BC sinaliza que juros ficarão em 13,75% ao ano por mais tempo

Corte de juros deve ficar mais para o final do ano

Foto: Shutterstock/wut62

A piora nas expectativas de inflação e a preocupação com o rumo da política fiscal vão fazer o Banco Central (BC) segurar a taxa Selic em 13,75% ao ano por mais tempo. O comunicado do Copom (Comitê de Política Monetária do BC) destaca também o desejo de que as projeções do mercado voltem a convergir para as metas de inflação.

“A conjuntura, particularmente incerta no âmbito fiscal e com expectativas de inflação se distanciando da meta em horizontes mais longos, demanda maior atenção na condução da política monetária. O comitê avalia que tal conjuntura eleva o custo da desinflação necessária para atingir as metas estabelecidas pelo Conselho Monetário Nacional (CMN)”, segundo o comunicado divulgado nesta quarta-feira (1º).

Na visão de economistas, o BC apresentou uma postura mais “hawkish” que o esperado, ou seja, indicando que a Selic deve ficar ainda mais tempo em 13,75%. A expectativa anterior era de que a taxa básica começaria a ceder a partir da reunião de agosto.

“A mensagem do BC é que a taxa Selic ficará alta por mais tempo. Os cortes vão demorar um pouco mais para acontecer ou o ritmo de queda será mais lento”, diz Flavio Serrano, economista-chefe da Blueline Asset Management.

Piora das expectativas

As projeções para a alta do IPCA em 2024 também vêm escalando – no início de dezembro, estavam em 3,50%, e agora já estão em 3,90%. A meta deste ano para a inflação é de 3,25% e, para o ano que vem, de 3%, sempre com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo.

Alexandre Espírito Santo, economista-chefe da Órama Investimentos, destaca que essa piora já embute a volta dos impostos sobre os combustíveis e as preocupações fiscais.

“O boletim Focus vem apontando, há algumas semanas, uma piora nas projeções do IPCA para o horizonte relevante, ao captar, dentre outros, a reoneração de impostos sobre combustíveis, a partir de março”, afirma.

O BC reforça essa visão ao compartilhar no comunicado as projeções para os preços administrados, que são os regidos por contratos, como as tarifas de energia. A autoridade monetária vê que esses preços devem subir 10,6% em 2023 e 5,0% em 2024. Para o IPCA como um todo, a expectativa é de 5,6% para 2023 e 3,4% para 2024.

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Essa projeção é o chamado cenário de referência, que leva em conta o que o Focus espera para a Selic, que é uma taxa básica de 12,50% ao final de 2023 e 9,5% para o final de 2023. Já em um cenário alternativo, em que a Selic é mantida em 13,75% “ao longo de um horizonte relevante”, as projeções caem para 5,5% (2023) e 2,8% (2024).

Para Álvaro Frasson, economista do BTG Pactual, o comunicado também leva a concluir que haverá um adiamento do afrouxamento monetário.

“O comunicado veio em um tom mais duro que o esperado. O BC faz menção à incerteza sobre o âmbito fiscal e às expectativas de inflação, que estão desancoradas nos horizontes mais longos, mostrando preocupação com isso”, avalia.

No comunicado, o BC também voltou a reforçar que caso seja necessário, a Selic pode voltar a subir.

“O comitê enfatiza que os passos futuros da política monetária poderão ser ajustados e não hesitará em retomar o ciclo de ajuste caso o processo de desinflação não transcorra como esperado”, segundo o documento.

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