Weg (WEGE3) garante bom 2022, mas rentabilidade deve recuar; veja análise

A receita operacional líquida disparou 34,5% entre janeiro e março deste ano, chegando a R$ 6,82 bi

Foto: Divulgação

Uma das queridinhas da Bolsa brasileira, a Weg (WEGE3) apresentou sólidos resultados no primeiro trimestre deste ano. As ações da empresa subiram 5,5% antes da publicação dos números, refletindo a expectativa positiva em torno dos resultados, mas nesta quinta-feira (28) caem 1,55%, a R$ 31,14, diante da perspectiva de que no médio prazo a empresa deve passar por uma acomodação da rentabilidade.

Como um “relógio”, a companhia segue entregando crescimento com diversificação das operações. A ROL (Receita Operacional Líquida) da empresa disparou 34,5% no período entre janeiro e março deste ano, chegando a R$ 6,82 bilhões, em relação ao mesmo trimestre de 2021. Em comparação ao trimestre imediatamente anterior, o avanço foi de 4,4%. 

O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) foi de R$ 1,23 bilhão no primeiro trimestre, 21,3% acima do reportado 12 meses antes e 9,6% maior que o atingido entre outubro e dezembro do ano passado.

Cabe a ressalva de que o Ebitda da empresa foi beneficiado pelo reconhecimento de créditos referentes à exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e COFINS. Sem este efeito, o Ebitda seria de R$ 1,20 bilhão no período, alta de 18,79% em um ano.

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A margem Ebitda, que também foi influenciada por esse efeito não recorrente, foi pressionada pelos custos ainda elevados e apresentou retração de 1,9 ponto percentual (considerando a exclusão do ICMS).

O vilão das margens da empresa foram matérias-primas, como aço e cobre, que têm forte impacto sobre a estrutura de custos da empresa. 

A despeito dos esforços para redução de custos e otimização de processos, o CPV (custo dos produtos vendidos) foi R$ 201,15 milhões maior do que no quarto trimestre do ano passado – período melhor comparável dada a conjuntura global. 

Naturalmente, o lucro líquido também foi beneficiado pela exclusão do ICMS. Entre janeiro e março, o resultado líquido foi de R$ 943,9 milhões. Desconsiderando o fato não recorrente, ele seria de R$ 918,1 milhões. Altas de 23,5% e 20,13%, respectivamente. 

Na teleconferência de resultados realizada na manhã desta quinta-feira (28), a empresa disse que espera um crescimento sustentável (como vem apresentando), com margens sólidas e acima da média de mercado.

Porém, os investidores devem ficar atentos com a volatilidade do câmbio, que influencia a contabilização das receitas, além do arrefecimento da rentabilidade e margens pelo mix de produtos. 

Influência do câmbio é real, porém imprevisível

Os últimos dias têm sido de alta volatilidade no câmbio. Com a perspectiva de recessão global e movimentação agressiva das curvas de juros mundo afora, o real foi apreciado em relação ao dólar desde o início do mês, processo que vem se invertendo desde a última semana.

O mercado externo equivale a 49% da receita da Weg. Deste total, 44,1% vem da América do Norte e 26,4% é oriundo da Europa, os principais mercados.

Entre janeiro e março, a empresa teve um ROL de US$ 644,69 milhões, o que com o dólar considerado de R$ 5,23, perfaz uma receita de R$ 3,37 bilhões. Porém, neste mês, a divisa americana chegou a atingir a menor marca desde 2020, próximo de R$ 4,60, e agora ronda a casa dos R$ 5.

Crescimento exponencial da receita da Weg na última década

Fonte: TradeMap
Fonte: TradeMap

Caso o patamar se mantenha, a Weg pode ver mais uma forte pressão nos resultados externos. Segundo a empresa, é difícil mensurar o nível em que o dólar será estabilizado, com a alta volatilidade deixando imprevisível a atividade do segundo trimestre que já está em curso. 

Os executivos da companhia, entretanto, disseram que há um impacto real dessa apreciação da moeda brasileira – sobretudo pela menor velocidade de composição da estrutura de custos. 

Como a Weg sempre traz os resultados com o valor referente a reais, com uma taxa de câmbio determinada em relação ao período analisado, a receita sofrerá de imediato a influência da queda do dólar, mas os custos demoram a se ajustar.

Isso, junto ao mix de produtos ligados à energia eólica e solar que ainda estão em fase de alto crescimento, faz com que as margens da empresa possam continuar sendo impactadas.

Mais do que a guerra entre Rússia e Ucrânia, a Weg aponta a política de tolerância zero com infecções pela Covid-19 na China como maior empecilho aos custos neste momento.

Isso porque, com a paralisação dos negócios no país asiático, a tendência é as commodities e os fretes se apreciarem ainda mais. 

O mesmo recai sobre o ROIC (Retorno Sobre Capital Investido). De acordo com André Salgueiro, CFO e diretor de Relações com Investidores, a rentabilidade sobre capital investido da empresa teve um pico no segundo trimestre do ano passado e deve seguir uma tendência de acomodação nos próximos meses.

O ROIC do primeiro trimestre foi de altos 29,7%, avanço de 1,5 ponto percentual em comparação ao mesmo período de 2021. Todavia, em comparação ao quarto trimestre do ano passado, o indicador caiu 0,8 pp. 

GTD continua sendo destaque

Embora existam dúvidas latentes, o mercado pode olhar de forma mais positiva o segmento GTD (geração, transmissão e distribuição de energia) doméstico.

No âmbito doméstico, a área cresceu 107% em 12 meses e 44% em comparação ao quarto trimestre, impulsionado pela procura por energia solar. Nos produtos eólicos, a empresa diz ter um pipeline de entregas até 2024.

Nesse sentido, o GTD deve garantir à empresa um bom 2022, mas que será vítima de seu próprio crescimento. A partir do ano que vem, a empresa entende que a base comparativa ficará mais difícil de ser batida, o que impactará a multiplicação dos negócios. 

Do lado negativo, motores comerciais e eletrodomésticos (mostrando a desaceleração de bens duráveis do varejo brasileiro) foram o ponto mais baixo do trimestre, com queda de 26% no ano contra ano e de 22% na base trimestral. 

Como o mercado enxerga a Weg

O mercado se divide sobre Weg. Nos últimos 12 meses, as ações da empresa caíram 15%, embora na janela de cinco anos o avanço seja de 356%.

Rentabilidade passada não garante rentabilidade futura — mas diz muito sobre a visão dos investidores sobre a empresa. Inegavelmente, a Weg tem entregue resultado e batido as expectativas, mas por vezes o preço pareceu estar acima do valor da empresa.

Por isso, a maior parte do mercado entende que é melhor aguardar os próximos passos para tomar alguma decisão em relação aos papéis da companhia.

Dos 12 analistas que acompanham a Weg, segundo dados compilados pela Refinitiv e apresentados na plataforma do TradeMap, quatro recomendam compra, seis a manutenção dos papéis e dois, a venda. O preço-alvo mediano é de R$ 40. 

Fonte: TradeMap
Fonte: TradeMap

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