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Long & Short: veja o que é, se vale a pena e exemplos práticos 

Long & Short: veja o que é, se vale a pena e exemplos práticos 

Em janeiro de 2022, a Bolsa brasileira ultrapassou a marca de cinco milhões de investidores

Entre as tradicionais e outras rebuscadas estratégias, está a operação Long & Short. Clique aqui e saiba o que é e veja se vale a pena.

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Com o desenvolvimento do mercado acionário brasileiro, surge uma série de oportunidades aos novos investidores da Bolsa de Valores. Entre as tradicionais e outras rebuscadas estratégias, está a operação Long & Short.  

A volatilidade do dia a dia faz os investidores se perguntarem como rentabilizar melhor seu capital aplicado na Bolsa e o Long & Short, por mais que seja uma operação que demanda mais cuidados que o habitual, pode ser uma boa alavanca ao patrimônio.  

Em janeiro de 2022, a Bolsa brasileira ultrapassou a marca de cinco milhões de investidores, com crescimento de mais de dez vezes nos últimos cinco anos. A forte ascensão ao mercado, porém, é acompanhada de alguns cuidados. 

A adesão às diversas estratégias deve ser centrada nos processos de adequação ao perfil de cada investidor, dada as diferentes perspectivas temporais e de aceitação de risco em prol do potencial retorno. 

O que é Long & Short

Long & Short é uma operação que consiste, primeiramente, no aluguel da ação de uma empresa que, em tese, está superprecificada e que os papéis tendem a cair, seguida da venda a descoberto desta ação. Essa é a chamada ponta vendida, na operação short.  

Posteriormente, com o recurso desta venda, deve ser realizada a compra do papel de uma companhia que, em razão de algum evento específico, deverá ter um movimento contrário e se valorizar. Essa é a ponta long, a comprada. 

O objetivo é lucrar com ambas as operações nos sentidos esperados, ou então ter um desempenho proporcionalmente superior em uma das pontas, que compense a perda na outra operação.  

As três situações em que o investidor ganhará dinheiro serão: 

  • Ganho na ponta comprada e na ponta vendida

O ganho na ponta long ocorre quando a ação comprada com o recurso da venda a descoberto sobe, e na ponta short a ação acompanha a tendência e cai.  

Na primeira situação, o investidor venderá a ação comprada por um preço maior do que o de aquisição. Enquanto isso, comprará a um preço mais baixo a ação short, devolvendo ao doador a mesma quantidade de papéis, embolsando a diferença de preço.  

  • Ganho na ponta comprada maior do que a perda na ponta vendida

O investidor também ganhará caso o lucro da venda da ação na ponta long seja maior do que o prejuízo na ponta short. Isto é, caso a ação vendida a descoberto suba, em vez de cair.  

Supondo que o investidor compre e mantenha em carteira a ação AAAA1 por R$ 15, e, do outro lado, na ponta short, venda a descoberto a ação BBBB1 por R$ 8, com o custo de aluguel de R$ 0,25.  

Em seguida, a ação AAAA1 sobe para R$ 20, e o papel vendido BBBB1 sobe para R$ 11. O investidor, então, lucrará R$ 1,75 (R$ 5 – R$ 3 – R$ 0,25), desconsiderando as alíquotas e custos com corretagem. 

  • Ganho na ponta vendida maior do que a perda na ponta comprada

Da mesma forma, o investidor consegue lucrar caso a operação short traga um lucro maior do que o prejuízo do lado da operação comprada. 

Em um exemplo similar, o investidor pode comprar e manter em carteira a ação AAAA1 por R$ 10 e, em seguida, vender a descoberto a ação BBBB1 por R$ 12, pagando um aluguel de R$ 0,35 ao doador.  

Caso a ação AAAA1, na ponta comprada, caia para R$ 7 e a ação vendida BBBB1 caia para R$ 6, o investidor ainda terá um lucro de R$ 2,65. Isso é resultado de um lucro de R$ 6 na operação vendida, tirando o prejuízo de R$ 3 na operação comprada e os R$ 0,35 da taxa de aluguel.  

