiro trimestre do ano que vem, o que faria os juros terminarem 2023 em 10,50% ao ano.

Para o economista-chefe da XP Investimentos, Caio Megale, o documento mostra que o colegiado reconheceu que manter a Selic alta por seria insuficiente para reduzir as expectativas de inflação para o objetivo de 3,25%.

“O Comitê reconheceu que a manutenção da taxa Selic por um período suficientemente longo não asseguraria, neste momento, a convergência da inflação para em torno da meta no horizonte relevante de política monetária.”

Neutra

Na avaliação do Bank of America, a ata do Copom não trouxe grandes novidades, apresentando um tom similar ao comunicado da decisão.

“O Banco Central reconhece que o ajuste feito na política monetária até agora foi intenso, mas avalia que o efeito contracionista deve ser sentido nos próximos trimestres, reduzindo o ritmo da atividade econômica”, aponta.

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Jefferson Laatus, estrategista-chefe do Grupo Laatus, também considera que a ata “não fez preço no mercado” por causa da falta de novidades em relação aos próximos movimentos do Copom em relação aos juros. “Veio até alinhado com o que o mercado esperava”.

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