Navegue:
Após indicação de novo presidente, cenário da Petrobras (PETR4) caminha para definição

Após indicação de novo presidente, cenário da Petrobras (PETR4) caminha para definição

Nomes deverão ser aprovados em Assembleia na próxima quarta-feira (13)

Fonte: Shutterstock

Foto: Shutterstock

Por:

Compartilhe:

Compartilhar no twitter
Compartilhar no facebook
Compartilhar no linkedin
Compartilhar no telegram
Compartilhar no pinterest
Compartilhar no email
Compartilhar no whatsapp

Por:

As últimas semanas têm sido agitadas nos corredores da Petrobras (PETR4) e do MME (Ministério de Minas e Energia). Após as desistências de Adriano Pires e Rodolfo Landim por conflitos de interesses, que assumiriam à presidência da empresa e o conselho de administração, respectivamente, o cenário começa a ser estabelecido.

Isso porque, ontem, o governo indicou José Mauro Ferreira Coelho para a presidência da petrolífera. Coelho é presidente do conselho de administração da PPSA (Pré-Sal Petróleo), além de ter ocupado o cargo de secretário de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis do MME até outubro de 2021. Antes, esteve por 12 anos na EPE (Empresa de Pesquisa Energética), autarquia que lidera o planejamento do setor elétrico brasileiro.

Por outro lado, Márcio Weber foi indicado para a presidência do conselho estatal, no qual já faz parte. O executivo era a escolha do Ministério da Economia para a posição desde o ano passado.

Saiba mais:
Petrobras pode pagar até US$ 10 bilhões em dividendos adicionais

Ex-funcionário de carreira da estatal, Weber foi um dos idealizadores do desenvolvimento da Bacia de Campos. O atual presidente, Eduardo Bacellar, já entregou o cargo.

Ambos os nomes devem ser aprovados pela Assembleia Geral Ordinária e Extraordinária da empresa, marcada para a próxima quarta-feira (13).

Se tratando de nomes ligeiramente fora do radar, mas, que, na visão do mercado, possuem experiência suficiente para liderar a petroleira nos próximos meses, o cenário da Petrobras começa a se desenhar após dias de incerteza. 

Coelho não chega a ser um técnico como Adriano Pires, consultor e especialista do setor de energia há décadas. Contudo, justamente por essa razão, o antigo indicado não pôde assumir o cargo de CEO da Petrobras.

A resposta dos investidores é positiva. Por volta das 10h50 (de Brasília), as ações preferenciais da Petrobras subiam 2,38% na B3, para R$ 33,15. 

O X da questão

O cerne das bruscas mudanças na Petrobras, há mais de um ano, está no preço dos combustíveis. Em fevereiro de 2021, o antigo presidente da empresa Roberto Castello Branco, foi demitido pelo presidente Jair Bolsonaro após constantes reajustes.

Para o seu lugar, foi indicado o general Joaquim Silva e Luna, que contrariando o que muitos pensavam sobre sua função dentro da estatal, não alterou a política de preços da empresa.

Pouco antes de ser convidado a se retirar da posição de presidente da petrolífera, Silva e Luna colocou na rua um reajuste de 18% no preço da gasolina – que mesmo assim estava defasada em relação ao mercado internacional.

Tema sensível em anos eleitorais, o preço dos combustíveis – que tem forte peso na inflação, seja através da gasolina, etanol e diesel, mas também no custo de fretes e transportes – está em discussão no espectro político.

Enquanto Bolsonaro questiona o modelo da empresa e diz que ela “não atua da forma com que gostaria”, o opositor e ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva também coloca em xeque a idoneidade do PPI (Preço de Paridade Internacional).

Sob o pretexto de que o Brasil é autossuficiente na produção de petróleo para o uso interno, não há justificativa para que a Petrobras se baseie nos preços dolarizados.

A verdade é que mesmo com a alta capacidade de produção interna, o Brasil ainda importa cerca de 30% de seu consumo de combustível. Ou seja, o mercado internacional é responsável por quase um terço do que o país demanda. 