A montagem de uma operação Long & Short pode ser realizada por meio da análise de gráficos, observando uma tendência de alta ou queda, com distorção do comportamento histórico daquele papel, ou então através da análise fundamentalista, aguardando as reações a um melhor ou pior balanço financeiro.  

Os pares podem ser formados da seguinte forma: 

Ações Preferenciais x Ações Ordinárias 

Neste caso, a operação é montada com papéis da mesma empresa, mas de categorias diferentes, como as ações do Itaú: ITUB3 (ON) e ITUB4 (PN). É o tipo mais conservador, pois há uma correlação alta entre os papéis, não tendo grandes diferenças e diminuindo o risco. 

Intersetorial 

Neste caso podem ser utilizados papéis de categorias e tipos diferentes, como uma ação e um índice específico. O investidor pode acreditar que, em determinado momento, as ações ITUB4 terão melhor desempenho do que o índice de small caps (SMLL), e montar a operação. Esse tipo confere mais riscos e maior potencial retorno pois a correlação é baixa. 

Intra-setorial 

Montagem do Long & Short entre papéis do mesmo setor, como Vale (VALE3) e CSN Mineradora (CMIN3). É comum observar uma correlação intermediária entre os papéis, já que atuam sobre o mesmo escopo, mas que podem diferir em modelo de negócio, potencial crescimento etc. 

Exigências

Para que o investidor consiga realizar uma operação Long & Short, a B3 exige garantias em caso de perda.  

Nesta estratégia, a Bolsa diz que todas as atividades devem ser lastreadas, isto é, devem ser apresentados recursos que assegurem o montante negociado.  

De acordo com a B3, as garantias podem ser apresentadas com dinheiro em conta, ações atreladas ao Ibovespa, CDB (Certificado de Depósito Bancário), títulos públicos, entre outros. 

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O investidor também deve considerar possíveis custos de corretagem, emolumentos e taxa de liquidação cobrada pela Bolsa. Também existe a taxa de intermediação do agente de custódia sobre o aluguel da ação na ponta short.  

Todavia, há a isenção do pagamento de impostos sobre o lucro até o limite de R$ 20 mil mensais, e eventuais prejuízos podem ser compensados com ganhos líquidos auferidos no mercado à vista. No restante, a tributação é mesma das operações comuns com ações.  

Vantagens e desvantagens

O investidor pode utilizar a própria ação comprada como uma garantia da operação, mesmo sem ter os recursos originalmente.  

Na ponta long, o papel será adquirido com o valor captado na venda a descoberto, caso, claro, cubra o valor total da ação a ser comprada.    

Além disso, o Long & Short também pode pulverizar os riscos dos investidores. O negócio mitiga o risco da venda a descoberto, que por si só é uma operação arriscada, já que uma ação pode cair no máximo até próxima de zero, ao passo que corre o risco de subir sem um limitador.  

A operação também pode remunerar os investidores que procuram distorções de curto e médio prazo na Bolsa. 

Porém, vale ressaltar que é uma estratégia considerada arriscada e que demanda cuidados e conhecimentos pouco usuais dos investidores com baixa experiência no mercado. Por isso, a importância de acompanhar o suitability fornecido pelas corretoras, bancos etc.  

Long & Short na Bolsa brasileira

Entre oportunidades e riscos, as bolsas de países emergentes são banhadas a oportunidades para o uso da estratégia Long & Short. Fundos de investimento, inclusive, possuem esse tipo de serviço específico.  

O mercado brasileiro mostra sólida recuperação após a queda no ano passado, em sentido inverso às bolsas nos Estados Unidos. Com alguns papéis ficando “caros”, ou outros que ficaram para trás, surgem caminhos por onde o investidor pode seguir.  

Veja exemplos reais de como aplicar a estratégia Long & Short, com base em relações intra-setoriais da B3. Salientando que este material não configura uma recomendação de investimento.  

Long EDP Brasil, short Taesa

A EDP Brasil (ENBR3) é uma das principais operadoras do setor energético no Brasil, assim como na Europa, por ser controlada pela EDP Portugal. Possui negócios nos segmentos de Distribuição, Comercialização, Transmissão, Geração e serviços de energia elétrica.  

Na parte de Distribuição de energia, principal fator de geração de receita, a empresa atua em São Paulo e no Espírito Santo, além de controlar 29,9% da Celesc, de Santa Catarina. 

