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Como a Taurus (TASA4) subiu 1.400% em cinco anos? CEO explica em live

Como a Taurus (TASA4) subiu 1.400% em cinco anos? CEO explica em live

Quem acreditava na empresa em junho de 2017 e manteve as ações até hoje viu forte crescimento do negócio

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Casos de turnaround oferecem alto grau de risco e não são para todos os investidores. As probabilidades de o negócio não ir para frente são relevantes e, proporcionalmente, o retorno é alto caso dê certo. Foi o que aconteceu com a Taurus (TASA4).

Quem acreditava na empresa em junho de 2017, pouco tempo depois de a companhia iniciar uma profunda reestruturação dos negócios, e manteve as ações até hoje, viu seu capital investido valorizar mais de 1.400%. Hoje, a Taurus vale R$ 2,37 bilhões na B3.

O resultado positivo dos últimos anos permitiu que a empresa pagasse bons dividendos, o que surpreendeu até a administração da companhia.

“A gente não achava que ia pagar dividendo tão rapidamente depois de vários anos de resultado negativo. A nossa dívida era de mais de 11 vezes o Ebitda. Hoje trouxemos para 2.3 vezes, o que nos deu condições de pagar um dividendo bem agressivo”, disse Salesio Nuhs, CEO Global da Taurus.

No ano passado, a empresa produziu 2,24 milhões de armas, aumento de 44,5% sobre o reportado um ano antes. Isso levou o Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) para acima de R$ 1 bilhão, mais do que dobrando em 12 meses.  

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Vale dizer que a empresa está majoritariamente exposta ao sólido mercado de armas americano. Cerca de 78% das vendas são realizadas nos Estados Unidos e, ainda assim, a empresa é a líder do setor no Brasil, onde navega praticamente sozinha. 

“Nós crescemos em um mercado altamente competitivo, em especial os EUA. A Taurus é o que é hoje não por conta do mercado brasileiro, que representa cerca de 10% do mercado mundial e já foi muito menor”, disse Nuhs.

Ao que tudo indica, os números caminham para permanecerem sólidos. No primeiro trimestre deste ano, apesar do efeito sazonal nos Estados Unidos e arrefecimento da demanda, a empresa ficou mais eficiente, aumentando suas margens bruta e Ebitda. 

Isso não quer dizer que não existam desafios. O CPV (custo dos produtos vendidos) equivale a metade da receita líquida da Taurus, com o custo das matérias-primas e logística crescendo. Outro tema doméstico que impacta os resultados da empresa é a valorização do real ante o dólar.

Nuhs vê o momento atual, com aumento no preço de insumos e inflação rodando nos maiores níveis em décadas, como ruim, mas aponta a sólida postura da companhia, uma espécie de gordura para trabalhar em cenários adversos como ponto positivo.

“Hoje nós não somos só o maior fabricante de armas leves do mundo, somos uma referência no mercado em termos de margem bruta e Ebitda”, diz o CEO, acrescentando que, por isso, a companhia consegue trabalhar em novos produtos e atingir outros setores do mercado.

Receita líquida da Taurus disparou na última década

Fonte: TradeMap
Fonte: TradeMap

Políticas de restrição de armas

O executivo comentou sobre as potenciais consequências de restrições à venda de armas nos EUA, assunto que votou à tona após um tiroteio em uma escola americana deixar 11 crianças mortas. “É muito difícil mexer nesse direito do cidadão americano, é quase impossível.”

A Taurus é uma das queridinhas do consumidor americano. A empresa explora o chamado mercado de entrantes nos EUA, que é composto por pessoas que querem adquirir sua primeira arma.

Nesse nicho a empresa não teme a concorrência porque considera que o consumidor confia na marca. “O americano é muito bairrista, durante décadas consumiu só automóveis americanos. Hoje ele compra de alguns fabricantes orientais, mas só compra depois que ele testa e vê a confiabilidade do produto”, aponta Salesio.

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