Na prática, o PPI busca otimizar a rentabilidade das empresas que operam na venda de combustíveis, com a ideia de fornecer um mercado competitivo e que atenda a demanda dos consumidores.

Se através de uma canetada a Petrobras começar a praticar preços muito abaixo da paridade internacional, as refinarias que não podem vender os derivados de petróleo podem quebrar.

Além disso, há um claro desincentivo à importação de combustíveis – afinal, lá fora se paga mais caro. Com isso, o Brasil sofreria um desabastecimento, como ocorreu em 2018 em meio à crise dos caminhoneiros.

O grande X da questão sobre a nova liderança da Petrobras é se os preços sofrerão interferências daqui para frente ou devem flutuar de acordo com o mercado internacional, que segue volátil.

Adriano Pires, que acabou não assumindo a empresa, descartava a ideia de mexer nos preços, mas era adepto de um fundo de estabilização dos combustíveis criado pelo governo, quem sabe até com os dividendos pagos pela estatal à União. No que se refere ao exercício de 2021, terão sido pagos R$ 37,3 bilhões em dividendos ao governo.

A ideia tramita em Brasília há meses, mas não há avanços. 

Vale lembrar que, por se tratar de uma empresa controlada pela União, a gestão da empresa poderá ser mudada novamente em janeiro do ano que vem, caso um novo governo assuma o país.

A depender da visão dos investidores, os novos indicados à Petrobras tendem a seguir o caminho prudencial e acordado, pela Petrobras. A empresa tem um acordo com o Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) para a manutenção do PPI.

Operação da Petrobras dribla incertezas

Enquanto o risco político da Petrobras aflora a cada semana que passa, a operação segue altamente sólida, conforme os dados de 2021 mostraram.

Atualmente, o barril de petróleo do tipo Brent, referência internacional no mercado de energia, está custando US$ 101. 

No auge da guerra entre Rússia e Ucrânia, os preços chegaram a bater US$ 128. Ainda há quem acredite que o Brent possa chegar a US$ 150, batendo a máxima histórica, nominalmente registrada em 2008.

Para a Petrobras, os preços não têm tido tanta importância. No ano passado, a empresa previa um Brent na casa dos US$ 45, e a média ao longo de 2021 foi de US$ 75. É factível dizer que acima deste patamar, a empresa ainda é forte geradora de caixa. 

Antes da meta, Petrobras conseguiu encurtar sua dívida bruta para menos de US$ 60 bilhões

Fonte: TradeMap
Fonte: TradeMap

Os custos também aumentaram, é verdade, mas o lifting cost (custo de extração) da empresa ainda está controlado dado o volume e preços praticados no mercado internacional. Sobretudo, porque a empresa agora está focada em seu core business, de águas profundas e ultraprofundas, o que confere maior rentabilidade. 

A maior parte dos analistas do mercado confirma essa concepção. De acordo com dados compilados pela Refinitiv, apresentados na plataforma do TradeMap, dez analistas acompanham a empresa de perto.

Desses, oito recomendam a compra das ações, entendendo que o preço-alvo mediano é de R$ 36,45. Os outros dois especialistas entendem que é um bom momento para manter a empresa em carteira, em vias de surfar as projeções para o petróleo. Ninguém entende que vale a pena vender as ações agora. 

Quem comprou e manteve as ações da Petrobras há 12 meses, teve um sólido retorno de 39%. A valorização, todavia, ficou abaixo do Brent, que subiu 62% no mesmo período, principalmente pelo risco político. Risco este que deve crescer consideravelmente até as eleições, marcadas para outubro.

Compartilhe:

Compartilhar no twitter
Compartilhar no facebook
Compartilhar no linkedin
Compartilhar no telegram
Compartilhar no pinterest
Compartilhar no email
Compartilhar no whatsapp

Compartilhe:

Compartilhar no twitter
Compartilhar no facebook
Compartilhar no linkedin
Compartilhar no telegram
Compartilhar no pinterest
Compartilhar no email
Compartilhar no whatsapp