Um dos destaques é sua entrada no segmento de Transmissão, que confere receitas mais previsíveis, após a conclusão dos projetos e investimentos realizados. A empresa detém oito projetos de transmissão, somando 1.924 quilômetros.  

Atualmente, a companhia negocia na casa das 5 vezes seus lucros, em linha com o restante do setor. Porém, as características da EDP Brasil remetem a uma empresa de crescimento, que ainda investe nas suas operações em detrimento ao pagamento de dividendos.  

A companhia mostra ser uma melhor oportunidade de investimento em relação à Taesa (TAEE11). A tradicional companhia de transmissão de energia elétrica tem elevado seus investimentos e diz estar aberta a novas concessões e aquisições, por meio do mercado secundário. 

Porém, um dos atrativos da Taesa é justamente o pagamento de proventos, que devem arrefecer ao longo dos próximos trimestres com a desaceleração dos índices de inflação que, por sua vez, corrigem as receitas da empresa. 

Além disso, a alavancagem financeira da companhia é um dos pontos de preocupação do mercado, por mais que a direção da companhia afirme que está sob controle.  

 No quarto trimestre do ano passado, a empresa tinha uma relação entre dívida líquida e Ebitda na ordem de 4,2 vezes, acima do considerado prudencial em consenso do mercado, que é de 3 vezes.  

De acordo com dados compilados pelo Refinitiv, apresentados na plataforma do TradeMap, oito dos 11 analistas que analisam a EDP recomendam a compra dos papéis, com preço-alvo de R$ 24.  

No caso da Taesa, cinco dos nove especialistas indicam a venda das ações neste patamar.  

Long PagSeguro, short Cielo

A guerra de maquininhas está a todo vapor. Na ponta da língua do mercado há ao menos quatro anos, o combate entre as companhias do setor de adquirência parece não ter fim.  

De um lado, as tradicionais empresas do segmento, que atuam desde antes do início das mudanças legais que abriram caminho para a concorrência e ainda abocanham a maior parte dos volumes. Do outro, empresas inovadoras que nasceram na última década com uma proposta de valor menos custosa. 

Nessa última banda está a PagSeguro (PAGS34). A empresa, ligada ao grupo UOL, atua em todos os segmentos da economia, desde micro e pequenos empreendedores até grandes empresas e consumidores em geral. 

Atualmente, a empresa possui 12,2 milhões de clientes e trabalha junto à base da pirâmide econômica, aproveitando o fato de que 76% dos brasileiros são empregados por pequenas empresas, segundo o Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas). Seus produtos custam a partir de R$ 11,50. 

O importante é que a empresa tem conseguido rentabilizar essa proposta, aumentar sua diversificação de receitas, como com o banco digital, e elevar seu volume transacionado. Tem aproximadamente 10% do market share no Brasil.  

Atualmente, a PagSeguro negocia a 22 vezes seu lucro dos últimos 12 meses, um patamar atrativo para empresas de alto crescimento, sendo que a média desde a abertura de capital é de um P/L de 40 vezes.  

Por outro lado, a Cielo (CIEL3) ainda briga com seu próprio tamanho e o rumo de suas atividades. A empresa tem conseguido ser eficiente em despesas dentro do possível, mas ainda vê suas margens sendo cada vez mais comprimidas pelos novos entrantes no mercado. 

Além disso, no ano passado a companhia registrou a perda de 199 mil clientes e precisou renegociar alguns de seus grandes e importantes contratos.  

A queda de 92% das ações desde a máxima histórica, atingida em meados de 2015, mostra a desconfiança do mercado frente aos papéis da empresa – que ainda vive o rumor (já rechaçado) de fechamento de capital pelos seus controladores Bradesco e Banco do Brasil.  

As informações do Refinitiv apontam para a recomendação de 13 analistas que acompanham a Cielo. Do total, 11 ficam com o pé atrás e indicam a manutenção da posição acionária. Os outros dois indicam a venda. 

Embora as ações do setor estejam voláteis nos últimos meses, a estratégia Long & Short com as ações de PagSeguro e Cielo, respectivamente, para o médio prazo, parecem ser uma boa pedida.  

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