Comércio ainda sobe com desemprego menor e benefícios, mas começa a perder ritmo

Juros altos e endividamento das famílias impediram um crescimento maior do varejo em outubro

Foto: Shutterstock/Maridav

Como esperado, o volume de vendas do comércio desacelerou em outubro com a volta da inflação e com os juros em um patamar elevado. Apesar disso, o avanço de 0,4% em relação a setembro, pouco acima do esperado pelo mercado, ainda mostra um varejo resiliente com a ampliação do Auxílio Brasil, desemprego menor e a antecipação da Black Friday.

Esse foi o terceiro mês seguido de alta, segundo dados do IBGE divulgados nesta quinta (8), com o setor crescendo 1% no acumulado de 2022 e com variação positiva de 0,1% em 12 meses. Em setembro, o varejo avançou 1,1%.

A economista Claudia Moreno, do C6 Bank, ressaltou que o destaque do mês foram novamente as vendas dos segmentos mais sensíveis à renda, como é o caso de supermercados.

“As vendas dos segmentos sensíveis a crédito, como eletrodomésticos e veículos, que já vinham andando de lado nos últimos meses, mostraram, nas nossas estimativas, ainda menos resiliência em outubro e caíram 1,4% na comparação mensal”, apontou em relatório.

Para Moreno, o dado é mais um sinal de que a economia brasileira como um todo já começou a desacelerar, o que abre a chance de PIB negativo no quarto trimestre.

“O impacto dessa desaceleração no comércio vinha sendo arrefecido pelo efeito positivo do aumento da massa salarial e dos benefícios sociais. Mas, mesmo esse cenário deve começar a mudar mais à frente, quando o efeito tardio do juro alto começar a ser sentido na atividade econômica”, avaliou a economista.

Destaques positivos e negativos

O economista Rodolfo Margato, da XP Investimentos, apontou em relatório que os diferentes segmentos do comércio mostraram comportamento distinto, com cinco entre 10 das categorias acompanhadas pelo órgão registrando ganhos.

Os destaques positivos, de acordo com o especialista, foram combustíveis e lubrificantes, supermercados, alimentos e bebidas e móveis e eletrodomésticos. “A nosso ver, os resultados melhores nos dois últimos grupos refletem, ainda que parcialmente, a antecipação de ações promocionais de vendas relacionadas à campanha Black Friday.”

Na outra ponta, estão os segmentos mais atingidos por juros elevados, inflação e endividamento elevado das famílias, como material de construção, vestuário e calçados e veículos, motos e peças. “Em suma, condições de crédito mais apertadas e o alto grau de endividamento das famílias vêm pesando de forma significativa sobre as vendas do varejo”, avaliou Margato.

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Na avaliação de Eduardo Vilarim, economista do Original, o varejo mostrou em outubro que ainda vem sendo beneficiado pela redução nos preços da gasolina, diesel e etanol.

“Já a abertura de hipermercados se mostrou positiva, mas inferior a setembro, refletindo o aumento inflacionário dos alimentos”, disse em relatório. “Mas o destaque da divulgação fica por conta dos móveis e eletrodomésticos (itens de maior valor agregado), que avançaram 2,52% em função de uma estratégia de Black Friday antecipada pelo varejo.”

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